Tres meses de venenoLiberação de agrotóxicos em ritmo inédito mantém país na trilha do veneno

Em menos de 100 dias do novo governo, a liberação de agrotóxicos já têm espaço garantido e inédito no executivo brasileiro. Até o momento, 121 novos produtos foram aprovados e 241 novos pedidos de registro acatados. Apesar de se apoiar em um discurso de que o setor busca modernidade e priorização da segurança, os fatos mostram o contrário: cerca de 41% dos novos produtos são classificados como altamente ou extremamente tóxicos.

Em apenas 3 meses, o governo Bolsonaro libera mais agrotóxicos do que qualquer outro na última década, como mostra a comparação abaixo apurada pelo Greenpeace:

Apesar de pouca novidade no cardápio dos novos produtos, ele é vasto, bem como os impactos que pode causar. Há novos produtos contendo glifosato, que segue como o veneno mais utilizado no país e que tem sido ligado à casos de câncer na Corte Americana. O glufosinato de amônio também é um dos ingredientes presentes em alguns dos novos produtos e e em alguns países é considerado como tóxico para reprodução humana.

Atrazina e acefato, que são banidos na Europa, também estão entre as autorizações – o primeiro foi associado a impactos no sistema reprodutivo em população de sapos, e o segundo foi associado à impactos na fertilidade masculina. Ingredientes que podem ameaçar as abelhas, como o Sulfoxaflor, Fipronil e neonicotinóides, também fazem parte do pacote.

Nomear como Ministra da Agricultura Tereza Cristina, antiga presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária, membro da Bancada Ruralista e conhecida como “musa do veneno” por ter liderado a aprovação do chamado Pacote do Veneno (PL nº 6.299/2002) na Comissão Especial da Câmara dos Deputados, mostra que o novo governo fez sua escolha: envenenar mais ainda o Brasil e nos deixar cada vez mais distantes de uma agricultura mais saudável e sustentável para as pessoas e para o país, como provam os números.

Ao invés de intoxicar ainda mais a população brasileira, o governo deveria ouvi-la. Em 2018, a sociedade se mobilizou contra o Pacote do Veneno. Com a impopularidade do projeto, a hoje ministra da Agricultura tem encontrado outros caminhos, via Poder Executivo, para enfiar goela abaixo o PL, repartindo-o em “pílulas”. Atualmente, são mais de 1,5 milhão de pessoas dizendo não ao PL e apoiando a Política Nacional de Redução dos Agrotóxicos (PNaRA, PL nº 6.670/2016). A PNaRA, que também tramita na casa, pode ser entendida como um primeiro passo de uma transição para uma agricultura mais saudável, diminuindo a quantidade de veneno no campo de forma gradual e responsável, promovendo uma agricultura mais justa pra quem planta e para quem consome e democratizando o acesso à alimentação saudável.

#ChegaDeAgrotóxicos