5 de novembro de 2019
publicado às 18h50
São Paulo recebe exposição com artesanato de indígenas venezuelanas Warao

Sao Paulo recebe exposicao com artesanato de indigenasRealizada pelo museu A CASA em parceria com a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR); Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA); Fraternidade – Federação Humanitária Internacional (FFHI); União Europeia e governo federal, a exposição “Ojidu – Árvore da Vida Warao” reúne artesanato indígena venezuelano produzido pelas mulheres Warao vivendo no Brasil.

Entre 7 de novembro e 20 de novembro, museu A CASA exibe as peças feitas em palha de buriti, árvore nativa da Amazônia brasileira e venezuelana de importância central na vida dos Warao. As peças estarão à venda no museu e o dinheiro arrecadado apoiará novas ações de geração de renda para essa população.

Desde 2016, venezuelanos Warao chegam ao Brasil em busca de proteção e refúgio. Atualmente, estima-se que pelo menos 4.500 indígenas dessa etnia vindos da Venezuela encontram-se refugiados no Brasil.

A arte ancestral produzida por indígenas venezuelanas da etnia Warao com palha de buriti chega a São Paulo por meio da exposição “Ojidu – Árvore da Vida Warao”.

A mostra fica em cartaz no museu A CASA, em São Paulo, entre 7 de novembro e 20 de dezembro.

Cestos, vasos, cachepots, chapéus, bolsas, souplasts, bandejas e outros objetos tradicionais da cultura Warao compõem a exposição, que tem como um dos intuitos promover a autossuficiência dessa etnia que se refugia no Brasil.

As peças estarão à venda e o dinheiro arrecadado apoiará novas ações de geração de renda para a população Warao vivendo nas cidades do norte do país, como Pacaraima e Boa Vista, em Roraima, e Manaus, no Amazonas.

Ojidu – Árvore da Vida Warao

A árvore e o fruto do buriti são utilizados pelos Warao na produção de canoas, alimento, casas e produção da fibra para artesanato. Foto: Benjamin Mast.

A exposição é realizada pelo museu A CASA, em parceria com a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), a organização não-governamental Fraternidade – Federação Humanitária Internacional (FFHI), a União Europeia e o governo federal.

O projeto teve início no abrigo indígena Pintolândia, mantido pela Operação Acolhida – ação de resposta ao fluxo de refugiados e migrantes venezuelanos no norte do Brasil liderada pelo governo federal em Roraima com o apoio de agências das Nações Unidas e entidades da sociedade civil.

Além de manter vivas as técnicas culturais e artesanais dos Warao, o projeto busca desenvolver ações para fortalecer as capacidades das artesãs; introduzir o planejamento financeiro na comunidade; criar cadeia de valor para a população indígena Warao venezuelana; e expandir a venda do artesanato a partir da realização de duas exposições – a próxima ocorrerá em 2020.

Ojidu é uma referência ao nome do buriti no idioma Warao. A árvore, nativa da Amazônia brasileira e venezuelana, possui uma importância central na vida dos Warao – originários da região do Delta Amacuro, no nordeste venezuelano.

A árvore e o fruto são utilizados por essa etnia na produção de canoas, alimento, construção de suas casas e produção da fibra para artesanato – essa última, uma atividade majoritariamente feminina.

O Povo da Água chega ao Brasil

Os Warao (“Povo da Água”, de acordo com seu idioma) é um grupo étnico constituído originalmente há mais de oito mil anos na região do delta do rio Orinoco.

Hoje, são o segundo maior povo indígena da Venezuela, com cerca de 49 mil pessoas. Subdividem-se em centenas de comunidades em uma região que se estende por quase todo o estado de Delta Amacuro, parte do estado de Monagas e de Sucre, na Venezuela.

A partir de 2016, os Warao começaram a chegar ao Brasil, forçados a deixar seu país devido à crise política e econômica, e se juntando a milhões de outros venezuelanos não-indígenas que também buscaram proteção e refúgio fora da Venezuela.

