Salve a Amazonia
27 de fevereiro de 2017
publicado às 08h54
Com fantasias sem crueldade e enredo sobre animais, Águia de Ouro brilha no Carnaval paulista

Com fantasias sem crueldade e enredo sobre animais, Águia de Ouro brilha no Carnaval paulistaA escola de samba Águia de Ouro, do Grupo Especial do Carnaval paulista, foi pra Avenida este ano com um enredo sobre amor e respeito aos animais não humanos, além de não ter usado penas, plumas e outros itens que são provenientes do sofrimento dos mesmos.

A Águia foi a última escola a ir pra Avenida na primeira noite de desfiles em São Paulo, e fez história levando ao público um tema que vem ganhando cada vez mais importância em todo o mundo, devido ao crescimento do Veganismo.

O desfile foi transmitido pela Rede Globo, com algumas menções à inovação da Escola, tendo sido destacada a ausência de itens de origem animal nas fantasias e alegorias, e de se tratar de um tema que está em evidência na Sociedade. Algumas críticas confusas foram feitas ao enredo, mas foi possível ouvir um comentário importante sobre o trecho “Picadeiro não é mata / E nem piscina é oceano”, quando um dos comentaristas pediu ao outro para explicá-lo, e acabou ele mesmo explicando que “é por que o bicho não é pra ficar preso”. O trecho em questão é uma crítica ao uso de animais em circos e parques aquáticos.

Nas várias alas de seu desfile, a Escola abordou temas como a relação de moradores de rua com os cães, e os problemas dos testes em animais, carroças, circos, parques aquáticos, touradas e outras atividades que exploram os animais não humanos.

O carro onde estava Luisa Mell, embaixadora do samba enredo e responsável por convencer a Escola a não usar itens de origem animal, recebeu o nome de “O Holocausto Animal – E o Circo Legal”. A palavra “Holocausto” é muito usada pelo movimento vegano para descrever a situação de terror que bilhões de animais não humanos enfrentam todos os dias e que foi imposta por humanos, mas isso costuma ser motivo de críticas, devido ao fato da palavra ser considerada uma referência à perseguição e extermínio de judeus pelo regime nazista. No entanto, trata-se de uma palavra oriunda do idioma grego que significa “todo queimado”, e é usada para definir um tipo de sacrifício religioso de animais bastante comum na antiguidade.

A Águia de Ouro homenageou também animais como o Gorila Harambe, morto em um zoológico nos EUA quando um menino caiu em seu recinto (relembre aqui), a Onça Juma, morta ao tentar avançar em um soldado após uma cerimônia referente às Olimpíadas do Rio (relembre aqui), e a Orca Tilikum, que morreu recentemente no SeaWorld (relembre aqui).

Foram feitas, ainda, homenagens a animais conhecidos do cinema e usados nas forças armadas, sendo pontos que renderam críticas ao desfile, já que o movimento pela libertação animal busca permitir aos animais não humanos uma vida para seus próprios propósitos, não fazendo por eles escolhas convenientes para a humanidade. Contudo, a Águia de Ouro certamente representou a mudança de consciência que todos estamos percebendo no mundo.

Para encerrar, deixamos uma frase de Luisa Mell em uma entrevista concedida à revista Quem (confira na íntegra) pouco depois do desfile: “Espero que olhem os animais com mais compaixão, com mais solidariedade, porque os animais são massacrados. A gente vê que o carnaval sem crueldade, sem culpa, foi um carnaval maravilhoso e dá sim para fazer sem maltratar nenhum animal. Espero que tenha sido um desfile histórico para o carnaval e para a proteção animal do país.” Fonte: Mapa Veg

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