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4 de agosto de 2016
publicado às 12h37
Frutos do Cerrado são comercializados no país e no exterior

Frutos do Cerrado são comercializados no país e no exteriorO pequi (Caryocar brasiliense) é um fruto típico do Cerrado, muito popular e um dos mais consumido. É lembrado pelas suas particularidades como a cor amarela da polpa e o cheiro característico. Com tamanho aproximado ao de uma maçã, o fruto é revestido por uma casca verde e conta com uma camada de espinhos finos embaixo da polpa, sob a qual encontra-se uma amêndoa, também utilizada para alimentação e extração de óleo. Devido aos seus espinhos, deu-se o nome do fruto, que em tupi significa “pele espinhenta”.

No norte de Minas Gerais, onde se encontra o Mosaico Sertão Veredas Peruaçu (MSVP), localidade em que o WWF-Brasil atua, por meio dos Programas Cerrado Pantanal e Água Brasil, o pequi e outros frutos tem sido fonte de renda para as comunidades agroextrativistas.

Kolbe Soares, analista de conservação do WWF-Brasil, tem trabalhado na região com o fortalecimento da base do extrativismo sustentável. “O extrativismo é imprescindível para manutenção da biodiversidade neste bioma tão ameaçado. Temos atuado no apoio à estruturação da cadeia produtiva, que vai desde a coleta dos frutos no campo, passando pelo beneficiamento, até a comercialização. Trabalhamos, principalmente, com empreendimentos comunitários como as cooperativas agroextrativistas”.

No núcleo do Peruaçu, a última safra (2015/2016) do pequi, com produção entre dezembro a fevereiro, originou cerca de duas toneladas e meia de polpa, que estão sendo comercializadas em feiras locais, nacionais e até mesmo exportado ao Japão. Após o sucesso de quatro remessas enviadas ao Japão, é a vez do creme do pequi ser exportado para lá também, resultado de uma parceria da Cooperativa dos Agricultores Familiares e Extrativistas do Vale do Peruaçu (COOPERUAÇU) com o apoio da Central do Cerrado.

Outro destaque na comercialização de frutos do Cerrado é sua venda no Mercado de Pinheiros, em São Paulo, por meio da Central do Cerrado, no box dos biomas. Iniciativa que conta com a parceria do Instituto Atá, do chef Alex Atala, e da Prefeitura de São Paulo, e busca valorizar os empreendimentos que mantém o modo de vida tradicional, produzindo e conservando o meio ambiente e a cultura local.

Para Joel Araújo Sirqueira, gestor ambiental da Funatura e da Cáritas Diocesana, a COOPERUAÇU, fundada em março deste ano, já tem bons resultados e uma boa relação com parceiros para desenvolver a produção sustentável e comercialização dos frutos do Cerado. “Temos comercializado regionalmente em Januária e Montes Claros, como também nacionalmente, casos de Belo Horizonte, São Paulo e Brasília. Participamos de uma feira internacional no ano passado no Rio Grande do Sul e tudo tem tido uma boa saída nas vendas. Levamos para o encontro doces e polpas dos frutos do Cerrado, farofa e óleo de pequi e, ainda, farinha de jatobá. O núcleo do Peruaçu é o único da região que produz a farinha do jatobá, utilizada para substituir o trigo. Na última safra produzimos aproximadamente 1 tonelada dela”, explica.

A cooperativa conta com 60 sócios fundadores, representando 11 comunidades do Peruaçu e envolve todas as associações comunitárias da região. “Estamos organizados há bastante tempo e com o apoio do WWF-Brasil temos realizado capacitações para aperfeiçoar nosso trabalho com frutos do Cerrado. Queremos comercializar produtos diferentes como, por exemplo, o creme do pequi”, ressalta Valdomiro da Mota Brito, presidente da COOPERUAÇU.

Produção do creme de pequi 

Com o objetivo de auxiliar os agroextrativistas da região do MSVP na produção de itens diferenciados extraídos do pequi foi realizada uma capacitação na comunidade de Areião, no munícipio mineiro de Januária, que contou com a participação de aproximadamente 20 pessoas associadas à COOPERUAÇU.

Durante três dias de curso aconteceram aulas práticas e teóricas sobre todo o processo de produção, incluindo coleta, beneficiamento e comercialização. De acordo com João Ávila, um dos instrutores que ministrou o curso, a capacitação permitiu que um grupo bem diversificado pudesse participar e aprender sobre um dos principais frutos do Cerrado. “Há um grande caminho pela frente para produção e comercialização, mas com muita chance de sucesso”, comentou.

O creme de pequi é uma inovação para os agroextrativistas. “Os cooperados estão preocupados em levar produtos diferentes para o mercado. Na região, o pequi é um dos principais frutos coletados e assim vemos um nova possibilidade de vendas, em parceria com a Central do Cerrado”, ressalta Joel Sirqueira.

Ele explica que durante todo o processo de aproveitamento do pequi os integrantes da COOPERUAÇU estão envolvidos. Na safra eles realizam a coleta do produto, fazem a higienização e removem a casca até ter acesso ao fruto. A polpa é armazenada em conserva até o processamento na Unidade de Beneficiamento dos Frutos do Cerrado, construída com o apoio do WWF-Brasil na comunidade do Areião, região do médio Peruaçu. Após estas etapas, os produtos estão aptos para a comercialização.

Luiz Carrazza, da Central do Cerrado, que também foi um dos instrutores da capacitação, explica que uma das principais dificuldades para os empreendimentos comunitários é a comercialização. “A Central do Cerrado tem trabalhado com o frutos há muito tempo e existe uma procura que tem aumentado a cada ano, principalmente, por novidades. É necessário organização na produção para que o consumidor quando voltar ao ponto de venda saber que encontrará o que procura. O creme do pequi produzido durante a capacitação e com as comunidades do Peruaçu vai direto para uma empresa do Japão que pediu esse produto”, explica Luiz. Ele ainda ressalta que o creme não utiliza conservantes químicos e é um exemplo de como é possível produzir respeitando o modo de vida dos produtores e da natureza.

Ana Rita Pereira Lopes, agroextrativista e moradora de Areião, comenta que a região é muito rica em biodiversidade. “Depois das capacitações começamos a colher os frutos e fazer polpas para a alimentação. Tirei muita coisa industrializada na nossa alimentação e agora uso muito o que coletamos. Nosso trabalho na cooperativa é feito com muito amor. Tínhamos a necessidade de saber como iríamos usar os produtos, aproveitar ao máximo os frutos, como fazer doce, geleia e outros produtos. As capacitações têm contribuído muito, inclusive nos gastos domésticos. Um exemplo é a farinha de jatobá que substitui a farinha de trigo comprada no supermercado da cidade”, comenta. (WWF-Brasil).

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