Salve a Amazonia
8 de fevereiro de 2018
publicado às 13h24
Ativistas protestam contra exportação de animais vivos em Belo Horizonte

Ativistas protestam contra exportação de animais vivos em Belo HorizonteDurante o protesto, ativistas entregaram ao cônsul documento contra a exportação de animais vivos.

Ativistas pelos direitos animais realizaram um protesto em frente ao Consultado da Turquia, em Belo Horizonte, Minas Gerais, na última quarta-feira (7), contra a exportação de animais vivos.

Velas, fotos e cartazes com frases que faziam referência à exploração e a crueldade animal foram utilizados pelos manifestantes. Um dos ativistas segurava um cartaz com os dizeres: “mergulham em fezes e urina, se machucam e adoecem”. As palavras se referem às condições em que são mantidos os animais dentro dos navios que os transportam para outros países, como a Turquia.

Um documento contra o transporte de animais vivos para o exterior foi entregue pelos ativistas ao cônsul da Turquia em Belo Horizonte. A nota, que atribui à bancada ruralista no Congresso a volta do transporte de animais no Porto de Santos, depois de 20 anos sem realizar as operações, classifica tal retorno como um retrocesso.

“São esses representantes que continuam explorando, arbitrariamente, milhares e milhares de inocentes, com o uso de suas fortunas, muitas vezes advindas da corrupção e da desonestidade, mandando e desmandando sem que ninguém os impeça, enquanto todos sofrem, sejam pessoas ou animais”, diz a nota ao se referir à bancada ruralista.

Entenda o caso

As manifestações dos ativistas tiveram início em dezembro de 2017, quando o Porto de Santos voltou a realizar operações de embarque de animais vivos, colocando 27 mil bois em um navio que os levou à Turquia. Em janeiro, outro embarque, desta vez com 25 mil bois, foi realizado. Maus-tratos foram registrados pelos ativistas, nas duas operações, por meio de fotos e vídeos.

O barulho feito pelos manifestantes e as ações judiciais – movidas pela Agência de Notícias de Direitos Animais (ANDA), pela Associação de Proteção Animal de Itanhaém (AIPA) e pelo Fórum Nacional De Proteção e Defesa De Animal -, fizeram com que, no segundo embarque, fossem realizadas inspeções técnicas nos caminhões que levaram bois ao porto e no navio NADA, o maior do mundo para o transporte de animais vivos. Além disso, em resposta às ações judiciais, a embarcação foi proibida de seguir viagem e o desembarque dos animais, que deveriam ser levados às fazendas de origem, foi determinado. A ordem judicial que obrigava a retirada dos bois do navio, entretanto, jamais foi cumprida.

Os maus-tratos foram, então, comprovados pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Santos, que vistoriou os caminhões, e pela médica veterinária Magda Regina que, obedecendo à ordem judicial, esteve na fiscalização feita nas carretas e também adentrou ao navio. O laudo emitido pela veterinária concluiu “que a prática de transporte marítimo de animais por longas distancias está intrínseca e inerentemente relacionado à causação de crueldade, sofrimento, dor, indignidade e corrupção do bem-estar animal sob diversas formas”.

A Minerva Foods, responsável pelos bois nos dois embarques, foi multada pela Prefeitura de Santos em mais de R$ 3,4 milhões por maus-tratos a animais e poluição ambiental.

Apesar dos maus-tratos e das implicações ambientais, o navio seguiu viagem na madrugada da última segunda-feira (5), após o Poder Executivo e a bancada ruralista do Legislativo intervirem, de forma ditatorial, no Poder Judiciário, derrubando a liminar que impedia a saída do navio. Ainda na segunda-feira, outra liminar foi derrubada devido à intervenção dos poderes Executivo e Legislativo. Dessa vez, foi anulada a decisão que proibia a exportação de animais vivos nos portos brasileiros, liberando, novamente, a prática cruel.

Os ativistas, agora, prometem pautar o Congresso Nacional para tentar proibir o transporte marítimo de animais no país. Um Projeto de Lei sobre o assunto foi protocolado na Câmara pelo deputado Ricardo Tripoli (PSDB-SP).

Carolina Carvalho, uma das organizadoras do protesto em Belo Horizonte, afirma que “é preciso abrir os olhos para ver que somos verdadeiros escravos desse sistema, tanto quanto os animais. Estamos indignados em ver que a decisão da justiça não foi cumprida, mesmo depois de juízes terem determinado que o navio não tinha condições de seguir viagem. Bastou uma ação do governo para que nada disso valesse e o povo mais uma vez não tivesse voz”.

Ações por todo o país e em Portugal

Cidades brasileiras realizaram atos e protestos contra a exportação de animais vivos. Confiram abaixo as datas, horários e endereços das ações:

Brasília – 06 de fevereiro – 18:30h – 20:30h – A ação organizada pelo coletivo abolicionista FALA – Frente de Ações pela Libertação Animal foi realizada em frente à embaixada da Turquia. Para mais informações acesse a página do evento no Facebook.

São Paulo – 07 de fevereiro – 17h – Av. Paulista, 1842 – Bela Vista. Ativistas se reuniram em frente ao Tribunal Regional Federal da 3ª Região.

Salvador – 07 e 08 de fevereiro – foi realizada uma vigília com início às 18h da última quarta-feira (07) até às 08h de quinta-feira (08), em frente ao Shopping Bahia, na Shopping da Bahia, Av. Tancredo Neves, 148, Caminho das Árvores. Para mais informações acesse a página do evento no Facebook. A ação foi organizada por ativistas da Frente Libertária Brasil Vegano.

Rio de Janeiro – 08 de fevereiro – 17h – A capital carioca reunirá ativistas pelos direitos animais em frente à embaixada da Turquia na Praia de Botafogo, 228, zona Sul do RJ. Confira a página do evento no Facebook.

São Paulo – 18 de fevereiro – de 12h às 14h – Av. Paulista, 1578 – MASP. Confira mais informações na página do evento no Facebook.

Portugal – 24 de fevereiro – 10h (fuso horário europeu) – Ativistas lusitanos realizarão em frente a embaixada brasileira em Portugal um ato de repúdio à exportação de animais vivos em Quinta de Milflores – Estrada das Laranjeiras, 144. Mais detalhes da página do evento no Facebook. (ANDA).

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