15 de junho de 2020
publicado às 14h38
Relatório identifica traders e bancos envolvidos no desmatamento

Relatorio identifica bancos

Uma análise feita pelo Instituto Centro de Vida (ICV) em colaboração com o Imaflora, o Stockholm Environment Institute e a plataforma Trase, mostra que cerca de 20% das importações de soja feitas pela União Europeia e pela China a partir do estado do Mato Grosso são provenientes de fazendas com desmatamento ilegal.

Entre 2012 e 2017, o MT registrou a perda de 1,4 milhão de hectares de floresta em imóveis rurais, sendo que 95% desse total foi feito sem autorização prévia dos órgãos ambientais – o que configura o desmatamento ilegal. O levantamento identificou também que 80% do desmatamento ilegal foi realizado em apenas 400 fazendas, majoritariamente de grande porte.

Os dados demonstram que as cadeias produtivas de soja e carne bovina estão expostas ao risco de desmatamento. Nos 15 municípios do MT que mais desmataram ilegalmente, quase 60% do total da colheita de soja foi comprada por três grandes empresas do setor agropecuário – Amaggi, Bunge e Cargill – todas signatárias da moratória da soja, um acordo feito entre grandes empresas, governo federal e sociedade civil para coibir a compra de soja feita em áreas desmatadas ilegalmente na Amazônia.

Além das empresas compradoras de commodities, o relatório também identifica alguns bancos que financiam estas operações e que, portanto, também estão expostos ao risco de apoio a atividades com potencial de destruição florestal: Santander, Itaú e Morgan Stanley mantêm investimentos nessas companhias, o que os torna financiadores indiretos do desmatamento ilegal da Amazônia e do Cerrado.

“É esperado que o comprador e investidor se preocupem com o fornecedor, com a fazenda, como um todo, não só com a área destinada ao cultivo da soja. Faz parte da mesma gestão. Como se, em uma empresa, você olhasse se apenas um setor estivesse em conformidade legal e se esquecesse dos outros”, explicou Paula Bernasconi, do ICV, para Phillippe Watanabe na Folha. “O que importa é que a propriedade como um todo siga as regras”.

As revelações dos relatório foram destaque da edição desta semana da Economist, que ressaltou o impacto que os problemas do monitoramento das cadeias produtivas de soja e carne bovina podem trazer para o comércio exterior brasileiro. O Blog do Pedlowski publicou uma tradução do artigo da Economist, e a Gazeta Digital, de Cuiabá, escreveu sobre o relatório.

Fonte: Sou Ecológico

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