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2 de maio de 2016
publicado às 13h45
Frente Ambientalista debate relatório da Renctas sobre Fauna Silvestre

Frente Ambientalista debate relatório da Renctas sobre Fauna Silvestre

Com o auditório Freitas Nobre lotado, a Renctas – Rede Nacional de Combate ao Tráfico de Animais Silvestres – lançou seu I Relatório Nacional sobre Gestão e Uso Sustentável da Fauna Silvestre. O evento, organizado pela Frente Parlamentar Ambientalista, foi marcado por intenso debate acerca da criação de animais em cativeiro.

“Há pressões grandes sobre a nossa fauna e a questão não está pacificada. Precisamos nos inteirar do assunto e iremos, em outro evento, ouvir opiniões diferentes”, declarou o deputado Sarney Filho (PV-MA), coordenador da Frente, que presidiu a mesa. “O consenso é muito difícil, a unanimidade, impossível, mas nós temos que ter um foco. Sabemos a importância da fauna silvestre para a manutenção dos serviços ecossistêmicos e dos biomas”, destacou o parlamentar.

Dener Giovanini, coordenador-geral da Renctas, explicou que a dispersão das informações sobre gestão da fauna motivou a elaboração do relatório. Ele falou dos retrocessos do país na área ambiental e apontou como maior problema com relação aos animais silvestres a perda de seus habitats.

“Hoje, o que vemos no Brasil, é uma total desorganização da gestão da fauna”, afirmou Dener. O coordenador criticou a falta de leis e o excesso de normas infralegais, o que, segundo ele, causa insegurança jurídica. Também observou que devem ser deixadas de lado perspectivas ideológicas e filosóficas, fazendo um debate eminentemente técnico.

O coordenador-executivo da Renctas, Raulff Lima, discorreu sobre as estratégias e ações da OSCIP para ajudar na conservação da biodiversidade. A organização vem atuando há 16 anos no combate ao tráfico de animais silvestres, com a realização de relatórios, workshops nacionais e internacionais, campanhas de sensibilização da sociedade, conferências e campanhas.

“Recebemos alguns prêmios de reconhecimento, o maior deles foi o da ONU, que recebemos em 2003, pelo trabalho que a Renctas estava desenvolvendo aqui no Brasil”, informou Raulff.

Participou ainda da mesa Luiz Paulo do Amaral, presidente da Abrase – Associação Brasileira de Criadores e Comerciantes de Animais Silvestres e Exóticos, apresentando o relatório que, segundo ele, é um instrumento raro e inovador para a gestão da fauna. “O Brasil não tem e nunca teve uma política pública para a fauna”, falou.

O estudo fala de gestão pública e privada e de diversos cases, nacionais e internacionais. O objetivo foi elaborar uma análise técnica que subsidiasse a avaliação das melhores maneiras de conservar as espécies. Luiz Paulo defendeu os criatórios como alternativa para as espécies ameaçadas de extinção, diante da devastação das florestas.

O deputado Ricardo Tripoli (PSDB-SP) contestou a tese de que os criatórios são instrumentos de conservação da fauna e que os órgãos de gestão são ineficazes ao lidar com o problema. “O pessoal do Ibama, hoje, é altamente qualificado. O que eles não têm são recursos. Para vocês terem uma ideia, quando se faz uma peça orçamentária, o último item é meio ambiente”, argumentou.

O coordenador de fiscalização do Ibama, Roberto Cabral, explicou que muitos criadores mantêm os animais em más condições e alguns se utilizam da face legal da criação em cativeiro para encobrir o tráfico, sobretudo o de pássaros. Ele disse não condenar a criação legalizada como mecanismo de conservação, mas afirmou que, para isso, é preciso normas que garantam o bem estar dos animais, além de evitar que sirvam para “esquentar” aqueles retirados ilegalmente da natureza. “Sendo isso adotado, você pode ter a criação legalizada. Mas a gente ainda precisa avançar nesse estágio”, avaliou.

O debate contou com a participação dos deputados Sarney Filho (PV-MA), Otávio Leite (PSDB-RJ), Mauro Pereira (PMDB-RJ), Ricardo Tripoli(PSDB-SP), Arnaldo Jordy (PPS-PA), Paes Landim (PTB-PI), Marcos Reategui (PSD-AP) e Edmilson Rodrigues (PSOL-PA). Também estivem representadas dos seguintes órgãos e entidades: Renctas, Abrase, SOS Mata Atlântica, Fundação Jardim Zoológico, Criadouro Vanair Alves, Cultura da Paz, ACPB, Ministério do Meio Ambiente, Secretaria de Meio Ambiente do DF, CNA, Tetrapak, Irsan, Lixo Marinho, Valec, Ibama, Mais Cerrado, Ministério da Integração, Embaixadas da Espanha, da Alemanha, dos Estados Unidos e do Japão, Anamma, ABFPAR, Ecocâmara, Anapass, Ambienta Consultoria, Rebras e ICMBio.

Fonte: Comunicação Lid-PV

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