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8 de setembro de 2015
publicado às 15h49
Índios terenas reinventam cultivo de mandioca no Brasil

Índios terenas reinventam cultivo de mandioca no BrasilUm projeto que uniu os governos federal e de São Paulo, o Banco Mundial e uma universidade privada, entre outros parceiros, está possibilitando aos índios terenas da Aldeia Ekeruá, em Avaí (SP), tornar a produção de mandioca mais eficiente e sustentável e aumentar a sua renda. Além disso, representa uma volta aos costumes da cultura da tribo.

No Brasil, quarto produtor global – 21,2 milhões de toneladas em 2013 e safra recorde prevista para este ano –, a mandioca é fundamental na dieta e representa um dos cultivos mais importantes para os indígenas. Entretanto, há três anos, a rotina deles se resumia a trabalhar em terras alheias por um pagamento mínimo. A roça de mandioca que havia na terra indígena, empregava só cinco pessoas, e dependia tanto de adubos químicos quanto de agrotóxicos.

Com a reinvenção do cultivo proporcionada pelo projeto, a área cultivada aumentou de 24 para 100 hectares sem a necessidade de desmatamento e a produção aumentou em 370%, nos últimos três anos. Foram resgatadas técnicas tradicionais como o murundum, que consiste na formação de montinhos de terra para ajudar na colheita manual e proteger o solo contra erosão e ressecamento. Ao mesmo tempo, os indígenas começaram a usar uma nova variedade (não transgênica) da raiz: a IAC 576-70, conhecida como amarelinha, resistente a pragas e de maior rendimento do que a usada anteriormente e a testar novos adubos orgânicos e a reaproveitar a casca da mandioca.

Em quase cinco anos, o projeto possibilitou a 22.000 famílias de produtores rurais de São Paulo ter acesso a novos mercados. A história é um raro caso de sucesso, pois 83% dos 897 mil indígenas brasileiros ainda recebem até um salário mínimo (788 reais) ou não têm rendimentos, segundo o Censo 2010. O levantamento informa que, em todo o Brasil, apenas 1,5% da população indígena ganha mais de cinco salários mínimos, percentual que cai para 0,2% nas terras indígenas. (ONU – Brasil)

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