Salve a Amazonia
16 de fevereiro de 2015
publicado às 23h14
Escolas de samba do Grupo Especial desfilam no Sambódromo de Manaus

img_2968semcompromissoInovação de alegorias, musas e a inclusão de pessoas com deficiência marcaram os desfiles das noves escolas de samba do Grupo Especial de Manaus. A maratona de apresentações começou ainda noite de sábado (14) e só terminou no início da manhã deste domingo (15). Milhares de pessoas acompanharam os desfiles, que aconteceram no Sambódromo, no bairro Dom Pedro I, situado na Zona Centro-Oeste da capital.

Cada uma das nove escolas de samba do grupo teve 65 minutos para evoluir com alegorias e alas na avenida. Entre as apresentações houve intervalo de cinco minutos para preparação dos carros alegóricos da agremiação seguinte. Neste ano não houve atrasos.

As apresentações começaram às 19h. A primeira agremiação a entrar na avenida foi o Grêmio Recreativo Escola de Samba (GRES) Império da Kamélia, quando a presença de público no Sambódromo ainda era pequena. O destaque da escola foram as famosas “paradinhas” na bateria. O tema da escola foi “Luz – energia que move o mundo”.

Em seguida, foi a vez da escola Andanças de Cigano, do bairro Cachoeirinha, que se apresentou para um público maior. Três mil integrantes desfilaram um enredo em homenagearam ao herói indígena Ajuricaba. Ao todo,  quatro grandes carros alegóricos fizeram menção às lutas e conquistas do ícone amazônico.

A comissão de frente da segunda mais antiga escola de samba da capital evoluiu na avenida com uma grande maloca (oca). Os destaques foram fantasias de alusivas ao jaguar do mestre-sala e gavião porta-bandeira. Os carros alegóricos com imagem de Ajuricaba e de uma grande caravela também chamaram a atenção do público.

A terceira escola a desfilar foi a Unidos do Alvorada, que contou com uma expressiva torcida. A agremiação teve quatro alegorias, 3.500 participantes e 26 alegorias. Os efeitos com luz nas fantasias da comissão de frente se destacaram durante o desfile. As fantasias e alegorias foram inspiradas na temática da escola: “Saúde, alegria e paz, o resto a gente corre atrás”. A evolução e a sincronia das alas foram os destaques da escola. Passistas da escola também se destacaram ao longo do desfile. Um dos carros alegóricos tinha performance com movimentos sincronizados de foliões.

Por volta das 22h40, quando a quarta escola de samba entrou na avenida, as arquibancadas já estavam praticamente lotadas. A Grande Família levou para o Sambódromo o enredo: “Orixás: a força que vem da natureza”. A comissão de frente utilizou na evolução um minicarro alegórico e efeitos especiais. As cores fortes das alegorias e fantasias também chamaram a atenção. A ala com danças sincronizadas logo após a comissão de frente é uma das inovações da escola. Cinco alegorias, 3.600 componentes e 21 alas entraram na avenida. Um grande carro alegórico trouxe o nome da agremiação. A passista Mirella Andrade veio exibindo seios e estava com apenas pintura corporal em parte do corpo. A bateria da Grande Família também apresentou paradinha e contou com vários ritmistas jovens. As alegorias fizeram alusão aos orixás.

Já era madrugada de domingo quando a Sem Compromisso deu início à apresentação com o enredo “Lutar sempre, ganhar talvez, desistir jamais”. O carro abre-alas era um grande tucano. A batalha dos homossexuais e das pessoas com deficiência foi um dos focos do desfile. Ao longo do desfile várias passistas transexuais e cadeirantes estavam nas alas. As fantasias e alegorias retrataram elementos das culturas de vários povos do mundo. O último carro alegórico da escola tinha homenagens ao lutador de MMA amazonense José Aldo e boxeador Mike Tyson.

Com homenagens à cultura do Acre, a Mocidade Independente de Aparecida teve o enredo “Aquiri: orgulho do Brasil”. A diversidade da fauna e da flora foi lembrada nas alegorias e figurino dos integrantes da agremiação. Logo na comissão de frente um carro trazia personagens do cotidiano dos antigos seringais. O público ficou impressionado com carro alegórico com enorme cabeça de jacaré, que ainda tinha uma extensa calda com movimento. As influências da Região Nordeste na cultura e costumes do povo do Estado do Acre foram abordadas no desfile. Uma ala toda de mestres-salas e porta-bandeiras mirins ganhou a simpatia do público. As cores da bandeira do Acre, verde e amarelo, predominaram na Mocidade.

A escola Balaku Blaku homenageou a cultura popular amazonense com o enredo: “Canta alto cirandeira, com orgulho e amor, conta a história de Manacapuru, o sonho que se realizou”. Os elementos alusivos à ciranda de Manacapuru esteve presente no desfile da agremiação desde comissão de frente. Um total de 26 alas, quatro alegorias e 2.700 pessoas participaram da escola. A boa forma das musas da Balaku Blaku surpreendeu quem viu a apresentação. O futebol e a religiosidade do povo de Manacapuru também foram lembrados.

A torcida da Reino Unido da Liberdade, penúltima escola a desfilar, contagiou do início ao fim do desfile. Com adereços e fogos, a torcida “Verde e Branco” incentivou os 4 mil integrantes da escola, que nasceu no bairro Morro da Liberdade. A escola levou para avenida cinco alegorias e 30 alas para abordar o enredo “Construção: obra prima da Humanidade”. Na comissão de frente, Adão e Eva marcavam a trajetória da criação do homem. A Reino Unido usou bastante brilho nas fantasias e alegorias. Na bateria, a inovação ficou por conta do uso de luzes de LEDs na fantasia dos ritmistas, que eram os operários das grandes construções da história universal. Grandes monumentos como, por exemplo, pirâmides egípcias, o Cristo Redentor e Estátua da Liberdade estavam nos carros alegóricos e fantasias.

Às 4h30 da madrugada, a escola Vitória Régia entrou na avenida para encerrar o desfile do Grupo Especial de Manaus. A “Verde e Rosa”, como também é conhecida, contou com o incentivo de uma imensa torcida, que permaneceu nas arquibancadas até o fim da apresentação. A religiosidade era o foco da escola, que homenageou as várias Nossas Senhoras com o enredo “De Nazaré à Conceição, no caminho das águas”. O desfile mostrou as várias personificações da mãe de Jesus, incluindo a padroeira de Belém do Pará. A cultura paraense marcou a apresentação da agremiação, que fez uma viagem pelos universos divino e profano. As alegorias com movimentos também foram destaques.

O desfile terminou às 5h20 da manhã deste domingo. Segundo a Polícia Militar, não houve grandes ocorrências. Dezoito pessoas foram detidas durante o desfile. (G1).

 

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