20 de abril de 2019
publicado às 15h46
Após seca severa em 2017, estudo dá oito soluções para crise hídrica

Apos seca severa em 2017 estudo oito solucoes para crise hidricaEngenheiro florestal Rafael Pinheiro analisou período crítico de seca em 2017 e as políticas de gestão da água no município do interior do estado.

Um estudo feito pelo engenheiro florestal Rafael Pinheiro analisou a crise hídrica no município do Bujari, no interior do Acre, e deu oito soluções práticas e efetivas para lidar com a gestão da água na cidade.

Em seu trabalho de conclusão do curso na Universidade Federal do Acre (Ufac), o pesquisador defendeu a necessidade de ampliar a capacidade do único reservatório que abastece o Bujari, que é o Igarapé Redenção, e da implantação de ações de conscientização sobre o desperdício de água.

Morador do Bujari, Pinheiro sentiu na pele a falta de água durante uma seca severa que atingiu a cidade em setembro 2017. Na época, o reservatório que abastece o município ficou seco e a população enfrentou uma das maiores crises hídricas da história.

“Meu estudo buscou levantar informações do porquê que aconteceu esse grande problema em 2017. Baseado no que foi levantado, fiz alguns apontamentos do que deveria ser feito em termos de manejo de bacia hidrográfica e abastecimento urbano. Então, pontuei oito coisas que achei interessante para resolver o problema”, disse Pinheiro.

Soluções propostas

Entre as soluções está a recuperação da vegetação das Áreas de Preservação Permanente (APP) para estabilizar as margens do igarapé e aumentar a infiltração e armazenamento de água do local, além do monitoramento e regulação das vazões do igarapé.

“Um dos principais gargalos que encontrei durante o estudo é a falta de informações sobre o igarapé e o reservatório, além do abastecimento urbano. Por isso, as sugestões são muito pautadas na parte de gestão e de monitoramento”, afirmou o engenheiro.

A terceira medida proposta é o monitoramento das chuvas locais, já que produção hídrica do igarapé é muito pequena e a maior parte da água usada na cidade é a armazenada da chuva. A quarta é o aumento do reservatório e, em seguida, o monitoramento do volume de água armazenado no reservatório.

O sexto apontamento do pesquisador é o combate do desperdício na distribuição de água e como sétima proposta vem as campanhas de conscientização da população sobre o uso racional da água. Por fim, a elaboração do Plano de Manejo Integrado da bacia hidrográfica do Igarapé Redenção.

Elevação da represa

O gerente-geral do Departamento Estadual de Pavimentação e Saneamento do Acre (Depasa) no Bujari, Cláudio Ramos, afirmou que o órgão tem feito alguns trabalhos para tentar evitar que uma nova seca afete o abastecimento da cidade. Segundo ele, no ano passado o reservatório não chegou a secar por conta de um racionamento que foi feito.

“Já estamos efetuando esse trabalho para que a gente não venha passar aquele colapso de 2017. Iniciamos a subida de 60 centímetros da barragem de contenção da comporta da represa, onde a gente vai ter um acúmulo maior de água. Ou seja, se nós tivermos mais água na represa, vamos tratar mais e colocar mais água no reservatório para fazer a distribuição na cidade”, disse Ramos.

Seca severa

A cidade de Bujari passou por uma das piores crises hídricas durante a estiagem de 2017. Ao todo, oito carros-pipa foram usados para abastecer a cidade de forma emergencial.

A medida foi tomada em setembro do ano passado porque o reservatório da cidade não possuía mais água suficiente para atender a população de 9.684 habitantes.

Os caminhões eram abastecidos na Estação de Tratamento de Água de Rio Branco (ETA 2) e cada um tinha capacidade de levar 20 mil litros. O percurso até a cidade era de 22 km.

Situação de emergência

em outubro de 2017, o Ministério da Integração Nacional autorizou o repasse de R$ 420 mil para garantir o abastecimento em cidades que enfrentam a estiagem no Acre desde agosto do mesmo ano.

O valor deveria ser usado para amenizar as consequências da seca no estado sendo aplicado para abastecer a população por meio de carros-pipa em bairros de Rio Branco, Brasileia e Porto Acre.

Investigação MP-AC

Em outubro de 2018, o Ministério Público do Acre (MP-AC) abriu um procedimento preparatório para apurar o serviço de fornecimento e a qualidade da água distribuída aos moradores do município do Bujari.

A portaria determinando o acompanhando da situação no município foi publicada no Diário Eletrônico do MP-AC. O documento destaca que a intenção é acompanhar o abastecimento ininterruptamente antes da chegada do verão, quando fica mais difícil a manutenção e fornecimento de água.

Compartilhar
Comentários 
0
Escreva um comentário

Portal da Amazônia Legal © Todos direitos reservados 2014