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16 de agosto de 2015
publicado às 22h46
Austrália decepciona e sinaliza metas fracas de redução de emissões

Yellow-footed rock wallaby (Petrogale xanthopus); AustraliaO governo australiano anunciou nesta terça-feira, 11 de agosto, sua meta de redução de emissão de carbono pós-2020. A proposta, de 26% até 2030 em relação aos níveis de 2005 (o que equivale a 19% menos em relação aos índices de 2000), está muito longe de ser algo representativo junto a um esforço internacional para manter o aquecimento global abaixo de 2º C.

Da forma como foi divulgada, a meta coloca a Austrália na parte de trás do bloco de países desenvolvidos, com esforços bem abaixo dos feitos por EUA, Reino Unido, China e outros, e deixa a Austrália como um dos maiores emissores per capita do mundo. Para diminuir o peso australiano nas emissões e evitar níveis perigosos de aquecimento global, o WWF-Austrália e outras organizações defendem uma redução de 65% em relação aos níveis de 2005.

“O projeto de meta anunciada é totalmente inadequado para proteger as pessoas e lugares que amamos dos impactos do aquecimento global”, disse a gerente da área de Mudanças Climáticas do WWF-Austrália, Kellie Travado.

“Os australianos já estão sentindo os efeitos extremos do clima sendo agravados crescentemente pelo aquecimento global na nossa comida, em fazendas, na saúde, na economia e em lugares emblemáticos como a Grande Barreira de Corais. Se todos os países seguissem o esforço da Austrália o mundo estaria em vias de 3º C a 4º C de aquecimento. Os australianos e nosso ambiente precioso merecem uma proposta mais audaciosa do governo”, diz Kellie.

O anúncio de hoje também não forneceu quaisquer indicações sobre como a Austrália iria cumprir compromisso feito no passado de aumentar o seu apoio financeiro para ajudar os países em desenvolvimento em mitigação e adaptação às mudanças climáticas. Porém, por se tratar de um projeto, ainda pode sofrer mudanças até a COP de Paris.

“Entre agora e a Conferência da ONU sobre mudanças climáticas, em dezembro, o governo da Austrália tem a oportunidade de reforçar as suas metas de redução de poluição de carbono e definir um plano de longo prazo para fornecer financiamento aos nossos vizinhos regionais para ajudá-los a mitigar e se adaptar às mudanças climáticas”, acrescenta Kellie.

REPERCUSSÃO
A resposta ao baixo comprometimento australiano veio dentro e fora do país. Enquanto o WWF-Austrália e outras organizações já iniciaram uma série de posts nas redes sociais exigindo metas mais altas de redução, o ministro das relações exteriores da República das Ilhas Marshall, Tony de Brum, divulgou um comunicado em que classifica “a fraca meta da Austrália” como “um sério golpe à sua reputação internacional”.

Segundo Brum, o anúncio “enviará um tremor grave através do Pacífico e suscitará preocupações entre os seus aliados mais próximos, incluindo os Estados Unidos e a Europa”.

“Se o resto do mundo seguisse o exemplo da Austrália, a Grande Barreira de Corais desapareceria. Com isso, o meu país e as outras nações da Grande Barreira ficariam vulneráveis às decisões da Austrália”, diz.

Ainda de acordo com ele, “ainda temos três meses para os países melhorarem suas propostas antes de ir para Paris. É hora de todos nós retomarmos uma tarefa muito séria. As Ilhas Marshall apresentaram a sua própria meta ambiciosa [com redução de 32% em relação aos níveis de 2010 até 2025 e um indicativo de redução de 45% em relação aos níveis de 2010 até 2030] no mês passado. Os grandes emissores terão de reexaminar as suas ambições se quiserem que Paris seja um sucesso.”

O Brasil é um dos países com grande emissão que ainda não divulgou sua meta. O prazo para que os compromissos entrem no relatório da COP-21 termina em 1º de outubro. (WWF-Brasil).

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