16 de dezembro de 2019
publicado às 07h50
Escalada de violência registra quarto indígena Guajajara assassinado

Escalada de violencia indigenaNexta sexta-feira, 13 de dezembro, foi assassinado Dorivan Soares Guajajara, a quarta morte violenta em menos de 40 dias do povo Guajajara, na Terra Indígena Araribóia, a 687 km da capital do Maranhã, São Luís.

O WWF-Brasil lamenta profundamente mais esse crime contra os povos indígenas. Ainda que não haja no momento esclarecimento das causas ou conclusão das investigações a respeito da morte de Dorivan, o contexto que envolve os quatro assassinatos é extremamente preocupante numa escalada de aumento de violência.

O desmatamento e as invasões às terras indígenas Guajajara vêm aumentando nos últimos dois anos diante da falta de ação das autoridades. Paralelamente, na mesma intensidade, aumentaram as ameaças aos integrantes desses povos indígenas, chegando a níveis extremos em 2019, com a promessa de diversas autoridades do Governo Federal de facilitar a vida de madeireiros e rever a demarcação de terras indígenas.

A coordenadora da APIB  – Articulação dos Povos Indígenas do Brasil, Sônia Bone Guajajara, afirmou em sua rede social: “Todas as pessoas que não gostam de nós estão se sentindo autorizadas a matar porque sabem que a impunidade impera.”

No final de setembro, os Guajajara encaminharam um pedido de ajuda à Fundação Nacional do Índio (Funai) e ao governo do Maranhão, pois as ameaças feitas por madeireiros e grileiros – interessados em invadir, lotear e vender partes do território, protegido por lei– já haviam chegado a níveis alarmantes. Mas o governo do Maranhão alegou que a responsabilidade pela fiscalização da terra era da Funai, que vem operando com enormes dificuldades financeiras desde o começo do ano.

O primeiro caso ocorreu no dia 1º de novembro, quando o líder indígena Paulo Paulino Guajajara foi assassinado na Terra Indígena Araribóia, na região de Bom Jesus das Selvas, Maranhão. As investigações indicam que a morte foi causada pela disputa territorial com madeireiros, que exploram a área de forma ilegal. No dia 7 de dezembro, os caciques Firmino Silvino Guajajara e Raimundo Bernice Guajajara foram mortos entre as aldeias Boa Vista e El Betel, na Terra Indígena Cana Brava, no município de Jenipapo dos Vieiras, também no Maranhão. Outros dois indígenas ficaram feridos.

O WWF-Brasil se solidariza com a luta do povo Guajajara, bem como de todos os povos indígenas e populações tradicionais que lutam pela defesa de seus territórios e vem, mais uma vez a público, pedir que as autoridades competentes atuem em conformidade com as leis e a Constituição.

Fonte: WWF Brasil

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