2 de janeiro de 2018
publicado às 18h09
População questiona exploração de petróleo perto dos Corais da Amazônia

Corais da Amazonia

Durante audiências públicas da empresa BP, moradores do Pará e do Amapá se mostraram preocupados com o projeto de perfuração na Foz do Amazonas e com um possível vazamento de petróleo

“Na maioria dos grandes projetos que vêm para a Amazônia, são as empresas que ficam com os maiores lucros. É difícil que a população esteja satisfeita considerando que o projeto da BP visa o capital da própria empresa. E vemos que, em caso de um vazamento de petróleo, será muito difícil restaurar a vida marinha da região”. Foi assim que Lucilene de Souza, da comunidade de Colares, no Pará, descreveu seu sentimento sobre o projeto da britânica BP de explorar petróleo na bacia da foz do rio Amazonas.

Lucilene foi uma das cerca de 1.500 pessoas que participaram das audiências públicas que a BP e o Ibama realizaram entre os dias 9 e 13 de novembro em Belém, no Pará, e em Oiapoque e Macapá, no Amapá. Esses são municípios que serão impactados ou envolvidos de alguma forma pela busca ao petróleo, que a empresa planeja para 2018.

Nós do Greenpeace estivemos nas três audiências para levar questionamentos e a mensagem daqueles que são contra o projeto mas não puderam estar presentes. O bloco que a BP quer perfurar está próximo aos Corais da Amazônia, um ecossistema único no mundo e ainda pouco conhecido pela ciência.

O que vimos nas três cidades foi um mesmo cenário: cidadãos com muita ânsia em ser ouvidos, repletos de dúvidas sobre o que de bom a exploração de petróleo trará para eles e receios sobre o impacto de um possível de vazamento de petróleo. Mesmo as poucas pessoas que apoiavam o projeto pediam investimentos ou empregos para a região.

Quando Gilberto Iaparrá, cacique do Conselho Indígena do Oiapoque, falou ao microfone, mostrou preocupação de que um vazamento alcance o rio Uaçá, que banha sua terra indígena. “Vocês estão vindo aqui falar sobre a exploração de petróleo no nosso mar. E eu quero saber como ficarão nossos peixes e nossos caranguejos em caso de um vazamento. A gente se preocupa com o nosso meio ambiente porque é nele que vivemos, é onde vivem nossas crianças”, disse.

A resposta evasiva que os representantes da BP deram a ele e a todos que perguntaram sobre um possível vazamento foi a mesma: “Não há risco de o óleo chegar na costa”. Muitos moradores do Oiapoque, no entanto, alegam que o mar traz, sim, detritos da região onde estão os blocos. E esse conhecimento vem de gerações. Falhas no Estudo de Impacto ambiental como essa foram detalhadas em nossa publicação Amazônia em águas profundas.

Tanto em Macapá quanto em Oiapoque houve também quem questionasse a BP por querer buscar petróleo na costa do Amapá, mas usar Belém, no Pará, como base de operações. Nenhum emprego será gerado no Amapá. E serão poucos em Belém. O argumento da BP é que para essa fase inicial, o Amapá não tem estrutura suficiente para receber a empresa. Em Oiapoque, professores da rede municipal pediram várias vezes que a empresa, se quiser atuar na região, deve investir em educação ali.

Thiago Almeida, especialista em petróleo do Greenpeace Brasil, levantou o fato de que a BP insiste no plano de explorar petróleo na região, mesmo depois de sabermos que os blocos estão próximos aos Corais da Amazônia e em uma região onde vivem espécies de animais ameaçados de extinção e potenciais novas espécies, que ainda nem foram descobertas pela ciência. “Sabendo que a BP tem em seu currículo o pior derramamento de petróleo da história, e levando em conta o pouco conhecimento que temos sobre o bioma dos Corais da Amazônia, ainda assim a empresa acha que vale a pena seguir com esses planos? Isso sem mesmo saber o que existe lá? Se a gente não sabe o que existe lá e o tamanho da área, como podemos prever os impactos?”, questionou.

A resposta de Luís Pimenta, coordenador de respostas e emergência da BP, foi que a empresa aprendeu muito com o desastre no Golfo do México. Mas, para o Greenpeace, esse é o tipo de aprendizado que preferimos não arriscar a ter. “Em função do pouquíssimo conhecimento que se tem sobre o bioma e a região, quero pedir que seja adotado o princípio da precaução e que a BP fique longe da região e abandone seus planos”, disse Thiago.

Audiências públicas são bons termômetros para entendermos como a população está recebendo um projeto. E, de acordo com o que vimos em Belém, Oiapoque e Macapá, o povo não está convencido de que o petróleo na foz do Amazonas é um bom ou seguro negócio. Depois do povo dizer não, a Ciência dizer não, e mais de 1,3 milhão de pessoas dizerem não ao petróleo perto dos Corais da Amazônia, o que a BP está esperando para desistir de vez desses planos irresponsáveis?

Se você concorda, assine e compartilhe nossa petição. E vamos pressionar as petrolíferas a ficarem longe dos Corais da Amazônia.

 

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