Salve a Amazonia
18 de maio de 2015
publicado às 20h04
Em Nova York, professor transforma salas de aula em hortas e atrai alunos

Hortas para alunosA proposta de levar para as escolas uma educação baseada na sustentabilidade é antiga, mas difícil de ser implementada. Nas últimas décadas, no mundo todo, aumentou consideravelmente o número de escolas que passaram a aderir a incentivar as crianças a gostar de alimentos saudáveis. Quando crianças e adolescentes são participativas no processo de plantio e colheita de hortas urbanas, o resultado é mais alegria e prazer para consumir comidas naturais.

Veja matéria do jornal britânico The Guardian:

O norte-americano Stephen Ritz é um professor que encontrou na agricultura urbana uma forma de atrair a atenção de seus alunos. Localizado em uma área pobre de Nova York, o projeto escolar tem ajudado a promover a educação, alimentação saudável, a consciência ambiental e outras habilidades que as crianças levarão por toda a vida.

Em artigo publicado no jornal The Guardian, Ritz explicou como surgiu a inspiração para a criação das “paredes comestíveis”. Segundo ele, a ideia aconteceu por acaso. Certo dia ele ganhou uma caixa com sementes de narciso. Sem ter muito o que fazer com elas, o professor apenas deixou a caixa guardada. Para surpresa própria e de seus alunos, pouco tempo depois as flores haviam brotado sozinhas, devido à umidade e luz da sala de aula.

Essa experiência despertou a atenção dele e atraiu os alunos também. Assim, Ritz percebeu que era possível cultivar algo muito maior. O professor e as crianças começaram trabalhando o plantio em terrenos abandonados, com o intuito de embelezar a comunidade. Depois de um tempo, eles passaram a cultivar dentro da própria sala de aula, usando técnicas de plantio vertical para ambientes internos.

O formato ganhou o nome de “muros comestíveis” e através da iniciativa, os alunos conseguem produzir legumes frescos, aplicar os conceitos aprendidos na sala de aula e ainda terem um incentivo extra para frequentarem a escola. “As crianças realmente acreditam que são responsáveis pelo plantio. Isso fez a frequência escolar aumentar de 43% para 93%. Os alunos vêm para a escola para cuidar de suas plantas, eles querem vê-las tendo sucesso. Ao longo do caminho, as crianças têm sucesso também. Isso é ótimo, porque se eu tiver seus corpos na escola, eu tenho o seu cérebro”, explicou o professor, que viaja o mundo compartilhando a sua experiência.

Ritz garante que a metodologia tem poder para influenciar diversos aspectos da vida de seus alunos. “Quando a criança aprende sobre de onde vem a sua comida, ele muda sua visão de mundo. A maioria das crianças do sul do Bronx têm dietas horríveis. Somos inundados com alimentos baratos, que só são caros em termos de custo de saúde”.

A produção da escola tem sido tão bem sucedida que o projeto já se tornou fornecedor para lojas locais, aumentando o acesso da comunidade à culinária, nutrição e saúde. “Este não é apenas o projeto sobre o crescimento de plantas, ele tem aplicações para uma série de disciplinas do currículo escolar, incluindo matemática, ciências e alfabetização”, esclarece o professor. As crianças também aprendem sobre paciência. Em um mundo cheio de tecnologias, em que tudo acontece muito rápido, é preciso ensinar os pequenos sobre a necessidade de ter tempo e paciência para ver algo crescer. O professor garante que não espera que todos os seus alunos se tornem agricultores, mas este projeto é uma forma interessante de trabalhar a aprendizagem na prática e ainda produzir alimentos usando menos espaço, água e dinheiro. (Redação CicloVivo).

 

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