22 de setembro de 2019
publicado às 09h15
Garimpo ilegal está desmatando e contaminando rio em terra indígena no Pará

Garimpo ilegal desmatando e contaminando rio

Organização ambiental sobrevoou a terra indígenas Munduruku e flagrou acampamentos irregulares, desmatamento e rejeitos de mineração contaminando rio da região de Jacareacanga, sudoeste do estado.

Acampamentos para o garimpo ilegal estão devastando grandes áreas de mata nativa na terra indígena Munduruku, no sudoeste do Pará, alerta neste sábado (21) o Greenpeace. Segundo a organização, as ações também contaminam o rio que cruza a região de Jacareacanga.

A organização ambiental divulgou um vídeo onde é possível ver enormes crateras de desmatamento em meio a floresta. Neles estão contidos acampamentos com escavadeiras trabalhando e revelando um garimpo. Há um ponto que dá para ver os rejeitos da mineração clandestina desaguando no rio. A coloração da água segue alterada por cinquenta quilômetros.

Observando a ação ilegal dos garimpeiros, o cacique do povo Munduruku, Arnaldo Kaba Munduruku, que é responsável por mais de 100 aldeias na região, disse que está triste com a invasão das terras e ficou impressionado com as máquinas pesadas dentro da floresta e a contaminação do rio.

“Além de muito triste é muito feio. Isso não pode acontecer”, completou o cacique.

Crescimento do desmatamento

De acordo com um estudo feito pelo Greenpeace, analisando os alertas de desmatamento do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), em dois anos a destruição da floresta na terra indígena Munduruku aumentou quase seis vezes.

Segundo os dados, de janeiro a julho de 2017 cerca de 2,64 km² de floresta foram desmatados. No mesmo período em 2018, o número subiu para 4,84 km²; e agora, de janeiro a julho de 2019, o número é de 15,46 km², o equivalente a 1500 campos de futebol.

Ainda segundo o Greenpece, o desmatamento nas terras indígenas da Amazônia cresceu quase seis vezes em dois anos, saindo de 29,54 km², de janeiro a julho de 2017; para 161,22 km² no mesmo período neste ano.

“Isso representa uma situação muito difícil para os indígenas que moram nessa região. Além do desmatamento, além da floresta estar ameaçada, a vida dessas comunidades também correm risco”, afirmou Márcio Astrini, coordenador de políticas Públicas do Greenpeace.

De acordo com as lideranças indígenas, as invasões e o garimpo ilegal foram denunciados aos órgãos de fiscalização ambiental e ao Ministério Público

“Algumas operações de fiscalizações in loco dessas garimpagens clandestinas são realizadas, mas apenas isso é insuficiente para combater toda a complexidade desse problema”, explicou Luís de Camões Boaventura, procurador da República.

Notas

Em nota, o Ministério do Meio Ambiente informou que as solicitações para esclarecimentos sobre os fatos e ações do Governo Federal sobre o caso deveriam ser enviadas para a Fundação Nacional do Índio (Funai), ao Ministério de Minas e Energia e ao Ministério da Defesa.

O Ministério da Defesa disse, em nota, que desde o dia 23 de agosto, quando o presidente Jair Bolsonaro autorizou o uso das forças armadas no combate aos crimes ambientais e aos focos de incêndios na Amazônia Legal, os militares combateram mais de 500 focos de incêndio em toda a região. Além disso, segundo o Ministério, foram lavrados 112 autos de infração, que resultaram em mais de R$ 36 milhões em multas aplicadas.

A Funai e o Ministério de Minas e Energia ainda não se posicionaram sobre o caso. Fonte: G1

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