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2 de janeiro de 2018
publicado às 19h21
Segunda Sem Carne gera grande polêmica em São Paulo

Segunda Sem Carne gera grande polêmica em São PauloDesde o dia 27 de dezembro, por ocasião da aprovação na Assembleia Legislativa de SP, tem gerado grande repercussão na mídia e polêmica nas redes sociais o Projeto de Lei 87/2016, do deputado estadual Feliciano Filho (PSC), que institui a “Segunda Sem Carne” em restaurantes, lanchonetes, bares, escolas, refeitórios e estabelecimentos similares que exerçam suas atividades dentro dos órgãos públicos do Estado e nas escolas da rede estadual de ensino.

Vale ressaltar que o PL não afeta a rede privada de bares e restaurantes, nem tão pouco os hospitais (mesmo sendo da rede pública), como algumas pessoas chegaram a pensar criando discussões calorosas no Facebook do deputado. De um lado, os vegetarianos e protetores de animais argumentando a importância de se ter um dia sem carne na semana, tanto por uma questão de conscientização quanto pela questão da saúde. Do outro lado, pessoas furiosas diziam que é um absurdo proibir o consumo de carne e soltando inúmeras ofensas e xingamentos.

Embora a Lei esteja sendo alvo de grande polêmica mesmo antes de ser sancionada pelo governador, a Segunda Sem Carne já é praticada em cidades de 44 países incluindo EUA, França, Itália, Austrália, Canadá, Dinamarca e Alemanha (vide lista completa aqui).

A campanha foi idealizada em 2003 pelo publicitário Sid Lerner, em associação com a Escola de Saúde Pública Johns Hopkins Bloomberg, dos EUA. Em maio de 2009, a cidade de Ghent, na Bélgica, também adotou a campanha e, no mesmo ano, Paul McCartney apresentou ao Reino Unido a Segunda Sem Carne ou “Meat Free Mondays”, o que deu força para que a campanha, ao longo dos anos, atingisse outros países. No Brasil a Segunda Sem Carne existe desde 2009 por meio do trabalho da Sociedade Vegetariana Brasileira que já conseguiu implantar a merenda vegetariana em escolas estaduais de 100 municípios de SP e em restaurantes da rede Bom Prato.

No site da campanha “Meat Free Mondays”, Paul McCartney diz: “Bilhões de animais são criados e mortos a cada ano. A maioria deles é criada em em gaiolas, galpões e engradados superlotados. Sem espaço para esticar membros ou asas e sem acesso à luz do dia ou ao ar fresco, esses animais ficam loucos, feridos e morrem devido às condições em que são mantidos. Os animais de criação são submetidos a mutilações, como ter seus bicos cortados, seus dentes arrancados e suas caudas amputadas para impedir que se machuquem mutuamente por conta do tédio e da frustração.

Terminam suas vidas com uma morte brutal no matadouro. Comer menos carne é um passo compassivo que ajuda a prevenir a crueldade e o sofrimento”.

“Quando apresentei meu projeto da Segunda Sem Carne, pensei justamente no quanto de sofrimento um ser vivo teve que passar para que aquele alimento chegasse até as pessoas. Um dia a menos de carne, só na rede Bom Prato, significa cerca de seis toneladas a menos, o equivalente a 30 vacas adultas. Se somarmos as escolas, quantas e quantas vidas não estaremos salvando, com um simples gesto?”, diz o deputado.

De acordo com a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), o setor pecuário é “um dos dois principais contribuintes mais importantes para os problemas ambientais mais sérios, em todas as escalas do local ao global”. A FAO estima que a produção pecuária é responsável por “14,5% das emissões globais de gases de efeito estufa”. Cientistas participantes do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) concordam que a quantidade de gases de efeito estufa na atmosfera deve ser reduzida em 80% até 2050 para evitar mudanças climáticas catastróficas.

Por conta da constatação dos cientistas, muitas das principais organizações de saúde do mundo, como a World Cancer Research Fund agora incentivam a redução da quantidade de carne consumida. Em 2010, um estudo realizado pelo departamento de saúde pública da Universidade de Oxford descobriu que comer carne não mais do que três vezes por semana poderia prevenir 31 mil mortes por doença cardíaca, 9 mil mortes por câncer e 5 mil mortes por acidentes vasculares cerebrais.

Além disso, cerca de 800 milhões de pessoas no planeta sofrem de fome ou desnutrição, enquanto uma quantidade de cereais que poderia alimentar três vezes esse número de pessoas é destinada ao gado, criação de porcos, galinhas e outros animais para consumo.

Veja o PL na íntegra clicando aqui.

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