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9 de fevereiro de 2017
publicado às 14h06
Chef Rita Lobo participa de evento sobre alimentação saudável em Brasília

Chef Rita Lobo participa de evento sobre alimentação saudável em BrasíliaA apresentadora e chef de cozinha Rita Lobo participou na sexta-feira (27) de evento realizado por Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS), Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) e Ministério da Saúde em Brasília com o objetivo de melhorar a qualidade da alimentação no Brasil e no mundo.

Relatório divulgado na semana passada por FAO e OPAS/OMS mostrou que mais da metade (58%) da população adulta latino-americana e caribenha está com excesso de peso. São 360 milhões de pessoas, sendo 50 milhões somente no Brasil.

Na ocasião, Rita buscou desconstruir alguns mitos sobre a alimentação. “Não existe um alimento que possa melhorar radicalmente a vida de ninguém. O importante é a pessoa saber identificar o que é comida e o que é imitação de comida. Se no rótulo aparece edulcorante, aromatizante e outros nominhos estranhos, não é comida de verdade”, explicou.

Segundo Rita, a alimentação é responsabilidade de todos na casa. “Para a minha mãe, cozinhar era algo de mulher desocupada, de submissão. Hoje, essa percepção já mudou. Precisamos estimular todos, pai, mãe, filhos, a serem responsáveis por cozinhar, fazerem as compras na feira, planejarem a marmita. A alimentação é dever de todos na casa”, completou.

Para o representante da OPAS/OMS no país, Joaquín Molina, a “epidemia de obesidade” no Brasil e no mundo está diretamente ligada à má alimentação. “Estamos consumindo produtos cheios de conservantes, gorduras, sal, açúcar. Alimentos ultraprocessados que não lembram em nada a ‘comida da vovó’”, afirmou.

Para dar dicas sobre como identificar “comida de verdade”, Ministério da Saúde e OPAS/OMS e Universidade de São Paulo (USP) lançaram o Guia Alimentar para a População Brasileira. A publicação detalha combinações saudáveis para café da manhã, almoço, jantar e lanches, respeitando as diferenças regionais e sugerindo alimentos e bebidas de fácil acesso para os brasileiros.

Durante o evento em Brasília, o representante da FAO no Brasil, Alan Bojanic, apresentou dados do “Panorama da Segurança Alimentar e Nutricional na América Latina e Caribe”, segundo o qual os governos precisam aumentar suas políticas de apoio à alimentação saudável e sustentável nos países da região.

“O crescimento econômico e a globalização diminuíram o consumo de alimentos minimamente processados e aumentou o de produtos adocicados ou de alto teor de gordura, sódio. O que antes só se via nos países desenvolvidos, agora se vê também na América Latina e no Caribe”, disse.

Para o diretor do Departamento de Atenção Básica do Ministério da Saúde, Allan Souza, as equipes de saúde da família têm trabalhado com a educação alimentar como forma de promover a saúde. “Temos desenvolvido no Sistema Único de Saúde ações que não estejam vinculadas somente a cuidar da pessoa que está doente. Alimentar-se mal, por exemplo, também gera uma série de complicações no organismo do indivíduo ou piora condições, podendo levar à hipertensão, diabetes”.

Segundo ele, o “Panorama da Segurança Alimentar e Nutricional na América Latina e Caribe” é um instrumento importante para o país. “Relatórios como esse ajudam o governo a pensar, formular programas que vão impactar de maneira importante na vida da população brasileira”.

Com a divulgação do documento, a FAO e OPAS/OMS uniram-se para promover sistemas alimentares saudáveis e sustentáveis que aliem agricultura, alimentação, nutrição e saúde. Essas duas agências consideram que medidas educativas são necessárias, principalmente para as crianças, que precisam saber desde cedo o que é “comida de verdade”.

Experiências positivas na América Latina e Caribe

Há várias experiências positivas na região. O Brasil, por exemplo, promulgou recentemente uma lei que proíbe a publicidade de substitutos do leite materno e regula a publicidade de outros alimentos voltados para mães e crianças de até dois anos.

Barbados, Dominica e México aprovaram impostos para as bebidas açucaradas. Bolívia, Chile, Peru e Equador contam com leis de alimentação saudável que regulam a publicidade e os rótulos dos alimentos.

Para ajudar os países a continuar alcançando esses avanços, a OPAS/OMS desenvolveu um modelo de perfil nutricional que identifica bebidas e alimentos com excesso de componentes críticos, como açúcares, sal, gorduras totais, gorduras saturadas e gorduras trans. Essa publicação auxilia os países na criação e implementação de estratégias para prevenir e controlar o excesso de peso.

Entre as boas práticas apontadas, estão: o uso de rótulos de alerta na parte frontal das embalagens; a restrição na comercialização de alimentos e bebidas pouco saudáveis para crianças; a regulação de alimentos e bebidas vendidos nas escolas; a definição de políticas fiscais para limitar o consumo de alimentos não saudáveis; a identificação de alimentos a serem fornecidos por programas sociais para grupos vulneráveis; e subsídios para reduzir preços de frutas frescas e vegetais.

A Assembleia Geral das Nações Unidas proclamou no dia 1º de abril a Década de Ação das Nações Unidas sobre Nutrição, de 2016 a 2025. A resolução visa desencadear uma ação intensificada para acabar com a fome e erradicar a desnutrição em todo o mundo, além de assegurar o acesso universal a dietas mais saudáveis e sustentáveis. (ONU Brasil).

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