Salve a Amazonia
5 de março de 2015
publicado às 00h10
No Amazonas, 3,5 mil filhotes de quelônios são soltos na natureza

QuelôniosdaAmazonia

O projeto Pé-de-Pincha, da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), realiza o manejo comunitário de quelônios nas regiões do Baixo Amazonas e Juruá. Na segunda quinzena de fevereiro, pesquisadores do projeto promoveram a soltura de aproximadamente 3,5 mil filhotes de tracajá e tartaruga da Amazônia nos municípios de Borba e Careiro, ambos no interior do estado. A ação deverá continuar durante os próximos meses. Em março e abril, a soltura deverá ser feita em, pelo menos, sete municípios do Amazonas e Pará.

Segundo os coordenadores do projeto, até o fim do ano, serão devolvidos para a natureza mais de 300 mil filhotes de quelônios em 118 comunidades que participam do projeto. “É uma emoção muito grande ver esse trabalho concluído. É como você cuidar de uma criança e depois soltar para o mundo. Seria como se eles atingissem seus 18 anos. Estão prontos para encarar a natureza”, disse a agente ambiental Nilcinha Ferreira.

O lago do Mamuri, no Careiro, distante 86 km da capital, foi escolhido para ser o lugar da soltura de cerca 1,2 mil filhotes de tracajá. Antes de soltar os bichos na água, os pesquisadores anotam o peso e tiram as medidas de cada um.

“Essa é a conclusão do trabalho que durou aproximadamente seis meses, dividido entre o período de coleta dos ovos, eclosão e agora a soltura”, declarou Carlos Dias, coordenador de campo do projeto.

Na comunidade do Igapó Açu, já no município de Borba, no km 380 da BR-319, a soltura ocorreu em maior número. Cerca de 2,3 mil filhotes foram soltos na margem do Rio Igapó Açu. “A gente consegue levar para a comunidade a educação, mediante um curso de agente ambiental voluntário e a questão social e ambiental, quando a gente consegue colocar a juventude para participar ativamente desse processo de soltura”, afirmou Carlos Bueno, gerente de sustentabilidade da Embratel, que é parceira do projeto.

Conscientização
Para Carlos Dias, o trabalho de soltura dos quelônios resulta em conscientização. “É interessante o trabalho com as crianças, porque elas estão com a formação intelectual em desenvolvimento. A partir do momento em que adquirem um amor pelos animais, elas abraçam essa causa para a vida inteira”, concluiu o coordenador.

A ação dos pesquisadores ajudou a mudar hábitos de ribeirinhos. O agricultor Raimundo Garcia, de 65 anos, lembra da época em que era comum caçar os animais na região. “Antigamente tinha muito bicho de casco, mas devido à destruição, sumiu. Podemos dizer assim, que quase acabou. Então, hoje, estamos tentando recuperar o tempo perdido”, disse. (G1).

 

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