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2 de maio de 2018
publicado às 20h04
Esperanza para o Amapá

Esperanza para o AmapáPor Warner Bento Filho

A proteção dos Corais da Amazônia e da costa do Amapá ganha novos aliados: um grupo de organizações ambientalistas, pesquisadores, órgãos de governos, pescadores artesanais, representantes de povos indígenas e parlamentares se reuniram nesse sábado (28), a bordo do navio Esperanza, no porto de Santana, no Amapá. A embarcação, cedida pelo Greenpeace para a missão científica que explora a região, recebeu o grupo para discutir a possibilidade de criação de mosaicos de unidades de conservação que contemplem importantes reservas para o meio ambiente e para a população amapaense.

O fundo do mar em frente à foz do Rio Amazonas, na costa do Amapá, onde se movem algumas das correntezas mais fortes do mundo, guarda imensos corais de formações únicas, ameaçados agora pela possibilidade de liberação da área para exploração de petróleo. A extensão dos corais, a cerca de 100 quilômetros da costa, que se acreditava chegar a cerca de 9,5 mil quilômetros quadrados, hoje é estimada em 56 mil hectares, o que torna a região detentora de um dos maiores recifes do mundo. Os pesquisadores já encontraram lá dezenas de espécies de corais, esponjas, peixes, lagostas e estrelas do mar. Muitas delas ocorrem também no Caribe, o que leva os pesquisadores a acreditarem que esse ambiente costeiro-marinho se estende pelo menos até lá.
Já a costa do Amapá, com aproximadamente 462 quilômetros de extensão, guarda imensa riqueza biológica, onde estão áreas sensíveis como o Parque Nacional do Cabo Orange, a Reserva Biológica do Lago Piratuba, a Estação Ecológica Maracá-Jipióca e a Reserva Biológica do Parazinho, na Ilha de Bailique. Quase toda a extensão é coberta por manguezais, berçários de inúmeras espécies. Essa formação é a maior área contínua de manguezais protegidos do mundo. É dessa região, também, que pescadores artesanais tiram o sustento para si e para suas famílias.

Aqui, as ameaças vão além da possibilidade de exploração de petróleo na região dos corais – especialistas dizem que eventual vazamento chegaria rapidamente à costa e que suas consequências seriam extremamente graves para a natureza e para as populações locais. Pescadores artesanais se sentem prejudicados por grandes barcos de pesca industrial que não respeitam os limites de captura na costa, sobreexplorando as reservas da região.

O objetivo do grupo reunido a bordo do navio Esperanza é encaminhar a criação de uma reserva extrativista marinha ao longo da costa e um mosaico de unidades de conservação conectando as áreas.
“Queremos uma área protegida para nós e para nossos filhos e netos. É questão de sobrevivência”, disse um dos líderes dos pescadores, Júlio Teixeira Garcia.

O WWF-Brasil, em parceria com outras organizações, como o Instituto de Pesquisa e Formação Indígena (Iepé) e o Greenpeace, vem ajudando as comunidades a encaminharem o processo de solicitação de criação da reserva extrativista e do mosaico de unidades de conservação na região. Estudos em fase de conclusão apontam para a viabilidade da iniciativa, com a participação direta dos pescadores e demais comunidades envolvidas.

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