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8 de novembro de 2017
publicado às 14h51
Juiz determina transferência de ursa Marsha para santuário

Juiz determina transferência de ursa Marsha para santuárioA ursa, de 33 anos, foi explorada por um circo até os 26 e hoje vive aprisionada em um zoológico.

O juiz Frederico Botelho de Barros Viana, da 4ª Vara Federal Cível do Distrito Federal, determinou que a ursa Marsha, explorada para entretenimento humano pelo Zoobotânico de Teresina, no Piauí, seja transferida para o Santuário Associação Mata Ciliar, localizado em Jundiaí, no estado de São Paulo.

A decisão foi tomada em caráter de urgência porque, segundo o magistrado, a situação da ursa é cruel, devido às altas temperaturas do estado.

Baseando-se em documentos apresentados, o juiz afirma que “a situação da ursa Marsha é uma definição precisa de crueldade imposta pelos humanos. Se nós, cidadãos, fecharmos os olhos para estes fatos, não sei se somos mais evoluídos do que os animais que subjugamos”.

As informações foram divulgadas durante uma audiência promovida pela 24ª Promotoria de Justiça, no Ministério Público, com representantes da Secretaria de Meio Ambiente (Semar), Ibama e do Centro Apoio Operacional de Defesa do Meio Ambiente (CAOMA).

Ficou acertado ainda uma vistoria na cozinha do Parque Zoobotânico que deve ser feita, dentro de quinze dias, pela equipe de Vigilância Sanitária do Estado. No mesmo prazo, a Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos deve realizar reparos na estrutura da cozinha. Será feito ainda, pela SEMAR, um levantamento dos reparos e das obras que necessitam de processo licitatório, além de um cronograma de licitação e execução, os quais devem ser enviados ao Ministério Público em um período de até 30 dias.

Três veterinários que vistoriaram o recinto de Marsha, entretanto, afirmaram que o local é adequado. Um deles, o analista ambiental do Ibama e presidente da Comissão de Meio Ambiente do Conselho Regional de Medicina Veterinária (CRMV), Fabiano Pessoa, discordou da denúncia de maus-tratos e afirmou que “as condições do recinto são boas, atende a todos os critérios presentes na legislação”, segundo informações divulgadas pelo portal O Dia.

Entretanto, conforme afirmou o médico veterinário Alexandre Clark, a temperatura do recinto, de 450 metros quadrados, supostamente se mantém em cerca de 25 graus, devido a um sistema de aspersão, o que ainda é inadequado para uma espécie que é natural de países frios como Canadá e o norte dos Estados Unidos.

Fabiano disse aprovar a alimentação oferecida à ursa, mesmo que parte dela seja composta por ração de cachorro. Ele afirma que a ração é adequada para animais onívoros, mas desconsidera que ursos se alimentam de carnes, frutas e verduras e que oferecer outra alimentação senão essa é negar a um animal o direito de se alimentar o mais próximo possível da forma como se alimentaria em seu habitat, é privar um animal que já vive em meio a diversas privações, dentre elas, a privação da liberdade em prol do entretenimento humano.

Marsha vive uma vida de exploração. Foi vítima da negligência e ganância humana em um circo até completar 26 anos. Hoje, com 33 anos, sofre aprisionada em um zoológico. Além disso, ela apresenta um quadro crônico de problemas articulares.

Ao contrário do que afirmam os veterinários que estiveram no parque, a Confederação Brasileira de Proteção Animal (CBPA) declara que a ursa está mal instalada e enlouquecendo com o calor que alcança os 40 graus.

“Ela está com visíveis sintomas de loucura e de neurose que vem se agravando há algum tempo com certeza com a contribuição do calor de Teresina, que é completamente incompatível biologicamente com a sua necessidade de temperaturas muito mais baixas”, afirmou a presidente da CBPA, Carolina Mourão.

Uma petição online, feita pela CBPA, pede a transferência de Marsha para um santuário. (ANDA).

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