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27 de janeiro de 2019
publicado às 12h42
Brumadinho tem risco iminente de novo rompimento

Brumadinho tem risco iminente de novo rompimentoO Corpo de Bombeiros afirmou, na madrugada deste domingo (27), que existe “risco iminente” de rompimento de uma outra barragem em Brumadinho, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Equipes fazem a evacuação das comunidades Córrego do Feijão e Tejuco, próximas à barragem 6, também pertencente à Vale.

A barragem com risco de se romper é um depósito de água, com volume de 1 milhão de m³, e fica ao lado da barragem 1, de rejeitos de minério, que rompeu na sexta-feira (25).

De acordo com o porta-voz da corporação, tenente Pedro Aihara, a barragem possui água e está sendo drenada pela Vale. Fica próxima à que cedeu na sexta-feira.

O tenente informou que, a partir deste domingo o espaço aéreo da região, ficará fechado para aeronaves em geral por determinação da Aeronáutica. O objetivo é facilitar ações de resgate. “Somente aeronaves envolvidas nas ações de resgate podem sobrevoar o local”, diz o porta-voz.

As buscas por sobreviventes do rompimento da barragem da mineradora Vale em Brumadinho, região metropolitana de Belo Horizonte, foram temporariamente interrompidas na manhã deste domingo pelo risco de rompimento de uma outra barragem na região. Uma sirene foi acionada por volta das 5h30, e moradores de partes baixas da cidade começaram a deixar as suas casas em direção a regiões mais altas. 24 mil pessoas devem sair de casa, de acordo com os bombeiros.

O rompimento da barragem 1 da Mina Córrego do Feijão, da Vale, ocorreu no início da tarde da última sexta-feira. Um mar de rejeitos destruiu casas da região e a área administrativa da empresa.

Há ao menos 37 mortos, 81 desabrigados e 23 feridos em hospitais, segundo os bombeiros. A Vale divulgou uma lista com mais de 250 nomes de funcionários com os quais não conseguiu contato.

Neste domingo, as sirenes foram acionadas por volta das 5h30 após ser detectado um aumento dos níveis de água nos instrumentos que monitoram a barragem 6, de acordo com a Vale.

Rompimento de barragem da Vale no Córrego do Feijão, em Brumadinho (MG) — Foto: G1

Rompimento de barragem da Vale no Córrego do Feijão, em Brumadinho (MG) — Foto: G1

Ainda segundo a mineradora, as autoridades foram avisadas e, como medida preventiva, a comunidade da região está sendo deslocada para os pontos de encontro determinados previamente pelo Plano de Emergência.

Pedro Aihara, porta-voz dos bombeiros, disse que as áreas de risco são os bairros de Parque da Cachoeira, Pires, Centro e Novo Progesso. Os moradores desses locais devem deixar as suas casas e se direcionarem a 3 pontos de encontro: Igreja Matriz, no centro, o quartel da Polícia Militar e Morro do Querosene. Segundo ele, esses locais são considerados seguros, mesmo se houver o rompimento.

Ainda de acordo com Aihara, a barragem 6 tem de 3 a 4 milhões de metros cúbicos de água e é usada como apoio às operações da mina.

Policiais ajudaram a orientar a população em algumas partes da cidade, mas moradores de outras regiões reclamaram da falta de orientação. Equipes dos bombeiros foram ao bairro Parque da Cachoeira, que é o principal ponto de preocupação pelo risco de rompimento e onde há aproximadamente 25 casas.

Família de moradores de Brumadinho deixam sua casa após alarme sobre risco de rompimento de nova barragem — Foto: Paula Paiva Paulo/G1

Família de moradores de Brumadinho deixam sua casa após alarme sobre risco de rompimento de nova barragem — Foto: Paula Paiva Paulo/G1

Um morador da parte baixa de Brumadinho disse em entrevista ao vivo à GloboNews que se assustou com o alarme e que, inicialmente, não sabia do que se tratava exatamente. Segundo ele, os vizinhos começaram a ligar uns para os outros para entender o que estava acontecendo e foram para a parte alta da cidade só depois que a polícia militar confirmou que era para todos deixarem suas casas.

“Larguei a casa, peguei só uns suprimentos e documentos e fui embora. Não teve nenhum treinamento para saber se podíamos pegar mais coisas”, disse.

Casal com familiares desaparecidos observa a área inundada após o rompimento da barragem da Vale em Brumadinho. — Foto: André Penner/AP

Casal com familiares desaparecidos observa a área inundada após o rompimento da barragem da Vale em Brumadinho. — Foto: André Penner/AP

A chuva em Brumadinho dificultou os trabalhos de resgate neste sábado. Um ônibus foi encontrado com mortos na região próxima à barragem rompida, mas o número ainda não foi divulgado. Uma pousada que é destino de famosos foi soterrada e poucas vítimas foram resgatadas. O presidente da Vale, Fabio Shvartsman, também sobrevoou a área afetada no sábado.

