12 de abril de 2019
publicado às 14h50
Precisa acabar a exclusão elétrica na Amazônia

Precisa acabar com a exclusao eletrica na AmazoniaExposições, debates e apresentações mostram que a energia solar já é uma realidade em muitas partes do Brasil. Região amazônica tem o maior déficit de acesso à eletricidade

Bruno Taitson, de Manaus (AM)

As comunidades que vivem nas reservas extrativistas (Resex) Ituxi e Médio Purus, no município de Lábrea (AM), já estão diminuindo a dependência em relação aos caros e ineficientes geradores a diesel, por meio da energia solar. Experiências como esta, compartilhadas na feira Energia & Comunidades, realizada entre 25 e 28 de março em Manaus, mostram que é possível reduzir o déficit energético no país por meio de fontes renováveis.

Segundo Alessandra Mathyas, analista de conservação do WWF-Brasil, para que as energias limpas se disseminem em regiões remotas e isoladas, é necessário solucionar alguns gargalos relativos a acesso a crédito e capacitação de mão de obra local para instalação e manutenção dos sistemas solares.

“Temos que criar um programa estruturante de fomento às energias renováveis nas comunidades, não apenas no âmbito do Governo Federal, mas também no nível dos estados e municípios. É preciso acabar com a exclusão elétrica na Amazônia”, afirmou Alessandra.

O projeto Resex Solar, liderado pelo WWF-Brasil, a partir de financiamento da fundação norte-americana Mott, viabilizou a instalação de 20 sistemas solares em comunidades de Lábrea, ao longo do rio Purus. O projeto também treinou 40 jovens da região na instalação e na manutenção de sistemas de energia solar, o que viabiliza a estabilidade da oferta de energia e cria oportunidades de emprego e renda.

O jovem Leude Santos, morador da Resex Ituxi, foi capacitado pelo projeto e participou da instalação dos sistemas solares em sua comunidade. Os benefícios já estão evidentes para todos os moradores. “Antes o açaí estragava, pois com o gerador a diesel a energia é interrompida toda hora. Agora conseguimos armazenar por mais tempo e também produzir gelo, transportar para a cidade e vender lá. Conseguimos também fazer funcionar permanentemente o mini-laboratório que faz o exame da malária”, descreveu Leude.

Damião Lima, jovem morador da Reserva Extrativista Médio Purus, também participou dos cursos oferecidos por meio do projeto Resex Solar. A comunidade optou pela instalação dos sistemas solares na escola de ensino fundamental e médio. “A situação está 100% melhor. A energia solar é mais barata e mais eficaz que o diesel e a gasolina”, resumiu.

Um dos desafios à disseminação da energia solar no país é a criação de uma política nacional voltada para o tema, contemplando incentivos fiscais, acesso a crédito não apenas por grandes empresas, mas também por municípios, associações e comunidades. Assim, os exemplos de sucesso expostos durante a feira Energia & Comunidades, como as experiências em terras indígenas, unidades de conservação e comunidades isoladas, poderão se espalhar pelo país, rompendo as fronteiras dos projetos-pilotos capitaneados por organizações da sociedade civil.

A feira Energia & Comunidades atraiu empresas do setor de energia renovável, prefeitos, parlamentares, organizações não-governamentais, lideranças quilombolas, indígenas e comunitárias, pesquisadores, cientistas, representantes de bancos, instituições financeiras e bancos, para trocar experiências, apresentar projetos e casos de sucesso, bem como desafios e obstáculos à construção de uma matriz energética mais limpa.

Compartilhar
Notícias Relacionadas
Comentários 
0
Escreva um comentário

Portal da Amazônia Legal © Todos direitos reservados 2014