Roraima tem sido o ponto de chegada dessa etnia no Brasil. Mas devido à sua mobilidade, os Warao já se encontram em outros estados do país, como Amazonas, Pará, Maranhão, Piauí e Ceará. Atualmente, estima-se que pelo menos 4.500 indígenas Warao vindos da Venezuela encontram-se refugiados no Brasil.

Proteção e resiliência

O apoio da União Europeia se dá por meio de um projeto implementado em parceria com o ACNUR e o UNFPA de investir no fortalecimento da resposta aos venezuelanos na região norte do Brasil e na promoção da proteção de populações em maior situação de vulnerabilidade, como é o caso dos indígenas Warao.

De acordo com a Polícia Federal, cerca de 212 mil venezuelanos encontram-se no país, sendo 115 mil solicitantes de refúgio e 97 mil residentes temporários. Segundo estimativas das Nações Unidas, quase 4,5 milhões de venezuelanos já deixaram seu país.

Criada em fevereiro de 2018 pelo Governo Federal, a Operação Acolhida tem o apoio de agências da ONU e organizações da sociedade civil (como a FFHI).

A iniciativa operacionaliza a assistência emergencial para o acolhimento de pessoas refugiadas e migrantes da Venezuela em situação de maior vulnerabilidade. A resposta é dividida em três eixos principais: ordenamento de fronteira, abrigamento e interiorização.

Sobre o ACNUR

Criado em 1950 por resolução da Assembleia Geral da ONU, a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) protege e ajuda refugiados e populações apátridas em todo o mundo. Por seu trabalho humanitário, recebeu duas vezes o Prêmio Nobel da Paz (1954 e 1981).

Atualmente, a agência conta com quase 12 mil funcionários e está presente em cerca de 130 países. No Brasil, o ACNUR atua em cooperação com o Comitê Nacional para os Refugiados (CONARE) e em coordenação com os governos federal, estaduais e municipais, a sociedade civil e o setor privado.

Sobre o UNFPA

O Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) é a agência da ONU que trata de questões populacionais.

No contexto de assistência humanitária, o Fundo de População da ONU promove a saúde sexual e reprodutiva, incluindo saúde materna e planejamento reprodutivo, e oferecendo resposta e prevenção à violência baseada em gênero.

Sobre a FFHI

Fundada em 1987 e sediada em Carmo da Cachoeira (MG), a Fraternidade é uma rede global de caráter filosófico, cultural, humanitário, ambiental e beneficente.

Ao longo de 32 anos de existência, mais de 60 mil voluntários já aderiram aos esforços da FFHI pela propagação da paz. A entidade congrega 23 associações civis, nacionais e internacionais, com grupos coligados que atuam em 18 países.

Entre suas principais atividades estão missões humanitárias em situações críticas em diversas regiões do mundo, como Brasil, Uruguai, Etiópia, Turquia, Quênia, Congo e Nepal.

Serviço

Ojidu – Árvore da Vida Warao” – exposição de artesanato em fibra de buriti feito por indígenas venezuelanas Warao no Brasil

Abertura: 07 de novembro, de 19h às 22h, com presença de representantes do ACNUR, UNFPA e FFHI.

Bate-papo e workshop com artesãs Warao: 08 de novembro, das 15hs às 17hs.

Endereço: CASA, Museu do objeto brasileiro | Av. Pedroso de Morais, 1216 – Pinheiros, São Paulo.

Visitação: de 08 de novembro a 20 de dezembro, das 10h às 18h30.

Contatos de imprensa

ACNUR: (61) 3044.5744 / brabrpi@unhcr.org / www.acnur.org.br

UNFPA: (61) 33289268 / quintiliano@unfpa.org / www.brazil.unfpa.org

FFHI: (11) 99911-3798 /  sdeangelis@medialinkbrasil.com

A CASA Museu: (11) 3814-9711 / 3097-8840 / comunicacao@acasa.org.br / www.acasa.org.br


 

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