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10 de agosto de 2016
publicado às 13h42
O Clima no centro do Jogos do Rio

O Clima no centro do Jogos do RioPor Bruna Mello de Cenço

Os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro começaram oficialmente na sexta-feira, 5 de agosto, com a participação de 11 mil atletas de mais 200 nações na grande cerimônia de abertura sediada no estádio do Maracanã. Aproveitando este momento, em que o mundo todo está com os olhos voltados para o Brasil, o esporte fez uma grande assistência a outro tema que une povos de todos os continentes: as mudanças climáticas.

As alterações no clima são o maior desafio que a humanidade enfrenta atualmente e têm impactado negativamente a biodiversidade de todo o planeta. Assim, em um momento chave da cerimônia, logo após uma sequência de shows alegres de música e dança, o clima de festa foi quebrado por uma notícia preocupante: a de que o mundo está aquecendo muito mais rápido do que até então se imaginava, resultando em derretimento da camada de gelo, aumento do nível oceanos e inundação de áreas costeiras e portuárias.

Segundo o diretor artístico do evento, Fernando Meirelles, a ação teve como objetivo fazer um apelo para o mundo em relação ao planeta. “Precisamos parar de agredir nossa casa. O problema da mudança climática é muito grave, não podemos mais brincar com o meio ambiente”, comentou Meirelles, um dia antes da abertura.

Os efeitos das mudanças climáticas colocam em risco a sobrevivência de milhares de espécies, incluindo a nossa. Os resultados incluem perdas na agricultura, pecuária e no setor pesqueiro, aumento do número de eventos extremos e ameaçam até mesmo a existência de alguns esportes, conforme comenta o diretor-executivo do WWF-Brasil, Carlos Nomoto.

“Há modalidades esportivas que dependem da disponibilidade de recursos naturais, como as maratonas aquáticas e o mountain bike. Outras podem ter suas realizações impactadas pelas variações climáticas extremas, como o vôlei de praia, a vela e a canoagem. Para garantir que haja Jogos Olímpicos para sempre, todas as nações devem se unir para vencer as mudanças climáticas”, diz Nomoto.

O Acordo de Paris, definido em dezembro de 2015, trouxe como meta manter o aumento médio de aquecimento a no máximo 2ºC, com grandes esforços para que ele seja limitado a 1,5ºC em relação aos níveis Pré-Industriais. Porém, é preciso que os países e a população em geral tomem medidas ainda mais ambiciosas para que este objetivo seja alcançado.

“Em 2015, chegamos a algo inédito: foram quebrados recordes sem nenhum vencedor. Atingimos o patamar de 1ºC de aumento de temperatura na superfície terrestre; os oceanos também esquentaram a níveis inéditos; chegamos à menor marca de gelo existente no Ártico e atingimos um novo pico na concentração de gases de efeito estufa. Nessa competição, todos saímos perdendo”, completa o diretor executivo do WWF-Brasil.

Junto com o alerta, a cerimônia trouxe um chamado para ação, com uma mensagem de esperança. Inspirados pelo poema A Flor e a Náusea, de Carlos Drummond de Andrade, cada atleta plantou uma semente de espécie nativa de Mata Atlântica. Em um ano, as mudas serão plantadas no Parque Nacional de Deodoro, na cidade do Rio de Janeiro, formando a Floresta dos Atletas. É um legado para a cidade e um lembrete de que precisamos agir em prol de um presente e um futuro de segurança climática.

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