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15 de agosto de 2018
publicado às 16h26
Instituições do Sul do Amazonas unem-se pelo desenvolvimento sustentável

Instituicoes do Sul do Amazonas unem-se pelo desenvolvimento sustentavelPor Jorge Eduardo Dantas

Mais de 50 atores sociais, representantes de mais de 20 instituições do governo, sociedade civil e iniciativa privada, deram um passo inédito e importante no sentido de organizar diversos segmentos sociais para a agenda socioambiental: foi criada e oficializada, em encontro ocorrido em Humaitá (AM) entre os dias 10 e 12 de julho, a Aliança para o Desenvolvimento Sustentável do Sul do Amazonas.   

Considerada a “última fronteira” de contenção do desmatamento, a região Sul do Amazonas consiste numa área de mais de 42,5 milhões de hectares, espalhada pelos municípios de Novo Aripuanã, Manicoré, Humaitá, Lábrea, Boca do Acre, Canutama, Tapauá, Apuí e Maués. Cerca de 319 mil pessoas vivem na região, tendo como base econômica a agropecuária e extrativismo. Cerca de 61% do território é formado por áreas protegidas.

A grilagem de terras, a invasão de áreas protegidas e a conversão da floresta em áreas abertas são alguns dos principais problemas ambientais da região. Entre 2008 e 2017, o Sul do Amazonas concentrou 67% do desmatamento e mais de 81% dos focos de calor do estado.

Troca de experiências

A Aliança será um fórum e um espaço de discussão onde os diferentes atores sociais vão trocar experiências, desenvolver ações conjuntas, encaminhar demandas comuns e aumentar sua representatividade junto aos centros de decisão.

Durante o encontro em Humaitá, foram definidas as diretrizes iniciais de funcionamento da iniciativa: foi formado um núcleo gestor – que se reúne em agosto para as primeiras deliberações; e grupos de trabalho, que vão discutir os temas considerados mais importantes pelos participantes: questões produtivas, setor florestal, infraestrutura, turismo, mineração e ordenamento territorial, ambiental e fundiário.

O evento de lançamento da Aliança em Humaitá teve ainda momentos de capacitação. Foram realizadas uma oficina sobre geoprocessamento, ministrada pelo Imazon; e outra sobre o Guia de Indicadores da Pecuária Sustentável (GIPS) e o Grupo de Trabalho pela Pecuária Sustentável (GTPS), ministrada pelo WWF-Brasil. Está agendado para novembro, um encontro para discutir ordenamento territorial, ambiental e fundiário.

“Voz positiva”

O representante do Conselho Municipal de Desenvolvimento Rural Sustentável de Apuí (CMDRS-Apuí), Milton Dal Bem, contou que uma proposta como a Aliança é um espaço importante: “Nesta discussão inicial, já tiramos diversos encaminhamentos e acho que a Aliança pode nos ajudar a permanecer firmes e pôr em prática os acordos”, afirmou.

Coordenador do Programa Amazônia do WWF-Brasil, Ricardo Mello afirmou que um dos objetivos da Aliança para o Desenvolvimento Sustentável do Sul do Amazonas é ajudar os atores sociais da região “a encontrar e estruturar sua voz”: “Queremos que seja uma voz local, positiva, coerente, propositiva, e que possa entrar no debate nacional”.

O WWF-Brasil trabalha no Sul do Amazonas há mais de uma década – mas tem concentrado suas atividades no município de Apuí e nas unidades de conservação do Mosaico da Amazônia Meridional (MAM).

Entre as diversas atividades realizadas na área, o WWF-Brasil vem desenvolvendo ações de articulação regional, implementação da agenda de turismo de base comunitária na comunidade da Barra de São Manoel e vem atuando também no fortalecimento da agenda florestal no Amazonas. Além disso, em 2017 publicou um estudo socioeconômico e ambiental sobre a região e, em parceria com outras instituições, recentemente instalou painéis de energia solar em duas comunidades ribeirinhas extrativistas.

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