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2 de maio de 2016
publicado às 13h35
“A Terra é um ser vivo do qual somos o sistema nervoso”

A Terra é um ser vivo do qual somos o sistema nervosoA Hipotese Gaia
Imagine um grande sistema. Complexo, que se autorregula, um mecanismo de controle que mantém o planeta em condições ideais de vida. Esta é a Terra, proposta pelo cientista inglês James Lovelock, em 1969. Segundo ele, o nosso planeta é um organismo vivo, formado na intimidade e união dos componentes físicos aqui existentes. A base para a proposta surgiu na observação das atmosferas dos planetas do Sistema Solar, juntamente com Lynn Margulis (co-fundadora), onde proporam, através de uma visão holística que está hoje revolucionando o mundo da Ecologia, que é a vida da Terra que cria condições para a sua sobrevivência, e não o inverso. Assim, a vida interage e tem capacidade de manter seu entorno e sua própria existência, e se ocorresse alguma mudança ambiental, a Terra, em seu conjunto, atuaria para contrabalançar seus efeitos.

“Gaia é uma entidade complexa, que compreende a biosfera terrestre, os oceanos e a terra; o conjunto constitui um sistema de feedback ou cibernético que busca um ambiente físico e químico ótimo para a vida neste planeta. A preservação de condições relativamente constantes por um controle ativo poderia ser descrita de maneira satisfatória pelo termo homeostase.” [James Lovelock]

Originalmente, James Ephraim Lovelock classificou a “Teoria Gaia, Hipótese (de) Gaia”, como “Hipótese de resposta da Terra”. Mais tarde, acatando a sugestão de William Golding, fez uso de “Gaia”, nome que em grego representa uma Deusa suprema, e que significa Terra.

Esta teoria e hipótese, foi definida por ele com estas palavras: “A vida, ou a biosfera, regula ou mantém por si mesma o clima e composição atmosférica em um ponto ótimo”. Quando apresentada, foi vista com largo desinteresse e descrédito por toda a comunidade científica internacional, por causa do caráter não científico da hipótese e da falta de provas que a demonstrassem empiricamente. Lynn Margulis, no entanto, apoiou James na elaboração deste importante estudo, não agradando nem um pouco aos outros. Juntos, identificaram uma série de mecanismos que parecem sustentá-la, mas seus oponentes encontram mecanismos que funcionam na direção contrária. O problema mais complicado é que Gaia sugere algum tipo de cooperação global entre os seres vivos – algo que vai de encontro à ideia darwiniana de luta pela sobrevivência. A noção de organismos competidores trabalhando juntos para manter o equilíbrio tem levado muitos ecólogos a considerar a teoria Gaia com ceticismo.

A Teoria Gaia relaciona interações de ações orgânicas sobre inorgânicas, do que é vivo e não-vivo, e propõe uma nova maneira de pensar quanto à sustentação da vida e o meio ambiente. Parte do princípio de “reações em cadeia”, onde toda e qualquer peça é importante e que caso falte, deverá ser criado um um meio para substituí-la. É uma análise generalizada, com suporte nas minúcias do planeta: do macro para o micro e vice-versa. Fundamenta-se na extrapolação do conhecimento dado como “realidade”.
4 décadas mais tarde, encontra simpatizantes e adeptos no mundo todo, em especial movimentos ecológicos, e ironicamente, tem ganhado credibilidade entre os cientistas. Apesar da recepção nada unânime, a teoria Gaia provou ser um filão valioso para investigação. Mesmo que a biosfera não seja uma entidade única, às vezes e de forma misteriosa, funciona como tal.

“Quanto mais se aprende sobre a Terra, mais claro está que a superfície do planeta foi sumariamente alterada pela origem, evolução e crescimento da vida sobre ela. À medida que a vida se desenvolve, alteram-se a composição, a textura e a diversidade da superfície da Terra. O meio ambiente na superfície e os organismos estiveram evoluindo juntos neste planeta ao longo de bilhões de anos.” [Lynn Margulis]

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