30 de maio de 2018
publicado às 14h37
120 aves da Amazônia que existem no norte e noroeste do Mato Grosso

120 aves da Amazônia que existem no norte e noroeste do Mato GrossoPor Jorge Eduardo Dantas

Observadores de aves e pesquisadores de avifauna tem hoje uma nova fonte de informações para suas expedições: o WWF-Brasil, o Fórum Regional da Amazônia Mato-Grossense e o coletivo Roda de Passarinho estão lançando o Guia de Aves da Amazônia Mato-Grossense, um guia de bolso destinado a divulgar a rica diversidade de espécies existente na região norte e noroeste do estado do Mato Grosso – área de transição entre o Cerrado e a Amazônia.

Idealizado como um folheto para facilitar a identificação das espécies, o guia tem uma tiragem inicial de 1,5 mil exemplares. Ele traz fotos e informações de 121 aves possíveis de serem vistas naquela região. Ele traz ainda o nome popular da espécie, o nome científico, o nome em inglês e o tamanho dos pássaros.

Entre as aves exibidas no material estão o gavião-real (Harpia Harpyja); a arara-vermelha (Ara Macaw); o araçari-mulato (Pteroglossus beauharnaesii) e o mutum-de-penacho (Crax fasciolata). A maior parte das fotos é de Renato Rizzaro, do coletivo Roda de Passarinho; mas também constam na publicação fotografias de Edson Endrigo, Edson Lopes e Ester Ramirez.

O guia será distribuído em pontos estratégicos como hotéis e aeroportos da região e secretarias municipais de turismo. Além disso, parte da tiragem será destinada a escolas, para trabalhos de Educação Ambiental.

É possível conferir, na galeria ao lado, as fotos constantes no guia. Cópias impressas podem ser solicitadas por meio dos telefones (66) 98435-9935 ou (66) 99909-0871 ou erico_hb@yahoo.com.br.

Informação

O servidor do Departamento de Turismo e Cultura da cidade de Paranaíta (MT), Erico Helmut Balkat, é um dos responsáveis pelo Guia de Aves da Amazônia Mato-Grossense. Ele contou que a função deste material é servir como um instrumento de formação e informação.

“Apesar da grande quantidade de turistas que vem ao Mato Grosso para observar aves, precisamos gerar mais informação, ter mais conhecimento e ter mais mão-de-obra qualificada para atender a esta demanda. Queremos ajudar a resolver esses problemas”, explicou.

O noroeste do Mato Grosso é reconhecido internacionalmente como um dos grandes pólos do turismo de observação de aves do planeta. De acordo com a Prefeitura de Alta Floresta (MT), cerca de 75 mil pessoas saem todos os anos da capital do Mato Grosso, Cuiabá, rumo àquela região – boa parte deles, para o exercício de atividades ligadas ao turismo ecológico.

Biodiversidade

Segundo o Wikiaves – um grande catálogo on line de informações específicas para os “passarinheiros” – Alta Floresta é a segunda cidade do Brasil onde mais se registram aves: são ao menos 549 espécies possíveis de serem vistas ali. Outros quatro municípios do noroeste do Mato Grosso (Sinop, Aripuanã e Paranaíta) também estão no “top 10”, com respectivamente 506, 503 e 478 espécies de pássaros registradas.

Erico disse ainda que as 120 espécies constantes no livreto são uma “pequena amostra” da biodiversidade existente na Amazônia Mato-Grossense – que registra mais de 600 aves diferentes. Essas seis centenas de aves, por sua vez, correspondem a praticamente um terço das aves conhecidas em nosso País.

Beleza e liberdade

O fotógrafo e designer gráfico Renato Rizzaro é o responsável pelo projeto gráfico e pela edição do material. Ele contou que, por meio de seu coletivo Roda de Passarinho, já vem editando, desde 2010, guias de aves dos vários biomas brasileiros, como Caatinga, Pantanal, Mata Atlântica e Pampa.

“A gente utiliza a beleza, a liberdade e o canto das aves para passar a mensagem de que as aves sozinhas não vivem bem. Precisamos pensar sempre no contexto, no ambiente, na conectividade e na interdependência entre os elementos naturais”, disse Renato.

O analista de conservação do WWF-Brasil Osvaldo Gajardo contou que a organização não governamental busca estimular, desde 2013, o turismo sustentável nas áreas protegidas do norte e noroeste do Mato Grosso – como o Parque Nacional do Juruena.

“Esta região possui um potencial enorme para a observação de pássaros. Esta atividade, por sua vez, ajuda o turismo local, contribui com a valorização da floresta amazônica, gera benefícios locais e conserva a natureza”, contou o analista.

O WWF-Brasil trabalha no norte do Mato Grosso há mais de uma década, com o objetivo de conservar as riquezas naturais daquela região. A instituição ajudou na criação e implementação de diversas áreas protegidas – como o Parque Nacional do Juruena, o Mosaico do Apuí e o Mosaico da Amazônia Meridional (MAM); e também fez descobertas científicas importantes, como a de uma nova espécie de macaco em 2011 – o zogue-zogue-rabo-de-fogo (Plecturocebus miltoni). Cerca de 11,4 milhões de hectares de floresta amazônica vem sendo protegidos e conservados por meio deste trabalho.

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