30 de julho de 2019
publicado às 09h34
Conselho das aldeias Wajãpi se manifesta sobre assassinato de cacique
Conselho das aldeias Wajapi se manifesta sobre assassinato de cacique
Nota esclarece sobre morte de Cacique Emyra Wajãpi na segunda-feira (22/7). Desde então, grupos de não indígenas têm ameaçado o povo wajãpi dentro de seu território.

O Conselho das Aldeias Wajãpi (Apina), no Amapá, no  publicou neste domingo (28/7) uma nota esclarecendo as circunstâncias do assassinato do cacique Emyra Wajãpi na Terra Indígena Waiãpi. Segundo o documento, o crime ocorreu na segunda-feira (22/7) e o corpo foi encontrado por outros indígenas no dia seguinte. A Apina aponta ainda que a Terra Indígena foi invadida por não indígenas, que têm ameaçado os Wajãpi. A Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab) também manifestou sobre o episódio. Leia aqui.

Leia a nota da Apina na íntegra:

NOTA DO APINA SOBRE A INVASÃO DA TERRA INDÍGENA WAJÃPI

Nós do Conselho das Aldeias Wajãpi – Apina queremos divulgar as informações que temos até agora sobre a invasão da Terra Indígena Wajãpi.

2ª feira, dia 22/07, no final da tarde, o chefe Emyra Wajãpi foi morto de forma violenta na região da sua aldeia Waseity, próxima à aldeia Mariry. A morte não foi testemunhada por nenhum Wajãpi e só foi percebida e divulgada para todas as aldeias na manhã do dia seguinte (3ª feira, dia 23). Nos dias seguintes, parentes examinaram o local e encontraram rastros e outros sinais de que a morte foi causada por pessoas não-indígenas, de fora da Terra Indígena.

6ª feira, dia 26, os Wajãpi da aldeia Yvytotõ, que fica na mesma região, encontraram um grupo de não-índios armados nos arredores da aldeia e avisaram as demais aldeias pelo rádio. À noite, os invasores entraram na aldeia e se instalaram em uma das casas, ameaçando os moradores. No dia seguinte, os moradores do Yvytotõ fugiram com medo para outra aldeia na mesma região (aldeia Mariry). No dia 26 à noite nós informamos a Funai e o MPF sobre a invasão e pedimos para a PF ser acionada. Na madrugada de sexta para sábado, moradores da aldeia Karapijuty avistaram um invasor perto de sua aldeia.

No dia 27, sábado, nós começamos a divulgar a notícia para nossos aliados, na tentativa de apressar a vinda da Polícia Federal. Um grupo de guerreiros wajãpi de outras regiões da Terra Indígena foi até a região do Mariry para dar apoio aos moradores de lá enquanto a Polícia Federal não chegasse.

No dia 27 à tarde, representantes da Funai chegaram à TIW e foram até a aldeia Jakare entrevistar parentes do chefe morto, que se deslocaram até lá. Os representantes da Funai voltaram para Macapá para acionar a Polícia Federal. Os guerreiros wajãpi ficaram de guarda próximo ao local onde os invasores se encontram e nas aldeias que ficam na rota de saída da Terra Indígena. Durante a noite, foram ouvidos tiros na região da aldeia Jakare, junto à BR 210, onde não havia nenhum Wajãpi.

No dia 28 pela manhã um grupo de policiais federais e do BOPE chegou à TIW e se dirigiu ao local para prender os invasores. Isso é o que sabemos até agora. Quando tivermos mais informações faremos outro documento para divulgação. Posto Aramirã – Terra Indígena Wajãpi, 28 de julho de 2019.

 

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