15 de junho de 2020
publicado às 16h33
Pandemia se agrava e chega ao Xingu
Pandemia chega ao Xingu
José Carlos, liderança da Terra Indígena Arara da Volta Grande (PA) morreu hoje (9). Já são dois casos no Território Indígena do Xingu, 76 na TI Kayapó e 24 na região da Volta Grande do Xingu e Terra do Meio

José Carlos Ferreira, liderança da Terra Indígena (TI) Arara da Volta Grande, morreu hoje (9), com suspeita de Covid-19. Ele foi uma das grandes lideranças na luta contra a construção da hidrelétrica de Belo Monte. Com dificuldade para respirar e cansaço, José foi removido de sua aldeia na manhã de ontem para fazer exames e receber tratamento em Altamira, no Pará. Seu quadro piorou e ele foi para o hospital já com falta de ar, tosse forte e muita dor de cabeça, mas sem vagas disponíveis na UTI, faleceu por volta das 10 horas da manhã.

A Covid-19 chegou nas Terras Indígenas da bacia do Xingu: já foram confirmados dois casos no Território Indígena do Xingu, no Mato Grosso, três óbitos e 76 casos na TI Kayapó, no Pará. Na região da Volta Grande do Xingu e Terra do Meio foram registrados três casos na TI Trincheira Bacajá, um na TI Paquiçamba, sete na TI Juruna do Km 17, seis na TI Cachoeira Seca e cinco casos e um óbito na TI Kuruaya. Ainda que a contaminação de José Carlos tenha sido confirmada pelo Distrito Sanitário Especial Indígena (Dsei) Altamira, o órgão não divulgou dados de casos na TI Arara da Volta Grande.

As informações do Dsei Kayapó são do dia 5/06. Até o fechamento da reportagem o distrito não divulgou dados atualizados.

Os dois casos de Covid-19 confirmados no Território do Xingu são da aldeia Sapezal, do povo Kalapalo. Os indígenas foram transferidos para o hospital de Água Boa já receberam alta. Um bebê de pouco mais de um mês está com sintomas e aguarda transferência para uma UTI neonatal.

Em nota, a Associação Terra Indígena Xingu (Atix), reforçou pedido de isolamento nas aldeias para evitar que a doença se espalhe. “Pedimos encarecidamente as comunidades Xinguanas que adotem medidas mais rígidas de isolamento para evitar a saída das pessoas para as cidades. Estamos diante de uma doença que poderá causar tragédias sem dimensão a nossa população Xinguana”, diz o texto.

Casos aumentam nos municípios vizinhos



A pandemia avança nos municípios vizinhos de Áreas Protegidas, pressionando as TIs e Unidades de Conservação do Xingu. Em apenas uma semana, o número de mortes nas 53 cidades que incidem sobre a bacia cresceu 62%, pulando de 91 para 148 óbitos. Os casos aumentaram 60%, de 3,8 mil para 6.180 no mesmo período.

Em Canarana e Querência, cidades vizinhas ao Território Indígena do Xingu, são 27 e 51 casos respectivamente. Já em Guarantã do Norte, cidade referência para a TI Panará, são 46 casos e uma morte. Em apenas uma semana, os casos em Ourilândia do Norte, município próximo à TI Kayapó, subiram de 308 para 455.

Na tarde de ontem a Secretaria Estadual de Saúde do Pará (Sespa) confirmou 3.853 óbitos e 59,1 mil casos do novo coronavírus no estado. No Mato Grosso são 126 mortes e 4,2 mil casos, segundo informativo da Secretaria Estadual de Saúde divulgado no mesmo dia.

A região de Altamira, município referência para onze Terras Indígenas, sete Unidades de Conservação e nove municípios da região, já contabiliza 80 mortes, 2.129 casos confirmados, e o único hospital que atende casos de média e alta complexidade está com as UTIs lotadas. Segundo boletim divulgado pela Sespa já são 70 pessoas internadas.

Fonte: ISA

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