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20 de julho de 2016
publicado às 11h46
‘Invisibilidade estatística’ dificulta censo dos povos indígenas na América Latina

Invisibilidade estatística dificulta censo dos povos indígenas na América LatinaEm evento paralelo ao Fórum Político de Alto Nível sobre Desenvolvimento Sustentável sobre os direitos e contribuições dos povos indígenas para a Agenda 2030 da ONU, a secretária-executiva da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL), Alicia Bárcena, criticou a falta de dados estatísticos que torna invisíveis esses povos.

Atualmente, o organismo regional presta assistência técnica a seus Estados-membros para apoiar o desenvolvimento de métodos de monitoramento da população que incluam os indígenas, além de atuar junto a organizações dos povos nativos para produzir estudos e bancos de dado especializados.

Como resultado, a CEPAL conseguiu calcular que, em 2010, cerca de 45 milhões de indígenas viviam na América Latina. O contingente representava, então, 8,3% da população regional.

O número representa um avanço na comparação com a estimativa de 30 milhões de indígenas obtida em 2000. A CEPAL considera que o aumento não foi devido apenas a um crescimento demográfico, mas também à maior visibilidade que essas populações conquistaram em censos de população latino-americanos.

“Se na ronda de 1990, apenas dois (dos países da América Latina) incluíam o critério de autoidentificação, na ronda de 2010 este número já chegava a 21”, elogiou Bárcena.

Apesar das conquistas, a chefe da CEPAL alertou para a necessidade de aprimorar a qualidade dos dados coletados por pesquisas. De acordo com a secretário-executiva, é necessário analisar as desigualdades de gênero, acesso a saúde, educação e outros riscos a que os indígenas estão vulneráveis.

Como exemplo, Bárcena explicou que, sem distinguir os níveis educacionais, as entradas de homens que não são indígenas nem afrodescendentes no mercado de trabalho latino-americano chegam a ser quatro vezes maiores do que as novas participações de mulheres indígenas e quase o dobro do número de mulheres negras que começou a trabalhar.

A secretária-executiva destacou também que os indígenas vivem o auge de conflitos socioambientais que podem desrespeitar seus direitos territoriais. Na América Latina, entre 2009 e 2013, foram identificados 235 disputas provocadas por indústrias extrativistas — mineração e carvão — em territórios indígenas, alertou a chefe da CEPAL.

Segundo a dirigente, a inclusão desses grupos no monitoramento populacional será fundamental para proteger seus direitos e garantir que os indígenas sejam contemplados pelas políticas públicas alinhadas à Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável da ONU.

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