15 de junho de 2020
publicado às 14h31
Humanidade é dependente de Oceanos equilibrados e saudáveis

Humanidade dependente de OceanosEstamos muito próximos de esgotarmos totalmente a capacidade de regeneração desse ecossistema

Temos impactado negativamente os oceanos com poluição e sobrepesca. Ainda estamos presos na relação: pegamos o que queremos e deixamos o que desprezamos. Porém, ainda há tempo para agir. Segundo a Organização das Nações Unidades para a Alimentação e a Agricultura (FAO), a pesca e a aquicultura juntas asseguram a subsistência de 10 a 12% da população mundial. Além disso, mais de 200 milhões de pessoas dependem dos recifes de corais para protege-los de tempestades e ondas.

Cerca de 80% dos recursos pesqueiros estão sobrepescados, ou seja, capturados em uma taxa superior à sua capacidade de reprodução natural. Essa pesca desenfreada resulta no declínio populacional das espécies, incluindo aves marinhas, tartarugas, golfinhos e baleias, além de ameaçar a segurança alimentar de milhões de pessoas.

Estimativas como esta, porém, sofrem com a falta de dados atualizados e confiáveis – o último Boletim Nacional de Estatística Pesqueira foi publicado em 2012 e, desde então, são realizadas apenas iniciativas descentralizadas e descontínuas. Além disso, o monitoramento insuficiente da atividade vem comprometendo há anos a eficácia da gestão pesqueira no País. Nesse panorama, os estoques sofrem com a destruição dos habitats marinhos, a pesca ilegal ou incidental, e a baixa seletividade das frotas nacionais.

Segundo o Relatório Planeta Vivo 2018, publicado pela Rede WWF, se as tendências atuais continuarem, até 90% dos recifes de corais do mundo poderão desaparecer até a metade do século, prejudicando economias locais e expondo milhares de pessoas à eventos climáticos extremos. As implicações dessas mudanças para o planeta e toda a humanidade são vastas e incalculáveis.

A poluição, por vazamento de plásticos, agrotóxicos e químicos, afeta diretamente a toda a cadeia alimentar, prejudicando até mesmo a nossa alimentação com índices cada vez maiores de químicos, metais pesados e microplásticos encontrados em pescados e eventualmente consumidos por humanos. O volume de vazamento de plástico nos oceanos é estimado em mais de 8 milhões de toneladas de lixo plástico ao ano.

Vazamento de óleo
O Brasil viveu o maior desastre ambiental causado por vazamento de petróleo de sua história. As manchas de óleo começaram a ser registradas no litoral nordestino brasileiro em 30 de agosto. Desde então, até o dia 19 de março, segundo dados oficiais do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), mais de 1.000 localidades em 128 municípios de 11 estados, já foram atingidas em uma área de costa próxima de 3.000 quilômetros.

Quase 10 meses após o início das primeiras manchas o vazamento continua sem solução. Até agora, apesar da substância ter sido identificada como petróleo cru, as autoridades brasileiras ainda não descobriram a origem, o responsável pelo despejo do material no mar e nem mesmo a quantidade de material que pode ter sido sedimentada no fundo do mar.

Tampouco se sabe claramente os efeitos na saúde das pessoas que vivem nas áreas afetadas e quais as consequências para o ecossistema marinho.

Plástico nos Oceanos
Segundo o estudo lançado pelo WWF em 2019, o volume de plástico que vaza para os oceanos todos os anos é de aproximadamente 10 milhões de toneladas, o que equivale a 23 mil aviões Boeing 747 pousando nos mares e oceanos todos os anos –são mais de 60 por dia. Nesse ritmo, até 2030, encontraremos o equivalente a 26 mil garrafas de plástico no mar a cada km².

O Brasil, segundo dados do Banco Mundial, é o 4° maior produtor de lixo plástico no mundo, com 11,3 milhões de toneladas geradas, ficando atrás apenas dos Estados Unidos, China e Índia. Desse total, mais de 10,3 milhões de toneladas foram coletadas (91%), mas apenas 145 mil toneladas (1,28%) são efetivamente recicladas, ou seja, reprocessadas na cadeia de produção como produto secundário. Esse é um dos menores índices da pesquisa e bem abaixo da média global de reciclagem plástica, que é de 9%.

Fonte: WWF Brasil – Por Douglas Santos

 

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