Salve a Amazonia
23 de novembro de 2016
publicado às 13h06
Agência da ONU visita fábrica de camisinhas sustentáveis no Acre

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Uma experiência inovadora desenvolvida no Acre, em plena floresta amazônica, está unindo saúde sexual e reprodutiva, sustentabilidade ambiental e inclusão social, demonstrando na prática que os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável podem ser alcançados “sem deixar ninguém para trás”. Trata-se da empresa de preservativos Natex, gerida pela Fundação de Tecnologia do Acre (FUNTAC), em Xapuri.

Há oito anos a empresa confecciona preservativos para o Ministério da Saúde. O grande diferencial é a matéria-prima, feita a partir de látex nativo extraído a partir de métodos tradicionais de famílias de seringueiros, agregando proteção do meio ambiente e rentabilidade para a população que vive na floresta. Uma equipe do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) visitou Xapuri no último dia 8 para conhecer de perto a experiência.

Em um dia de pleno sol, a equipe percorreu toda a cadeia produtiva, desde a extração do látex, na floresta nativa, até a manufatura da matéria-prima — histórica para o Acre — em preservativos utilizados na saúde pública brasileira.

Há oito anos a empresa Natex confecciona preservativos para o Ministério da Saúde. Foto: UNFPA

“São cerca 700 famílias que vivem de vender a borracha para Natex, gerando renda e mantendo a floresta preservada. É uma experiência que tem que ser mantida e, se possível, crescer”, disse o representante do UNFPA no Brasil, Jaime Nadal.

A Natex busca agora novas alternativas de mercado e ampliação. Em reunião com a direção da empresa, a delegação do UNFPA analisou possibilidades de parcerias e o modo com o qual estado consegue conciliar evolução econômica e proteção à natureza e culturas tradicionais.

Dirlei Bersch, diretora-executiva da Natex, explicou que um comitê do governo estadual busca alternativas de negócios, mas sempre com olhar socioambiental. “Estamos trabalhando em alternativas que compreendam mais modernidade, efetividade e a concretização da sustentação do empreendimento”, disse a diretora.

“Esta atividade está em total sintonia com os princípios do UNFPA, unifica os desenvolvimentos econômico, social e ambiental, acreditamos que essa é uma tríade que agrega muito valor a essa fábrica em Xapuri”, explicou Jaime.

As equipes do UNFPA e da Natex pretendem agora realizar a pré-qualificação da empresa para participar de editais internacionais de fornecimento de insumos para saúde reprodutiva aos Estados-membros da ONU. Do lado oposto, também irão avaliar a aquisição internacional de insumos usados na fabricação dos preservativos, como lubrificantes, que permitam à Natex reduzir seus custos de produção.

As partes também trabalharão em parcerias com grupos privados e governamentais interessados em produtos com perfil de responsabilidade socioambiental.

A cultura da borracha

Após a visita à fábrica, o grupo da agência da ONU foi ao Seringal Rio Branco, na Reserva Chico Mendes. A equipe do UNFPA ouviu de Raimundo Mendes, o Raimundão, líder e seringueiro que lutou ao lado de Chico Mendes, parte da história dos conflitos na região.

Apontando para a “cabrita”, equipamento de corte da árvore seringueira, Raimundão lembrou: “esta aqui é a caneta do seringueiro”. Aos 72 anos, ele continua cortando e colhendo o látex, sendo um dos mais de 700 seringueiros fornecedores da Natex.

“Existe um ditado que diz: ‘não se constrói nada se não houver luta’. Hoje, finalmente, estamos em um momento de desfrutar. É triste que companheiros como Chico Mendes e Wilson Pinheiro não estejam mais conosco para ver essa nova realidade que vivemos”, declarou o seringueiro.

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