Salve a Amazonia
16 de janeiro de 2019
publicado às 15h07
Águas Emendadas é reconhecida internacionalmente por fazer conexão entre água, cultura e patrimônio

Aguas Emendadas reconhecida internacionalmenteAo completar 50 anos, em 2018, a Estação Ecológica de Águas Emendadas (ESECAE) se tornou o sexto lugar do mundo e o primeiro da América Latina a receber o Escudo de Água e Patrimônio do Conselho Internacional de Monumentos e Sítios (ICOMOS-Holanda). A entrega foi feita em parceria do Instituto Brasília Ambiental (IBRAM), Secretaria de Meio Ambiente (SEMA), Agência Reguladora de Águas, Energia e Saneamento Básico do Distrito Federal (ADASA) e Centro Internacional de Água e Transdisciplinaridade (CIRAT), que fizeram a mobilização para o reconhecimento.

Localizada no extremo nordeste do Distrito Federal, a uma distância de 50 quilômetros do centro de Brasília, a ESECAE abriga muito mais que recursos hídricos estratégicos (Córrego Fumal e Ribeirão Mestre D’Armas). Para começar, o que dá origem ao seu nome é um singular e importante fenômeno natural em que, de uma mesma vereda, vertem águas para duas grandes bacias hidrográficas (Rio Maranhão, que deságua no Rio Tocantins; e São Bartolomeu, que flui para a Bacia do Rio Paraná).

Além de ser fonte de captação de água para abastecimento público da região, operada e mantida pela Companhia de Saneamento Ambiental do DF (CAESB), Águas Emendadas é considerada importante, até mesmo por organismos internacionais, porque nela estão representados, e muito bem preservados, diferentes espécies do Cerrado. Tanto que, em 1992, pelo seu excelente estado de conservação, a Estação Ecológica passou a integrar a área-núcleo da Reserva da Biosfera do Cerrado, criada pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO).

Além da relevância ambiental, a importância histórica e patrimonial da ESECAE é marcante, tendo aparecido no primeiro registro da região, feito no Relatório da Comissão Exploradora do Planalto Central, coordenada por Luís Cruls, em 1892. A Lagoa Bonita, bem como a vereda onde encontra-se o fenômeno hidrológico conhecido hoje como “Águas Emendadas”, foi referência usada pela Missão Cruls na escolha da área da Capital Federal.

O Escudo de Água e Patrimônio no Brasil

Em 2015, o ICOMOS-Holanda iniciou o reconhecimento de sítios com o Escudo Água e Patrimônio (Water and Heritage Shield) para locais, em todo o mundo, que sejam significativos na conexão entre o tema das paisagens hídricas, a cultura e o patrimônio. Até o momento, apenas cinco locais em todo o mundo receberam o reconhecimento. São eles Magere Brug (Amsterdam, Holanda – 2016), Stille Sluis (Gouda, Holanda – 2016), BPTH (Holanda – 2016), Porto de Antuérpia (Bélgica – 2017), Barragem de Shimen (Taiwan – 2017).

A proposta que deu origem à qualificação da Estação Ecológica de Águas Emendadas com o Escudo de Água e Patrimônio teve início em maio de 2018, na barragem Shimen, em Taiwan. O Conselheiro do CIRAT e Embaixador de Água e Patrimônio do ICOMOS-Holanda, Henk Van Schaik, e outros participantes de uma visita técnica debateram a possibilidade de trazer o reconhecimento ao Brasil.

No avanço da conversa, a Estação Ecológica de Águas Emendadas foi logo identificada como uma área emblemática e com conexões culturais, históricas e naturais de primeira grandeza. As articulações no âmbito do Governo do Distrito Federal foram feitas com o IBRAM e a SEMA, que receberam com entusiasmo a possibilidade de trazer o primeiro Escudo de Água e Patrimônio para a América Latina e para o Brasil. (Sema)

 

 

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