Salve a Amazonia
14 de fevereiro de 2021
publicado às 08h47
Organizações lançam campanha para combater 2ª onda de Covid-19 em Altamira
35 organizações da sociedade civil fazem parte da iniciativa que pede doações e promove ações de conscientização. Índice de ocupação dos leitos do Hospital Regional chegou a 75%

“Não podemos ficar sem respirar no coração da Amazônia”. Com esse apelo, 35 movimentos sociais e organizações da sociedade civil de Altamira (PA) organizaram uma campanha para enfrentar a segunda onda de Covid-19 no maior município do Brasil.

Hospital Regional Público da Transamazonica, referência para tratamento de Covid-19 em Altamira e outros nove municípios, atingiu taxa de ocupação de 75% dos leitos em 31 de janeiro, segundo as Secretarias Municipais de Saúde da Região do Xingu e Secretaria de Saúde Pública do Pará. Já são 332 mortes e 17,2 mil casos da Covid-19 confirmados na região, que também é referência para o atendimento de indígenas e ribeirinhos de 11 Terras Indígenas e sete Unidades de Conservação.

“Não ficaremos parados enquanto vemos o horror se instalar. Não podemos seguir o exemplo de outras cidades onde, infelizmente, a doença tem matado por falta de oxigênio na rede hospitalar”, diz o manifesto. Entre 4 de dezembro e 29 janeiro os casos aumentaram em 36% e no último domingo (31) foram registrados 18 casos e três óbitos.

Além de receber doações e promover ações de conscientização, a campanha “Respira Xingu” busca pressionar o poder público para implementar medidas efetivas de contenção do vírus.

Acesse o site e saiba como ajudar.

A região ainda enfrenta os impactos da hidrelétrica de Belo Monte, projeto marcado por um desastroso número de impactos socioambientais: “as feridas abertas na região desde o início da construção da usina de Belo Monte, com inúmeras violações aos direitos das populações locais e ao meio ambiente, ainda não cicatrizaram. Altamira passou a constar, desde então, entre os municípios mais violentos do país, cenário que se agrava com o avanço da Covid-19. A pandemia descontrolada não pode abrir mais uma chaga”, diz o texto.

Manifesto

A região do médio Xingu*, no estado do Pará, apresenta neste momento índices alarmantes de infecção e morte por COVID-19 comparáveis com os atingidos no pico da pandemia em 2020 e que, caso ignorados, devem levar ao colapso do sistema de saúde. Em Altamira já são mais de 7 mil casos e 145 mortes confirmadas. Em toda a região, a soma supera 300 mortes, e os números não param de aumentar.

Segundo as Secretarias Municipais de Saúde, a incidência acumulada de casos no médio Xingu supera a média do estado do Pará, e é também maior do que a média no Brasil. Altamira, município referência para o atendimento de uma população estimada de 354 mil pessoas**, conta com apenas dois hospitais, e só um deles trata casos de alta complexidade. A cidade ainda recebe indígenas e ribeirinhos de 11 Terras Indígenas e 7 Unidades de Conservação.

Para piorar, nota-se um número cada vez maior de eventos nas ruas, comércios abertos e uma incapacidade do poder público de conter as aglomerações. Mas o isolamento social efetivo continua sendo a única maneira de evitar a propagação da doença, que não tem tratamento precoce e nem remédios que proporcionam a cura. A vacina, segura e eficaz, já chegou ao Xingu para parte dos indígenas e profissionais de saúde na linha de frente do combate à Covid-19. Só haverá imunização, porém, quando toda a população for vacinada. Não há previsão de que isso aconteça rapidamente.

Além disso, as feridas abertas na região desde o início da construção da Usina de Belo Monte, com inúmeras violações aos direitos das populações locais e ao meio ambiente, ainda não cicatrizaram. Altamira passou a constar, desde então, entre os municípios mais violentos do país, cenário que se agrava com o avanço da COVID-19. A pandemia descontrolada não pode abrir mais uma chaga.

Não ficaremos parados enquanto vemos o horror se instalar. Não podemos seguir o exemplo de outras cidades onde, infelizmente, a doença tem matado por falta de oxigênio na rede hospitalar. Não podemos ficar sem respirar no coração da Amazônia. Por isso, criamos a campanha Respira Xingu com o intuito de reunir diferentes vozes, propostas e doações, atuando em cinco frentes. É urgente mobilizar a sociedade e pressionar o poder público a cumprir sua obrigação constitucional de garantir acesso à saúde e a cumprir imediatamente os protocolos para casos de pandemia determinados pela Organização Mundial da Saúde. Do contrário, será responsável e responsabilizado por mortes que seriam evitáveis. Respira Xingu!

* Engloba as cidades de Altamira, Anapu, Brasil Novo, Medicilândia, Pacajá, Porto de Moz, Senador José Porfírio, Uruará e Vitória do Xingu.

** Segundo dados do IBGE, as nove cidades que compõem o médio Xingu somam 353.943 habitantes. Porém, esse número não considera fluxos migratórios recentes que elevaram a quantidade de pessoas vivendo na região.

Fonte: ISA

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