Salve a Amazonia
9 de fevereiro de 2018
publicado às 13h17
Brasil pretende exportar 100 mil bois vivos nos próximos dias

Brasil pretende exportar 100 mil bois vivos nos próximos diasAlém de enviar animais vivos para outros países, o Brasil também exporta a carne halal, que tem como característica ser produzida a partir da morte cruel de um animal ainda consciente.

Estão sendo mantidos em confinamento 100 mil bois que serão embarcados em navios nos portos brasileiros nos próximos dias. É o que afirma o ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Blairo Borges Maggi, em entrevista ao portal Globo Rural.

“Temos aí mais de 100 mil bois em confinamentos e estações de quarentena para serem exportados nos próximos dias. São navios que vão chegar e não podemos parar com tudo isso”, afirmou o ministro que tem motivos claros para se posicionar favorável ao cruel transporte marítimo de animais vivos.

Além de ser um dos maiores produtores de soja do mundo – grão majoritariamente utilizado para alimentar animais explorados pela pecuária -, outra razão que faz com que Maggi tenha interesse em manter e aumentar as exportações de bois vivos é o lucro que a prática produz. De acordo com levantamento feito pela Agrostat, tais exportações renderam ao Brasil uma quantia de R$ 890 milhões.

Os animais enviados ao exterior, tendo como destino principal a Turquia, são submetidos a viagens longas e extremamente estressantes. No último embarque feito pelo Brasil, realizado no mês de janeiro no Porto de Santos, foram registrados por ativistas e por inspeção técnica realizada pela médica veterinária Magda Regina, situações extremas de maus-tratos.

Os animais que foram embarcados no navio NADA e que, neste momento, viajam para a Turquia, foram registrados, por meio de fotos e vídeos, em baias superlotadas e extremamente sujas. Os animais foram submetidos a um ambiente com imensa quantidade de fezes e urina, ventilação e temperatura inadequadas, ruído ensurdecedor advindo do equipamento de ventilação, além de água em quantidade insuficiente e, assim como a comida, contaminada por excrementos.

De acordo com Magda, “a prática de transporte marítimo de animais por longas distâncias está intrínseca e inerentemente relacionado à causação de crueldade, sofrimento, dor, indignidade e corrupção do bem-estar animal sob diversas formas”.

Exportação de carne halal tem perspectiva de crescimento

Além dos animais enviados vivos a outros países, o Brasil também exporta a carne halal, e a perspectiva para os próximos dois anos é de aumento das exportações desse tipo de carne.

Ali Saifi, diretor executivo da Cdial Halal, empresa que comercializa carne halal, afirmou em entrevista ao Globo Rural que o Brasil deve iniciar, em 2018, a exportação de carnes halal para a Indonésia, sendo o país um mercado com potencial de U$ 80 milhões. A estimativa de aumento das exportações desse produto é de 60% até 2020.

O Brasil é o país que lidera as vendas de carne halal, comercializando dois milhões de toneladas do produto por ano, enviadas a 22 países de cultura islâmica. Segundo a Câmara de Comércio Árabe-Brasileira, em 2017, o Oriente Médio comprou 16% mais produtos de origem animal brasileiros, sendo os principais carnes de boi e de frango.

A crueldade da carne halal

A carne halal é produzida segundo critérios religiosos islâmicos. O biólogo Sérgio Greif explica, em parecer técnico, quais são esses critérios e de que forma eles causam sofrimento aos animais.

“A técnica de abate halal deve seguir os seguintes passos: o animal deve ser abatido por um muçulmano que tenha atingido a puberdade; ele deve pronunciar o nome de Alá com a face do animal voltada para Meca ou recitar a oração Bismillah Allah-u-Akbar; o animal não deve estar com sede no momento do abate; a faca deve estar bem afiada e ela não deve ser afiada na frente do animal, porque pode causar tensão imprópria àquele animal; o corte deve ser no pescoço em um movimento de meia-lua; a matança será feita cortando a garganta do animal ou perfurando a
garganta, causando a morte mais rápida com a menor quantia de dor; deve-se cortar os três principais vasos (jugular, traquéia e esôfago) do pescoço; a morte deve ser rápida para evitar sofrimentos para o animal; o sangue deve ser totalmente retirado da carcaça”, explica Greif.

Apesar de entre as regras ser citada a morte rápida sem sofrimento, o biólogo lembra que, na prática, a situação é outra. Greif afirma que mesmo que o animal não esteja com sede na hora da morte, isso não garante que ele não tenha sofrido privação de água horas ou dias antes, devido às distâncias percorridas. O biólogo lembra ainda que os animais que esperam para serem mortos frequentemente assistem a morte de outros animais, “o que lhes causa uma tensão maior do que se presenciassem uma faca sendo afiada”.

O biólogo lembra ainda que a alegação feita pelos islâmicos de que a morte do animal é rápida não é verdadeira, isso porque, segundo Greif, matá-lo rapidamente “impediria a continuidade de seus batimentos cardíacos; apenas com o funcionamento do coração o sangue poderá ser totalmente retirado da carcaça”.

O ritual feito para matar o animal também impede que ele seja submetido a um processo de insensibilização ou atordoamento antes de ser morto. Isso porque, segundo as regras do islamismo para tal procedimento, o animal deve estar consciente no momento em que tem sua garganta cortada com uma faca bem afiada.

O biólogo afirma ainda que “diversos estudos comprovam que de fato os animais sofrem severamente durante o processo de abate islâmico” e que “uma grande variedade de vídeos disponíveis no Youtube ilustram de que forma, na prática, o abate ritual islâmico é realizado, deixando poucas duvidas em relação aos maus- tratos envolvidos”.

Greif conta que em alguns dos vídeos é possível ver animais sendo desembarcados em matadouros turcos, provavelmente vindos de países distantes. “Os animais mostram evidencias de estarem debilitados, desnutridos, doentes ou machucados, mal podendo se sustentar em seus próprios corpos, quando então são presos em equipamentos de contenção e tem suas gargantas cortadas a sangue frio”, afirma o biólogo, que completa dizendo que existem outros vídeos que “mostram muçulmanos comuns abatendo animais de forma artesanal, em ruas e outros estabelecimentos, uma vez que a religião não exige especialização ou local específico para a prática. Em todos eles, porém, fica flagrante que os princípios teóricos de bem estar animal defendidos para o abate ritual islâmico não costumam ser utilizados na prática”, diz.

No parecer do biólogo, mais precisamente nas páginas 14 e 15, são colocados dez links de vídeos que mostram a forma como os animais são tratados e mortos, repleta de sofrimento, em países que seguem o islamismo. Dois dos vídeos podem ser conferidos clicando aqui e aqui, o restante está disponível no documento elaborado por Greif, que pode ser visualizado, na íntegra, clicando aqui. (ANDA).

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