Salve a Amazonia
21 de julho de 2016
publicado às 12h30
Plataforma busca dar visibilidade a projetos extrativistas da Amazônia

produtos extrativistas da Amazônia – copaíba, andiroba, açaí, cupuaçu

Como fazer com que os produtos extrativistas da Amazônia – copaíba, andiroba, açaí, cupuaçu, por exemplo – cheguem nas empresas de alimentação, de cosméticos, de beleza e de saúde interessadas em comprá-los?

Tentando resolver este problema o WWF-Brasil, em conjunto com a empresa Amazonia Socioambiental, realizou nesta terça, em Manaus (AM) o pré-lançamento da plataforma Floraup – um mapa livre, aberto, gratuito e rápido, que tem como objetivo reunir informações sobre empreendimentos agroextrativistas de toda a Amazônia. A ideia é atender associações e cooperativas de base, povos e comunidades tradicionais.

O evento ocorreu no auditório do Bosque da Ciência, no Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), na Zona Centro-Sul de Manaus, e reuniu diversos representantes da sociedade civil como estudantes, pesquisadores, servidores públicos e cientistas.

Vitrine

O Floraup já está disponível em versão beta  (http://www.floraup.org/) e tem como objetivo servir, para as pequenas associações, cooperativas e microempresas, como uma vitrine para que elas possam expor seus produtos e vendê-los.

Por outro lado, a plataforma também servirá, a grandes empresas e multinacionais, como um banco de dados sobre iniciativas amazônicas extrativistas de onde elas possam comprar esses produtos. Espera-se que empresas de cosméticos, sucos, alimentos e bem estar, por exemplo, façam uso da ferramenta, tanto no Brasil quanto no exterior.

Gestores públicos, universitários, pesquisadores, consumidores independentes e empresas que buscam inovações com valor social e compartilhado também podem encontrar utilidade na plataforma, principalmente como fonte de informação.

É possível obter mais informações sobre a ferramenta se cadastrando em sua newsletter e na página oficial do FloraUp no Facebook: https://www.facebook.com/floraup.org/

Como funciona

Um dos aspectos interessantes do FloraUp é o seu teor colaborativo – ele será alimentado com informações fornecidas pelas próprias instituições interessadas em comercializar seus produtos. Os extrativistas, portanto, podem ajudar a alimentar um banco de dados informativo e geolocalizado – onde constam o nome de sua instituição, seu website, a espécie com a qual trabalha, seus contatos e endereços.

O acesso a plataforma também será gratuito e sem necessidade de cadastro, como a Wikipédia, e o usuário poderá manipular o mapa FloraUp como desejar, filtrando por espécie, região, pessoa jurídica ou outras palavras-chave, como “óleos”, “resinas” e “sementes”.

Conectar 

O diretor executivo da Amazônia Socioambiental, Diego Brandão, contou que o objetivo por trás do FloraUp é “conectar os atores da sociobiodiversidade amazônica”. “Sabemos que dar visibilidade e construir pontes entre as iniciativas extrativistas amazônicas é um dos maiores desafios do setor. É esse problema que queremos ajudar a resolver”, declarou.

Para a analista de conservação do WWF-Brasil, Jasylene Abreu, o FloraUp pode servir como um instrumento de pressão política sobre governos. “Creio que podemos usá-la politicamente, para fazer pressão junto ao poder público para que ajude a dar visibilidade, escoamento e escala aos extrativistas da Amazônia. Vejo que ela tem um potencial de ajudar a construir e melhorar as políticas públicas voltadas para este setor”, afirmou.

Mercado

O tamanho do mercado que envolve produtos florestais agroextrativistas é difícil de mensurar, pois está inserido em diversos setores da economia. Mas o setor de cosméticos, por exemplo, movimenta hoje R$ 100 bilhões de reais no Brasil. A indústria de fármacos movimenta R$ 34 bilhões e o mercado de bebidas R$ 3,4 bilhões. Andiroba, cacau, castanha, cupuaçu e guaraná são alguns dos produtos amazônicos utilizados nessas indústrias.

Promover cadeias de produtos florestais sustentáveis é um dos objetivos do Programa Amazônia do WWF-Brasil – que busca manter a cobertura florestal de determinadas área e aumentar a renda de comunidades e famílias naquele bioma.

A parceria entre o WWF-Brasil e a Amazônia Socioambiental prossegue nos próximos meses, quando uma outra plataforma, dedicada à borracha e a seringueira, será lançada pelas duas instituições. (WWF-Brasil).

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