2 de julho de 2019
publicado às 15h11
Desmatamento na Amazônia em junho é o pior desde 2016

Desmatamento na Amazonia em junho o pior

Sistema do governo que faz alertas de desmatamento registra derrubada de 769 km² de florestas. Especialista lembra que desmatamento aumenta no período de seca a partir de maio e junho.

Um sistema mantido pelo governo federal para fiscalizar alertas de focos de desmatamento no Brasil mostra que o índice de desmatamento relativo a junho de 2019 é o segundo maior já registrado pelo sistema, e só perde para junho de 2016.

O território da Amazônia Legal desmatado chegou a 769 km² entre 1º e 28 de junho, segundo dados atualizados do sistema Terra Brasilis, do Inpe. Os números disponíveis no começo da tarde desta terça-feira (2) ainda não consideravam os dados de sábado (29) e domingo (30). No mês anterior, o desmatamento foi de 735 km². Em junho de 2016, o desmatamento foi de 951 km².

Os dados acima excluem a perda de vegetação causada por fatores como incêndios florestais e exploração comercial de florestas plantadas. Se consideradas todas as categorias, o desmatamento em junho de 2019 chegaria a 1,7 mil km², sendo que em 2016 ele foi de 6,8 mil km².

Período de desmatamento

Segundo Carlos Rittl, diretor-executivo do Observatório do Clima, todos os anos o desmatamento se intensifica a partir de maio, quando o nível de chuva diminui na maior parte do país. Os dados indicam, segundo ele, que a abertura desta “temporada de seca” foi pior do que o ano anterior.

O Terra Brasilis foi criado em 2015 pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Ele é alimentado com dados do Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter), um “sistema de alerta para dar suporte à fiscalização e controle de desmatamento e da degradação florestal” ao Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (Ibama).

Porém, o dado não é a única fonte para medir o território desmatado: precisa ser analisado junto a outras fontes de informação sobre o desmatamento.

De acordo com Cláudio Almeida, coordenador do Programa de Monitoramento da Amazônia do INPE, mais de 10 mil alertas são enviados todo aos órgãos de fiscalização federais e estaduais. “Não faltam alertas. Os órgãos de fiscalização têm alertas suficientes para fazer seu trabalho”, disse ao Jornal Hoje.

Metodologias

Os dados compilados no sistema Terra Brasilis não têm o foco de consolidar o desmatamento no bioma da mesma forma que é feito, por exemplo, pelo sistema do MapBiomas – mantido por entidades – ou do Programa de Monitoramento da Floresta Amazônica Brasileira por Satélite (Prodes).

O MapBiomas reúne informações coletadas ao longo de todo o ano e faz a limpeza e verificação dos dados, eliminando por exemplo nuvens e outras possíveis interferências para apresentar o dado consolidado do ano anterior. Tomando como base o Deter, que também é usado pelo Terra Brasilis, o MapBiomas também lançou recentemente um sistema de alertas de desmatamento que promete ajudar na aplicação de multas.

Pressão internacional

Os dados do desmatamento ganham destaque após o compromisso do Brasil com a preservação ambiental ser questionado por líderes europeus. Primeiro, dias antes da reunião do G20, a chanceler alemã, Angela Merkel, disse que queria “discussão clara” com Bolsonaro sobre desmatamento.

E nesta terça-feira, o ministro francês do Meio Ambiente, François de Rugy, afirmou que o tratado UE-Mercosul “só será ratificado se o Brasil respeitar os seus compromissos“, especialmente em relação à luta contra o desmatamento da Amazônia.

Fonte: G1

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