4 de novembro de 2017
publicado às 08h34
Integração e inclusão laboral de indígenas venezuelanos em Roraima

Integração e inclusão laboral de indígenas venezuelanos em Roraima

O Centro de Atendimento ao Turista da Orla Taumanan em Boa Vista (RR) já conta com um espaço permanente para exposição e venda de artesanato do povo indígena Warao.

Colares, pulseiras, redes de fibra de buriti e cestarias feitas principalmente por mulheres desta etnia podem ser vistos e comprados no prédio da Intendência da Orla, um dos pontos mais turísticos da capital de Roraima.

A inauguração do espaço foi celebrada pela exposição “Warao – Gente da Água, Em Movimento”, que reúne fotografias, desenhos e grafismos, e ficará em exibição até 3 de dezembro. O lançamento aconteceu nesta sexta-feira (3), com a presença das artesãs e artesãos Warao.

A iniciativa é uma parceria da Universidade Federal de Roraima (UFRR) — por meio da Rede Acolher e do Centro de Capoeira —, com Agência da ONU para os Refugiados (ACNUR), Organização Internacional para as Migrações (OIM), Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), organização não governamental Fraternidade – Federação Humanitária Internacional e Prefeitura de Boa Vista.

Desde 2014, a instabilidade na Venezuela vem forçando o povo Warao a se deslocar para o Brasil, percorrendo pouco mais de 1 mil km até cruzar a fronteira e chegar ao estado de Roraima, por via terrestre e fluvial. Estima-se que cerca de 550 indígenas Waro estejam abrigados atualmente em Roraima, entre a cidade fronteiriça de Pacaraima e a capital, Boa Vista.

Em Boa Vista, a maioria vive no Centro de Referência ao Imigrante (CRI), no bairro Pintolândia. É lá que confeccionam o artesanato, sua principal fonte de renda. Matérias-primas como miçangas, tecido e fibra de buriti, são fornecidas às artesãs e artesãos pelo ACNUR e pela ONG Fraternidade.

“Com esta intervenção cultural, vamos conhecer um pouco mais da história do povo Warao, que chegou há pouco tempo e já faz parte do cotidiano do boa-vistense. Nossa cidade é formada pela mistura de várias culturas, e é essa diversidade que nos torna únicos”, explica a professora Julia Camargo, uma das coordenadoras da Rede Acolher, projeto de extensão da UFRR que apoia a população venezuelana em Boa Vista.

A OIM, por sua vez, promove oficinas de costura para os indígenas Warao, em parceria com a Cooperativa de Empreendimento Solidários de Boa Vista (COOFECS) e com a Igreja Metodista.

Na parte de comercialização e divulgação, mantém o mostruário no prédio da Intendência de Turismo de Boa Vista, em parceria com Superintendência de Turismo da Fundação de Educação, Turismo, Esporte e Cultura (FETEC), e uma barraca permanente na Expoarte no Parque Anauá, em parceria com a ONG Fraternidade.

Todas as iniciativas buscam a integração e inclusão laboral dos indígenas, com a valorização de sua cultura. Essa foi uma das formas encontradas entres as instituições parceiras e os próprios indígenas para proteger mulheres e crianças, tirando-as das ruas e dando oportunidade para desenvolver atividades tradicionais de sua cultura e garantir uma fonte de renda.

Além de artesanatos e roupas tradicionais, a exposição tem desenhos e grafismos feitos durante oficinas lúdicas da Rede Acolher com crianças e adultos Warao.

As fotografias, por sua vez, revelam o cotidiano deste povo em Boa Vista, a força de sua cultura e a inserção social no novo país por meio de projetos, como as aulas de capoeira para crianças, promovidas pelo Centro de Capoeira da UFRR.

A organização e curadoria da exposição contou com o apoio técnico do UNFPA.

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