Área inundada pela lama depois do rompimento da barragem da Vale em Brumadinho. — Foto: Divulgação/Cemig

Área inundada pela lama depois do rompimento da barragem da Vale em Brumadinho. — Foto: Divulgação/Cemig

Nova decisão

Na noite deste sábado a Justiça de Minas Gerais expediu uma segunda decisão de bloqueio de R$ 5 bilhões da Vale em razão do rompimento de uma barragem da empresa. Nesta nova ação, o bloqueio tem por objetivo garantir recursos para reparar os danos causados as pessoas atingidas pela tragédia. Na anterior, também movida pelo MP de Minas, o destino é dos recursos é o pagamento de despesas ambientais.

Com nova decisão, chega a três o número de bloqueios de recursos da Vale:

Além disso, a companhia recebeu duas multas. Uma, de R$ 250 milhões, aplicada pelo Ibama e outra, de R$ 99 milhões, aplicada pelo governo do estado.

O que se sabe até agora:

  • Há ao menos 37 mortos, 81 desabrigados e 23 feridos em hospitais, segundo os bombeiros; 192 sobreviventes foram resgatados.
  • A Vale divulgou uma lista com mais de 250 nomes de funcionárioscom os quais não conseguiram contato (veja). Além destes funcionários, há outras possíveis vítimas entre pessoas que estavam em casas e em uma pousada na região;
  • Familiares de desaparecidos buscaram informações no IML de BH. Uma força-tarefa foi formada, mas a identificação dos corpos é difícil;
  • Oito corpos foram identificados e tiveram os nomes divulgados no sábado – veja aqui a lista;
  • Bombeiros divulgaram lista de 183 nomes de pessoas que foram achadas vivas (veja);
  • A Vale já teve três bloqueios de recursos, de R$ 1 bilhão, R$ 5 bilhões e R$ 5 bilhões (veja) e recebeu multas no total de R$ 350 milhões;
  • As Polícias Federal e Civil abriram inquéritos sobre o rompimento (veja);
  • O presidente Jair Bolsonaro, ministros, o governador Romeu Zema e a procuradora-geral da República, Raquel Dodge sobrevoaram a área e prometeram ações de investigação, punição e prevenção;
  • A ONU emitiu nota de pesar e ofereceu ajuda nos esforços de busca.

Reunião técnica

O ministro do Desenvolvimento Regional, Gustavo Canuto, comandou uma reunião com técnicos neste domingo na sede da Agência Nacional de Águas (ANA), em Brasília. O encontro tentou reunir informações mais precisas sobre quatro pontos:

  • Qualidade da água do rio Paraopeba;
  • Previsões de avanço dos rejeitos da mina que rompeu;
  • Estabilidade da barragem 6;
  • Relatório de segurança de barragens de 2017.

Canuto afirmou no início da reunião que a “questão central” é a barragem 6. O ministro classificou a tragédia em Brumadinho como “inacreditável”: “Realmente muitos desaparecidos, probabilidade de mortes aumentarem substancialmente”, disse.

Ajuda de Israel

Ao serem retomadas, as buscas devem contar com apoio de bombeiros de outros estados, como do Rio de Janeiro, e também com a ajuda de profissionais israelenses. Um avião com 130 soldados saiu de Israel em direção ao Brasil às 6h da manhã deste domingo, no horário de Brasília. O reforço deve chegar por volta das 21h30.

Além dos soldados, Israel enviou ao Brasil sonares do tipo usado em submarinos para localizar pessoas em grande profundidade com alta qualidade de recepção de imagem e detectores de vozes e ecos. Cerca de 16 toneladas de equipamentos estão sendo trazidas.

Segundo a repórter Gioconda Brasil, da TV Globo, o governo israelense enviará também uma aeronave com equipe médica, especialistas e engenheiros. O apoio foi oferecido pelo premiê Benjamin Netanyahu e aceito pelo presidente Jair Bolsonaro.

Impacto

O presidente da mineradora, Fábio Schvartsman, diz que ainda não se sabe o que causou o rompimento da barragem e que foi uma surpresa, porque as indicações eram de que estava “tudo em ordem”.

Os rejeitos da mineração são resultado do processamento para separar o minério de ferro bruto de impurezas que não têm valor. Essa sobra contêm restos de minério, sílica e derivados de amônia.

Moradores do Parque da Cachoeira, em Brumadinho (MG) observam passagem de helicóptero. — Foto: Mauro Pimentel/AFP

Moradores do Parque da Cachoeira, em Brumadinho (MG) observam passagem de helicóptero. — Foto: Mauro Pimentel/AFP

A Vale afirma que a lama vazada não é tóxica. Especialistas dizem, porém, que há danos ambientais graves, como a contaminação do solo e da água por minério fino, que fica na sobra dos rejeitos. Veja mais informações de especialistas.

A comunidade local já tinha alertado os órgãos ambientais do estado para o risco da continuidade das operações na mina do Córrego do Feijão, que já estava esgotada.

Estima-se que a lama percorra 200 km de área e chegue ao rio São Franciso. Ela está descendo a Serra dos Dois Irmãos, que é rica em Mata Atlância, deve cair no rio Paraopeba, que abastece um terço da região metropolina de Belo Horizonte.

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