Salve a Amazonia
14 de outubro de 2015
publicado às 13h25
Denúncia de assassinatos de índios e mortes por falta de assistência

Denúncia de assassinatos de índios e mortes por falta de assistênciaO coordenador da Frente Parlamentar Ambientalista, deputado Sarney Filho (PV-MA), afirmou hoje que a Comissão de Meio Ambiente da Câmara dos Deputados enviará ofício ao ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, pedindo explicações sobre o aumento de assassinatos de índios em conflitos com fazendeiros e sobre as ações adotadas pela Polícia Federal nas áreas de litígio. O deputado foi o autor do requerimento para a realização da audiência pública, na CMADS, que discutiu o relatório do Conselho Indigenista Missionário (CIMI) sobre Violência contra os Povos Indígenas.

De acordo com os números apresentados pelo CIMI, em 2014 foram registrados 70 assassinados de indígenas no país, sendo 35 no Mato Grosso do Sul, e ocorreram 142 suicídios, 48 no mesmo estado. Em outro ofício ao ministro, a CMADS pedirá providências do governo para deter a nova onda de invasões de garimpeiros nas terras dos índios Yanomami, em Roraima. De acordo com as denúncias, foi construída uma pista de pouso na floresta e as instalações da Funai estariam abandonadas. Nessa região ainda existem grupos de índios isolados.

A coordenadora da APIB – Articulação dos Povos Indígenas do Brasil, Sônia Guajajara, alertou que a falta de solução para os conflitos em áreas indígenas está agravando ainda mais o clima de violência. “Sem esperança, os índios que tiveram as suas terras invadidas estão se defendendo por conta própria”, afirmou a líder indígena.

Outra liderança, Daniel Vasque, membro do Conselho Aty Guassu do Mato Grosso do Sul, relatou a violência contra os índios Guarani-Kaiowá, em seu estado. “Até os funcionários da Funai sofrem ameaças e são acusados de incitar os índios contra os fazendeiros”, disse.

“O fazendeiro que quiser matar um índio não é punido. Os invasores estão comprando armamentos no Paraguai. Estamos indignados”, desabafou.

De acordo com relatório do CIMI, além dos assassinatos de indígenas, o descaso com a assistência e a saúde também contribuíram para aumentar as estatísticas de mortes.

Os dados indicam a ocorrência de pelo menos 785 mortes de crianças de 0 a 5 anos em vários estados. As situações mais alarmantes ocorrem nas aldeias Xavante, com 116 mortes nessa faixa etária. Entre os índios Yanomami foram 46 mortes de crianças de 0 a 1 ano.

Assessoria de imprensa

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