20 de abril de 2019
publicado às 15h12
Estudo com meio milhão de pessoas reafirma que carne processada eleva risco de câncer

Estudo carne processada risco cancerPesquisa mostra que mesmo quantidades pequenas de carne processada podem aumentar risco de desenvolver a doença.

Um novo estudo realizado na Universidade de Oxford, na Inglaterra, reafirmou que carne  processada é cancerígena. Em 2015, a Organização Mundial da Saúde (OMS) já havia emitido um alerta com o mesmo teor (relembre aqui) e o estudo de Oxford reforça o aviso à população.

Mesmo pequenas quantidades diárias como uma fina fatia de bacon, uma salsicha, uma fatia de presunto, algumas rodelas de salame ou uma linguiça já aumentam significativamente o risco de desenvolvimento de câncer de intestino, o chamado câncer colorretal. Esses são apenas exemplos, qualquer carne vermelha processada entra nesse alerta.

Além dos riscos de câncer inerentes ao consumo de carne vermelha in natura já apontados anteriormente pela OMS, que a classifica no Grupo 2 de risco de câncer, as carnes vermelhas processadas agregam ainda mais riscos devido aos processos de produção que alongam seu prazo de validade. A OMS coloca esse tipo de produto no Grupo 1 de risco de câncer, o mais elevado, o mesmo grupo onde estão os cigarros e os pesticidas.

O novo estudo analisou dados de quase meio milhão de britânicos e foi destaque na BBC de Londres (veja aqui)  no dia 17 de abril. Se você preferir ler o estudo original, em inglês, vá até o site do International Journal of Epidemiology, ligado à Universidade de Oxford (acesse aqui o estudo original).

 

Mesmo o consumo de quantidades pequenas de carne vermelha e processada – como uma fatia de bacon por dia – pode aumentar o risco de câncer de intestino.

É o que mostra uma pesquisa recente da Universidade de Oxford, no Reino Unido, financiada pela Cancer Research UK, organização britânica dedicada a combater a doença.

O estudo reforça as evidências de que a ingestão de carne vermelha e processada pode ser prejudicial à saúde, conforme alerta a Organização Mundial de Saúde (OMS).

Mas qual é exatamente o tamanho do risco? E o que configura o consumo excessivo? Confira abaixo o que você precisa saber:

O que o estudo encontrou

Os pesquisadores analisaram informações de quase meio milhão de pessoas cadastradas no UK Biobank, banco de dados de saúde do Reino Unido.

Em seis anos de estudo, eles descobriram que 2.609 participantes desenvolveram câncer de intestino.

Eles identificaram que:

  1. Comer três fatias de bacon por dia, em vez de apenas uma, pode aumentar o risco de câncer de intestino em 20%.
  2. Para cada 10 mil pessoas que consumiram 21g por dia de carne vermelha e processada, 40 foram diagnosticadas com câncer de intestino.
  3. O valor comparativo para aqueles que ingeriram 76g, foi de 48 casos.

De acordo com o sistema de saúde público do Reino Unido (NHS, na sigla em inglês), uma fatia de presunto ou bacon tem cerca de 23g de carne processada.

O que é comer demais?

Não está claro. A Cancer Research UK afirma que 5,4 mil dos 41.804 casos de câncer de intestino registrados a cada ano no Reino Unido podem ser evitados se as pessoas não comerem carne processada de maneira alguma.

A Public Health England, agência vinculada ao serviço de saúde britânico, constatou, a partir de seus levantamentos, que muita gente come carne vermelha e processada em excesso.

Os especialistas aconselham quem consome grandes quantidades a encontrar maneiras de reduzir.

De acordo com o Departamento de Saúde, quem come mais de 90g por dia deve diminuir para 70g.

O que torna arriscado?

A carne processada – incluindo bacon, salsichas e salame – é modificada para estender seu prazo de validade ou alterar o sabor. Os principais métodos para isso são defumar, curar, adicionar sal ou conservantes.

Acredita-se que as substâncias químicas envolvidas nestes processos estejam aumentando o risco de câncer. O preparo de alimentos em alta temperatura, como nos churrascos, também pode gerar substâncias químicas cancerígenas.

Quando se trata de carne vermelha, como de vaca, cordeiro e porco, há indícios de que uma das proteínas (responsável pela coloração vermelha) pode danificar o intestino ao ser quebrada.

Mas os especialistas ainda estão tentando entender completamente esta associação.

O que dizem os especialistas?

O professor Gunter Kuhnle, da Universidade de Reading, no Reino Unido, descreveu o estudo como uma análise bastante minuciosa da relação entre o consumo de carne e câncer de intestino (também conhecido como colorretal).

“O aumento de aproximadamente 20% no risco pelo acréscimo de 50g no consumo de carne vermelha e processada está de acordo com o que foi relatado anteriormente e confirma essas descobertas.”

“O estudo também mostra que a fibra alimentar reduz o risco de câncer colorretal. Um aumento no consumo de fibras, como mostrado neste estudo, seria consideravelmente mais benéfico”, destaca.

“Uma série de fatores de estilo de vida têm um impacto significativo no risco de câncer de intestino, principalmente idade, genética, falta de fibra alimentar, sedentarismo e alto consumo de álcool”, pondera.

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