2 de julho de 2019
publicado às 15h46
Hortaliças e ervas são alternativas para tratamento de pacientes no Amapá
Baseada no conhecimento tradicional e voltada para curar e prevenir doenças, uma ‘Farmácia viva’ é cultivada no Centro de Referência em Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (Cerpis) do Amapá, localizado no Centro de Macapá. As variadas espécies de hortaliças e ervas são usadas para curar e prevenir doenças como artrite, dores em geral, hipertensão, diabetes, entre outras.

Os canteiros ficam logo na entrada do prédio, nos pátios laterais. Em quatro deles são cultivadas plantas como ora-pro-nobis, capim marinho, moringa, babosa, pariri, mucuracaá, manjericão, boldos, hortelanzinho, hortelã grande, vick, orégano, sene, erva-cidreira e alfavaca.

Nas mãos de profissionais que trabalham no espaço, essas plantas são transformadas em medicamentos naturais na forma de chás, guentos, xaropes e cataplasmas. A Marineide Vieira, de 67 anos, é quem cultiva as ervas, junto com uma equipe de funcionários e também voluntários. Ela é técnica em enfermagem e em patologia clínica, mas deixou de atuar nas profissões ao se identificar com anaturopatia”, área em que se especializou.

“Sou técnica em enfermagem e em patologia clínica e isso foi o que me fez ter medo de remédio, por descobrir o mal que eles causam. Foi quando eu passei a tratar tudo com remédios da natureza. Meu conhecimento é em naturopatia, aprendizado que adquiri na Pastoral da Criança, onde aprendi a fazer pomadas, guentos, xaropes. Aqui a gente faz chás para todos os mais de 2 mil pacientes que temos, além de outras curas naturais”, conta.

Quem também acredita no poder curativo das plantas é a aposentada Evandrina Vieira Ferreira, de 81 anos. Há mais de dez anos ela sofreu um acidente de trânsito que a deixou por seis anos sem andar, condição que mudou após ela iniciar tratamento no Cerpis.

“Os médicos me passaram muitos remédios e eu comecei a inchar. Parei de tomar e vim procurar o Centro por indicação. Após eu receber todos os tratamentos que o centro dispõe: fisioterapia, terapia, acupuntura e mais o auxílio das plantas nas formas de detóx e plastos medicinais, foi quando comecei a ter progresso na cura e voltar a andar. Sou muito grata e amo esse lugar, tanto que virei voluntária”, relata a paciente.

Evandrina é uma das colaboradoras da Marineide. A usuária ainda conta que chegou a gastar R$ 5 mil por mês em remédios, na época do tratamento convencional. Agora, os gastos giram em torno de R$ 100.

Quem também virou voluntário foi o motorista José Antônio Gomes da Silva, 52 anos. Ele é funcionário do Cerpis e contribui com o cultivo das hortaliças. Existem dois canteiros próprios para os exemplares. Ele se orgulha em dizer que plantou cada muda de salsa, coentro, açafrão, couve, cebolinha e chicória. Esses espaços surgiram há dois anos, construídos pelo próprio José.

“Faz dois anos que eu vim pra cá. No primeiro dia que eu cheguei vi as estruturas em madeira da horta parada, o doutor Monteiro me disse que tinha vontade de fazer uma horta pra dar pros pacientes suco verde. Como eu sou de área rural, tenho plantações, pedi para ele para eu assumir aqui. Compraram o adubo, a terra, entrei com algumas mudas que eu tinha e o suco verde começou a virar realidade”, lembra.

Além do suco verde, toda quinta-feira os pacientes que estão em tratamento no dia provam da refeição que a equipe da Marineide faz com as hostaliças cultivadas na “Farmácia Viva”. Ver o fruto do trabalho, para o motorista, é renovador.

“É gratificante porque é uma coisa que eu gosto, tá mexendo com a terra, cultivando. É uma terapia para mim e ainda ajudo a curar pessoas. Os pacientes ajudam também. A gente faz uma troca, eles trazem mudas novas também e ainda ganham uma massagem relaxante”, completa.

O diretor da unidade de saúde, Elziwaldo Monteiro, diz não ter dúvidas de que as plantas trazem benefícios ao organismo.

“Criei o CRTN em 2003, que depois virou Cerpis, em 2015. O espaço é uma alternativa aos tratamentos convencionais. As ervas e hortaliças diminuem as doenças, também as provocadas por medicamentos alopáticos e garante o equilíbrio da mente e do corpo”, explica.

Mas o uso de plantas como medicamento para o bem-estar e cura dos pacientes que buscam o Cerpis é apenas uma parte dos tratamentos oferecidos no centro, que disponibiliza mais de 50 procedimentos, entre acupunturas, massagem terapêutica, meditação, biodança, terapias, fisioterapia integrada, cuidados com a coluna, procedimento holístico e outros.

Atualmente, mais de 2, 6 mil pacientes são tratados no Cerpis, contando com crianças, adolescentes, adultos e principalmente idosos . Em três anos de funcionamento, o espaço já realizou mais de 219 mil procedimentos.

Para se cadastrar, o diretor explica que não é necessário ter encaminhamento médico. Basta procurar a administração, no prédio que fica na Avenida FAB, nº 849, Centro de Macapá, participar de uma palestra, passar por avaliação e aguardar a vez, que será agendada.

Práticas Integrativas e Complementares em Saúde

Tratam pacientes com acupuntura, meditação, homeopatia e outras terapias. Qualquer pessoa pode ter acesso às terapias.

Esse tipo de procedimento faz parte do Sistema Único de Saúde (SUS) desde 2006, através da Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares. No Amapá, a unidade pertence ao quadro do governo do estado.

De acordo com o Ministério da Saúde, os procedimentos referentes a essas práticas registrados no SUS entre 2017 e 2018, mais do que dobraram, passando de 157 mil para 355 mil, um aumento de mais de 126%.

Fonte: G1

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