24 de julho de 2019
publicado às 15h38
Tocantins firma cooperação para proteção das espécies ameaçadas

Tocantins firma cooperacao para protecao das especies ameacadas

O Instituto Natureza do Tocantins (Naturatins) aderiu nesta quarta-feira, 24, ao Acordo de Cooperação Técnica com o WWF-Brasil. O Termo regulamenta as ações que serão desenvolvidas por meio do projeto da Estratégia Nacional para Conservação de Espécies Ameaçadas de Extinção (GEF Pró-Espécies) no Estado e envolve 26 municípios tocantinenses.

Com recursos do Fundo Mundial para o Meio Ambiente (GEF, sigla em inglês do Global Environment Facility Trust Fund); a iniciativa tem o intuito de reduzir as ameaças e promover o fortalecimento da conservação das espécies, em pelo menos 12 áreas-chaves de 13 estados brasileiros, entre esses; Amazonas, Pará, Maranhão, Tocantins, Bahia, Goiás, Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul.

“A cooperação formaliza o compromisso do Tocantins com a proposta apresentada na reunião do GEF Pró-Espécies do Ministério do Meio Ambiente aos órgãos ambientais brasileiros envolvidos. As equipes aguardam a definição da agenda para o início da próxima etapa, em que está prevista a elaboração do Plano de Ação dos territórios prioritários”, afirma Marcelo Falcão, presidente do Naturatins.

O doutor em Limnologia e biólogo do Naturatins, Oscar Vitorino Jr. destaca os três objetivos do GEF Pró-Espécies. “Essa iniciativa têm o objetivo de integrar a conservação de espécies ameaçadas em políticas setoriais; combater a caça, a pesca, a extração ilegal de espécies silvestres; e produzir alerta e detecção precoce de espécies exóticas invasoras. Com isso o Projeto busca minimizar os impactos sobre as espécies ameaçadas do Brasil, que não estão em áreas de proteção integral”, pontuou.

No Brasil, o GEF Pró-Espécies abrangerá um total de nove milhões de hectares, sob a perspectiva de efeito cascata, com foco em 290 espécies que beneficiarão centenas de outras espécies ameaçadas como o pato-mergulhão (Mergus octosetaceus). A expectativa é que até 2022 sejam tomadas medidas para proteção de todas as espécies ameaçadas do País.

No Tocantins

O projeto incorpora dois territórios prioritários para as ações do GEF Pró-Espécies. O primeiro, denominado Amazônia Marabá, engloba 24 municípios nos estados do Pará, Maranhão e Tocantins.  Entre esses, 11 municípios estão em solo tocantinense (Araguatins, Augustinópolis, Buriti, Carrasco Bonito, Luzinópolis, Maurilândia, Praia Norte, Sampaio, São Miguel, Sítio Novo e Tocantinópolis), onde foram identificadas durante a avaliação nacional, quatro espécies Criticamente Ameaçadas (CR), sete espécies Ameaçadas (EN) e 39 espécies Vulneráveis à extinção (VU).

Já o território Cerrado Tocantins inserido totalmente no estado inclui 15 municípios (Barrolândia, Chapada da Natividade, Dianópolis, Miracema, Natividade, Nova Rosalândia, Novo Jardim, Oliveira de Fátima, Paraíso, Ponte Alta do Bom Jesus, Porto Nacional, Pugmil, São Valério, Taipas e Tocantínia). Nesses foram observadas 10 espécies Criticamente Ameaçadas (CR), 13 espécies Ameaçadas (EN) e 42 espécies Vulneráveis à extinção (VU), incluindo a centopeia (Scolopendropsis duplicata) descoberta em 2008 e que somente ocorre às margens do Ribeirão Santa Luzia, na região da APA Lago de Palmas.

WWF-Brasil

O WWF-Brasil é uma organização da sociedade civil brasileira, de natureza não-governamental e constituída como associação civil sem fins lucrativos que trabalha para mudar a atual trajetória de degradação ambiental e promover um futuro onde sociedade e natureza vivam em harmonia. Criado em 1996, o WWF-Brasil mantém 137 funcionários atuando em 67 projetos na Amazônia, Cerrado, Pantanal, Mata Atlântica e Caatinga, além dos ecossistemas marinhos, na costa brasileira.

Pato-mergulhão

O pato-mergulhão de nome científico (Mergus octosetaceus) é considerado uma ave endêmica do Brasil, sendo uma das 10 aves aquáticas mais raras e ameaçadas de extinção do mundo, excepcionalmente vulnerável a degradação dos ambientes naturais.

Centopeia

A centopeia, de nome científico (Scolopendropsis duplicata), foi descoberta no Tocantins em 2008, com quase o dobro do número de pares de pernas encontrado em espécies relacionadas, foram identificadas 39 ou 43 pares de patas. Com a variabilidade no número de pernas desconhecida, os cientistas passaram a repensar a evolução da segmentação das centopeias.

Limnologia

A limnologia é a especialidade da biologia que estuda as águas interiores, independentemente de suas origens, mas verificando as dimensões e concentração de sais, em relação aos fluxos de matéria e energia e as suas comunidades bióticas. ( Cleide Veloso/Governo do Tocantins)

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