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1 de fevereiro de 2015
publicado às 02h44
Mulheres se destacam na produção do açaí das ilhas de Belém

Resize.aspxNa Ilha de Jussara, na região insular de Belém, a extração do açaí é a principal atividade econômica, feita hoje de forma programada, garantindo renda às famílias durante praticamente todo o ano. Os resultados devem-se à utilização de tecnologias adequadas, repassadas pela Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado do Pará (Emater). Durante a safra do fruto, são colhidas entre seis e oito toneladas de açaí por hectare. Sendo que na ilha, o diferencial está no trabalho das mulheres, que tem papel decisivo no processo produtivo.

Segundo dados da Emater, as mulheres locais são as representantes de seus companheiros junto a instituições de assistência e agentes financeiros. Quase 50% dos acessos ao crédito rural como o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) da linha Floresta é das mulheres. “Aqui até o manejo nas áreas, que normalmente é um trabalho apenas do homem, as mulheres já fazem. Conseguimos identificar esse potencial feminino, investimos nele e a cada dia as repostas são mais positivas”, explica o engenheiro agrônomo da Emater, Lucival Chaves.

Dona Edna dos Anjos, nascida e criada na Ilha de Jussara, diz que conhecer e trabalhar adequadamente com o açaí vem mudando a realidade econômica e a consciência das famílias. “Antes, acreditávamos que quanto maior o número de árvores na touceira, mais produção teríamos. Hoje retiramos as que não servem, sabemos identificar o número de árvores por espaço e o que é descartado vira adubo orgânico”, relata a agricultora, que além da venda do açaí in natura ainda lucra com a comercialização do produto processado.

Outra que também comemora os bons resultados é Francisca Socorro Miranda. Ela explica que, além de ter conseguido aumentar a produção por conta da utilização das tecnologias adequadas, a comunidade adotou a exploração racional dos açaizeiros, destinando à comercialização do palmito apenas as árvores que já não servem para a produção do fruto. Antes, um grande número de pés eram derrubados para este fim. “Vender açaí é muito mais lucrativo e sustentável”, observa a agricultora.

O manejo de açaizais nativos obedece a princípios agroecológicos, uma vez que o descarte das árvores é feito adequadamente, conservando espécies nativas que proporcionam a alimentação dos animais, além do benefício econômico para as famílias. Com a mudança na base produtiva, a comunidade garantiu um ganho de quase 80%.

As intervenções técnicas não só aumentaram o aproveitamento da produção, que ocorria apenas em um período determinado do ano, como diminuíram as perdas, permitiram às famílias conhecer melhor a cadeia do açaí e também cooperar para que o meio ambiente seja preservado. A safra do açaí acontece entre junho e dezembro e a chamada entressafra ocorre durante o período de chuvas mais intensas, em função da diminuição da floração das árvores.

(Agência Pará de Notícias – Iolanda Lopes Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Pará).
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