28 de maio de 2019
publicado às 19h36
Brasil não adere ao acordo internacional para o combate à poluição plástica

Sea Turtle and Plastic Bag, Similan Islands, Thailand.

Um acordo que ajuda a reduzir a poluição plástica foi assinado por 187 países na semana passada durante a COP-14. O Brasil, juntamente com o Estados Unidos e Argentina foram contrários à decisão. A COP-14, realizada em Genebra, na Suíça, foi um evento realizado pela Organização das Nações Unidas (ONU) e reuniu representantes de mais de 190 países. Não por acaso, Brasil e Estados Unidos ocupam a posição de destaque no G7 do Plástico, os sete paíse que mais produzem plástico no mundo, segundo o estudo “Solucionar a Poluição Plástica: Transparência e Responsabilização” publicado recentemente pelo WWF.

Durante o evento, decidiu-se fortalecer as regras e aumentar a transparência sobre o comércio internacional de lixo plástico. A decisão foi tomada após propostas da Noruega, UE e China para listar os resíduos de plástico como um material que requer consideração especial para ser comercializado entre países. A decisão final exige que a maioria das misturas de resíduos de plástico contaminados tenham o consentimento prévio dos países receptores antes de serem comercializados, com as exceções notáveis de misturas de polietileno (PE), polipropileno (PP) e polietileno tereftalato (PET).

O acordo foi recebido com aplausos na sala do plenário e considerado um avanço histórico e inovador sobre um problema transfronteiriço, de proporções globais. O Brasil, apesar de ter anunciado o Plano Nacional de Combate ao Lixo no Mar, segue mais uma vez na contramão dos acordos globais para o meio ambiente a as mudanças climáticas ao votar contra o acordo internacional, mostrando incoerência entre o discurso e a prática.
A poluição por plásticos em ecossistemas marinhos é um problema global urgente, com impactos adversos na economia, saúde humana e no meio ambiente.

Os números são impressionantes: desde 2000, o mundo já produziu mais plástico do que todos os anos anteriores somados.–ou um aumento de 200 vezes desde 1950 (Geyer, et al, 2017). 75% de todo o plástico já produzido já foi desperdiçado (Silpa Kaza, et al, 2018). Cerca de oito milhões de toneladas de resíduos de plástico mal geridos chegam aos oceanos do mundo todos os anos (Jambeck, et al, 2015). A poluição plástica marinha tornou-se um dos maiores problemas ambientais do nosso tempo.

A decisão da COP-14 é um passo muito importante para corrigir o desequilíbrio entre o uso, o descarte e o reuso do plástico e restaurar uma medida de responsabilidade para o sistema global de gerenciamento de resíduos plásticos. No entanto, isso só faz parte do caminho. O que nós – e o planeta – precisamos é de um tratado abrangente para enfrentar a crise global do plástico. O comprometimento dos países através dos acordos globais é o primeiro passo para isso.

A Rede WWF está pedindo aos países que concordem urgentemente com um tratado global legalmente vinculante que abranja todas as etapas do ciclo de vida do plástico e assegure que os governos, as empresas e os indivíduos sejam totalmente responsabilizados pelo plástico que eles produzem, consomem e descartam. Mais de 460 mil pessoas em todo o mundo assinaram a petição. Faça parte da solução e assine também: plastico.wwf.org.br

Fonte: WWF Brasil

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