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29 de agosto de 2016
publicado às 15h50
Animais são prejudicados com as queimadas em áreas verdes no Mato Grosso

Animais são prejudicados com as queimadas em áreas verdes no Mato GrossoCom mais de 15 mil focos de incêndios registrados durante este ano, Mato Grosso lidera o ranking de queimadas no país. Além da destruição de parte do ecossistema vegetal, as chamas afetam também a fauna local. Os animais silvestres resgatados após queimaduras são tratados e devolvidos à natureza, em um ambiente em que as chances de queimadas são menores.

Entre os animais afetados estão cobras, antas, onças, macacos, tamanduás e tartarugas. O resgate é realizado pelo Batalhão de Polícia Militar de Proteção Ambiental.

De acordo com o sargento da Polícia Militar Joelson de Paula, gerente de Fauna da Secretaria Estadual de Meio Ambiente (Sema), as queimadas afetam mais os filhotes. No caso das aves, principalmente, já que ainda não têm a habilidade de voar e os répteis, como explica o sargento. “Mamíferos, como os macacos, geralmente conseguem fugir por causa da boa mobilidade que eles têm, diferentemente dos répteis, que entre os mais afetados. Por se arrastarem, eles não têm condições físicas de fazer grandes deslocamentos e, por isso, geralmente, eles se escondem onde dá.”

O PM disse ainda que as queimadas chegam a alterar o comportamento social dos animais. Em busca de sobreviver nesse ambiente que é hostil a grande parte das espécies, é comum observar traços específicos que os animais não teriam em outros contextos.
“Às vezes, o desespero é tanto, que é bem normal encontrar duas espécies conflitantes em um mesmo espaço. Esses animais acabam encontrando um buraco para se abrigar, por exemplo, e acabam compartilhando o refúgio com um animal que normalmente não convive com ele”, comentou.

Tratamento
Os animais machucados resgatados são levados para o Centro de Triagem do Batalhão Ambiental e passam por alguns exames. Dependendo da lesão que for constatada, ele é encaminhado para o Hospital Veterinário da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) ou para o Centro Universitário de Cuiabá (Unic).

O sargento afirmou que ainda não existe uma contagem oficial de animais resgatados com lesões causadas pelo fogo, mas que o número tem aumentado acompanhando o aumento dos focos de queimada em Mato Grosso.

“Nessas últimas semanas, nós atendemos duas iguanas, duas jiboias, um cachorro vinagre [também conhecido como cachorro do mato] e um tucano. Todos foram vítimas de algum tipo de queimada no estado. Somente o cachorro vinagre que infelizmente não resistiu e acabou morrendo. Os outros nós conseguimos reabilitar e estamos devolvendo para a natureza, para regiões com menores riscos de incêndio”, informou.

Queimadas
Mato Grosso lidera o ranking de queimadas no país em 2016, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Até o dia 25 de agosto foram registrados 15.807 focos de calor em todo o estado, número 45% maior ao computado no mesmo período no ano passado.

Os municípios mais atingidos no estado durante o mês de agosto foram Colniza, distante a 1.065 km da capital, com 425 focos e Nova Nazaré, localizado a 800 km de Cuiabá, que contabilizou 399 pontos de calor. Levando em consideração o ano todo, Gaúcha do Norte, a 595 km da capital, é a quinta cidade com mais registros no Brasil. Foram 887 focos de incêndio.

Fonte: G1

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