20 de setembro de 2019
publicado às 09h03
Ameaçado, Parque da Bodoquena recebe apoio de cientistas

Parque da Bodoquena recebe apoio de cientistasPor Warner Bento Filho

Ameaçado de perder 80% de sua área por meio de uma ação judicial, o Parque Nacional da Serra da Bodoquena, em Mato Grosso do Sul,  recebe um grupo de pesquisadores neste fim de semana, quando completa 19 anos. O grupo participa do 1º Seminário de Pesquisa e Extensão da Serra da Bodoquena, nos dias 20, 21 e 22 de setembro (sexta, sábado e domingo). O objetivo é promover o conhecimento científico e maior compreensão da importância de conservar a biodiversidade da Unidade de Conservação (UC) e de seu entorno. O seminário é parte da mobilização de cientistas para evitar a drástica redução do parque, que significaria praticamente sua extinção.

O Parque Nacional (Parna) da Serra da Bodoquena, de 76 mil hectares, sofre uma ação judicial, movida por um grupo de antigos proprietários de fazendas no interior da UC que ainda não foram indenizados. A ação tramita na Justiça Federal. Já há duas decisões provisórias neste caso, uma favorável aos proprietários e outra contrária, mas a expectativa é que o processo seja longo e que chegue até o Supremo Tribunal Federal, onde ainda não há entendimento pacificado sobre os argumentos apresentados.

Mais de uma dezena dos rios que desaguam no Pantanal e que atraem todos os anos centenas de milhares de turistas ao município de Bonito, movimentando a economia da cidade, nascem na Serra da Bodoquena – cujo nome, aliás, significa, em tupi-guarani, “nascente em cima da serra”. O parque abriga mais de 170 espécies diferentes de árvores. Deste total, pelo menos 137 são típicas da Mata Atlântica, sendo que 12 são endêmicas do bioma. Vivem aí araras, gaviões, raposas, lobinhos, jaguatiricas, pacas, capivaras, cutias, queixadas e catetos, entre tantas outras espécies, inclusive ameaçadas de extinção, como suçuaranas, onças pardas, onças pintadas, lobos-guarás e antas.

“O Parque Nacional da Serra da Bodoquena é importante para a natureza, mas é muito mais importante para as pessoas”, avalia o gerente de Políticas Públicas do WWF-Brasil, Michel Santos. “São as pessoas que se beneficiam dos serviços prestados pelo parque, como a produção de água, o turismo e o abrigo para tantas espécies, que promovem o equilíbrio ecológico da região. Além disso, o parque é uma barreira para os incêndios. Sem o serviço de proteção ao parque, proporcionado pelo ICMBio, os riscos de incêndio na área seriam incomparavelmente maiores”, completa. O parque sofre neste momento com grandes queimadas descontroladas em seu entorno, que, graças às ações das brigadas de incêndio, ainda não chegaram ao interior do Bodoquena.

Paralelamente ao seminário, ocorrerá uma série de ações que visam chamar atenção para as ameaças ao parque. Entre elas, está prevista uma visita ao parna, na sexta-feira, com caminhada e ciclopasseio, além de manifestações públicas. O seminário é promovido pela Fundação Neotrópica, pelo ICMBio e pelo Parque Nacional da Serra da Bodoquena, com o apoio de outras 13 instituições, entre elas o WWF-Brasil.

De acordo com o superintendente executivo interino da Fundação Neotrópica, Rodolfo Portela Souza, o Seminário é uma forma de fomentar uma discussão qualificada. “O conhecimento científico tende a ficar dentro da academia, restrita a uma linguagem técnica e à qual, muitas vezes, a população não tem acesso. Dessa forma, informar a sociedade é uma maneira de estimular o debate sobre as questões ambientais, para que possamos avançar nas ações conservação deste ambiente”, afirma Souza.

Outra expetativa apontada pelos organizadores do evento é que a diversidade de temas abordados durante o Seminário possa ser usada pelo poder público, para subsidiar a tomada de decisão, além de atrair e estimular os estudantes para que continuem desenvolvendo pesquisas que levem em consideração a manutenção ecológica dessa região. O seminário se realiza na Câmara Municipal de Bonito, na rua Nelson Felício dos Santos n°1000. As inscrições são gratuitas e podem ser feitas aqui.

Fonte: WWF Brasil – Com informações da Fundação Neotrópica.

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