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3 de janeiro de 2017
publicado às 15h48
Análise de agrotóxicos da ANVISA ignora riscos

Apple Sampling for Pesticides Testing in Germany Apfel Pestizid ProbennahmeA Agência Nacional de Vigilância Sanitária publicou seu mais recente relatório do Programa de Avaliação de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos (PARA). Surpreendentemente, o estudo apresenta resultados de análise toxicológica de 12 mil amostras de alimentos sem mencionar explicitamente agrotóxicos ilegais e minimizando as irregularidades encontradas.

No mínimo suspeito, uma vez que o Greenpeace testou apenas 20 amostras de alimentos da merenda da rede pública municipal do Rio de Janeiro e encontrou ilegalidade em 12 delas. Confira os resultados completos aqui.

Há vários problemas no PARA, segundo nota da Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida, começando pela diminuição do número total de agrotóxicos testados. De acordo com dados do Ibama, 56% do consumo de agrotóxicos no Brasil se concentra em duas substâncias: glifosato e 2,4-D. Nenhuma das duas foi testada no relatório.

O Instituto de Defesa do Consumidor (Idec) notou que neste ano os resultados foram apresentados de forma diferente dos anos anteriores, dificultando a comparação dos dados. Segundo análise publicada em seu site, o Idec chama atenção para o número de agrotóxicos diferentes presente em um mesmo alimento. “Nas amostras de pimentão foram encontrados 88 tipos, nas de abobrinha, 78, e nas de uva, 72. Isso é muito preocupante, porque entre os agrotóxicos encontrados, muitos não são permitidos para o cultivo daquele alimento. E em todos os alimentos foram encontradas essas substâncias não autorizadas”, diz o texto.

Outro ponto importante é que mais de 20% dos agrotóxicos aplicados nas lavouras brasileiras são contrabandeados ou falsificados. São substâncias sem o menor controle dos órgãos públicos regulamentadores.

A opinião pública contra os agrotóxicos

“As pessoas querem aumentar o controle sobre os agrotóxicos e não diminuir, como estão fazendo com a ANVISA”, disse Rafael Cruz, da Campanha de Agricultura e Alimentação do Greenpeace Brasil e convidado a participar de seminário sobre direito à alimentação realizado em Brasília pela Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados.

Durante a abertura do evento, o presidente da Frente Parlamentar de Segurança Alimentar e Nutricional, deputado Padre João (PT/MG), ressaltou que o seminário tinha como objetivo “denunciar a atual tentativa de desmonte dos avanços conquistados pela sociedade”.

Rafael Cruz, representando o Greenpeace, participa de evento sobre direito à alimentação na Câmara dos Deputados (© Alan Azevedo / Greenpeace)

Apresentando ao público pesquisa IBOPE encomendada pelo Greenpeace, que mostra que 81% da população brasileira considera a quantidade de agrotóxicos aplicados nas lavouras “alta” ou “muito alta”, Cruz disse: “os grandes responsáveis pela ameaça ao direito à alimentação são os ruralistas. Temos duas batalhas aqui: o PL [Projeto de Lei] 6299 e o desmonte da ANVISA, que está dando passos largos para trás. Mas nós estamos armados com a opinião pública, [agrotóxico] virou até tema de novela. A população não quer mais pagar o preço por uma agricultura suja e cara. Os brasileiros querem comer sem veneno, querem comer barato. Contra essa ideia não tem desmonte ruralista que dê jeito”.

Além do PL 6299/2012, que está sendo apreciado em Comissão Especial da Câmara com o objetivo de modificar a lei de agrotóxicos para facilitar sua liberação e de mudar sua denominação para o controverso termo “defensivos fitossanitários”, tramitam outras iniciativas como cortes no orçamento que afetarão órgãos públicos dedicados à vigilância e regulação de pesticidas.

Estavam também no debate representantes da Campanha Permanente Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida, da Confederação Nacional dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura Familiar do Brasil (CONTRAF), do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (CONSEA), da Rede Nacional de Colegiados Territoriais, da Confederação Nacional Quilombola, do Conselho Federal de Nutricionistas e do Movimento dos Pequenos Agricultores/Via Campesina. (Greenpeace – Brasil).

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