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30 de junho de 2016
publicado às 13h27
Advogado que luta pelos direitos animais estrela documentário “Destranquem as jaulas”

Advogado que luta pelos direitos animais estrela documentário Destranquem as jaulasQuando o gorila de 17 anos Harambe foi morto no último mês porque uma criança caiu em seu recinto, muitas pessoas questionaram o porquê de uma vida animal valer menos do que uma vida humana.

Harambe era de uma espécie que estava criticamente ameaçada. Ele nasceu em cativeiro e morreu devido a erros humanos. Quais eram os direitos que ele possuía? Nenhum, pois, de acordo com a lei, Harambe era considerado um “objeto”, não uma pessoa, diz o Los Angeles Times.

E é justamente isso que Steven Wise, o advogado que lidera o Projeto de Direitos para Não-humanos, quer mudar. O professor de 64 anos de Harvard é a estrela do novo documentário “Unlocking the Cage” (Destranquem as Jaulas), que segue a sua luta, que já dura anos, para dar autonomia para animais que não têm nenhuma.

“Quando comecei, em 1980, toda a ideia de direitos animais era vista como completamente bizarra. Hoje, as pessoas hospedam cães em hotéis chiques quando viajam e dedicam contas do Instagram a eles. Mas isso não significa que elas os consideram pessoas”, declara.

Para esclarecer, Wise também não considera. Ele luta em nome de espécies que a ciência tem considerado as mais inteligentes: grandes primatas, elefantes, baleias e golfinhos.

Os primeiros “demandantes” de Wise tem sido os chimpanzés – alguns em cativeiro em zoológicos de beira de estrada deprimentes, outros confinados às instalações de pesquisas universitárias. Munido com diversas pesquisas de especialistas em animais, Wise vai a tribunais para argumentar que estes chimpanzés merecem ser transferidos para um santuário na Flórida.

“Queremos mudar a pergunta ‘De qual espécie você é?’ para ‘Que tipo de ser é você?’ ao invés do raciocínio de que se você é um ser humano, você tem direitos. Se você não é, você não tem. Esse modo de pensar é completamente arbitrário e não é cientificamente válido”, explica.

O casal de documentaristas D. A. Pennebaker e Chris Hegedus ouviu falar pela primeira vez sobre a missão de Wise há quase cinco anos. O cão tutorado pelo casal tinha acabado de morrer e fazer um filme sobre como os animais se sentiam parecia o correto.

“Seu argumento fazia sentido para mim. Caso o gorila Harambe fosse uma pessoa, ele não teria sido baleado” disse Pennebaker.

Segundo Wise, os seres humanos escravizam os animais. O advogado começou a pensar nessas questões há quase quatro décadas quando leu pela primeira vez a obra “Libertação Animal” do filósofo australiano Peter Singer. Ele percebeu quantos bilhões de animais povoam o planeta e como o tratamento que recebem é deplorável.

O livro de Singer despertou a consciência de Wise, que se tornou vegetariano, e depois passou a atuar para promover mudanças legislativas.

” Eu queria começar a mudar a própria estrutura jurídica ao invés de operar dentro dessa estrutura porque era tão tendenciosa”, disse Wise, que tem ensinado legislação sobre direitos animais em Harvard.

Atualmente, na esteira de documentários como “Food, Inc.” e “Black Fish”, o momento de Wise pode ter finalmente chegado.

“Quando as pessoas não concordam comigo, eu só sinto pena, pois elas não entendem ainda o que é certo. Eu simplesmente continuo, nós estamos em um momento histórico”.

O documentário “Unlocking The Cage”, que mostra o trabalho de Wise, estreou este mês nos Estados Unidos e será veiculado na HBO no próximo ano.

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