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16 de julho de 2020
publicado às 19h27
Polícia apreende mais uma cobra no DF

Policia apreende mais uma cobraEsta é segunda fase da investigação, que resgatou serpente naja após estudante ser picado. Força-tarefa cumpriu quatro mandados de busca e apreensão nesta quinta-feira (16).

A Polícia Civil deflagrou a operação Snake, na manhã desta quinta-feira (16), para investigar o suposto esquema de tráfico de animais silvestres. Esta é a segunda fase da investigação que começou após o estudante de veterinária Pedro Henrique Krambeck ser picado por uma cobra naja, no dia 7 de julho.

Ao todo, foram cumpridos quatro mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao grupo suspeito (veja endereços abaixo), incluindo na casa de Pedro – multado por criação irregular de animais exóticos.

  • Guará (2)
  • Recanto das Emas (1)
  • Gama (1)

Uma cobra foi apreendida durante as buscas. A serpente não é venenosa e, segundo a polícia, o animal “estava tranquilo”. A delegacia não informou o nome dos demais investigados e nem o local exato em que a cobra foi encontrada.

Além disso, os agentes apreenderam documentos, aparelhos celulares, medicamentos de uso veterinário e equipamentos que seriam usados na criação ilegal de animais silvestres e exóticos.

Cobras resgatadas

Polícia apreende mais uma cobra no DF em operação contra tráfico de animais

Polícia apreende mais uma cobra no DF em operação contra tráfico de animais

A cobra da espécie naja que picou o estudante de medicina veterinária Pedro Henrique Krambeck foi encontrada na noite do dia 8 de julho perto de um shopping no Lago Sul. O local fica a 14 km de distância do prédio onde mora o jovem, na região do Guará.

O estudante, de 22 anos, passou seis dias internado em um hospital particular do Gama e recebeu alta em 13 de julho. Desde então, a Polícia Civil e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) passaram a investigar o tráfico de animais.

A serpente, uma das espécies mais venenosas do mundo, é nativa da África e da Ásia. A polícia estima que o animal valha até R$ 20 mil, no comércio ilegal.

Ministério Público do DF vai investigar estudante picado por cobra naja

Ministério Público do DF vai investigar estudante picado por cobra naja

m 10 de julho, o Ibama multou Pedro Henrique em R$ 2 mil, por criar o animal sem autorização. Segundo a polícia, as investigações apontam que ele é o dono da naja e das outras 17 serpentes.

Três colegas do estudante foram ouvidos pela PCDF. O delegado afirmou que os suspeitos são de classe média e classe média alta e cursam medicina veterinária em uma instituição particular do Gama.

Estudante picado por naja

Pedro Krambeck, de 22 anos, chegou a ficar em coma após acidente com serpente, no Distrito Federal. Após deixar UTI, suspeito deve ser interrogado pela Polícia Civil.

Na última semana, a apreensão de uma cobra da espécie naja, no Distrito Federal, deu luz a um suposto esquema de tráfico de animais silvestres. A investigação começou após um estudante de medicina veterinária ser picado pela serpente, na terça-feira (7).

A cobra é originária de países da África e da Ásia, e é considerada uma das mais venenosas do mundo. Até então, não se tinha conhecimento da espécie no Brasil.

Após o incidente, Pedro Henrique Krambeck, de 22 anos, deu entrada em um hospital particular, onde continua internado. Por causa da toxicidade do veneno, ele entrou em coma, recebeu o soro antiofídico (relembre abaixo) e se recupera no quarto após deixar a Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

Pedro Henrique Santos Krambeck Lehmkul, de 22 anos, foi picado por uma cobra da espécie naja, no DF — Foto: Arquivo pessoal

Pedro Henrique Santos Krambeck Lehmkul, de 22 anos, foi picado por uma cobra da espécie naja, no DF — Foto: Arquivo pessoal

A Polícia Civil suspeita de que Krambeck criava a naja dentro de casa sem autorização, o que é considerado crime. Segundo o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama), o jovem não tinha registro do animal e, por isso, foi multado em R$ 2 mil.

Na reportagem, saiba o que já foi descoberto sobre o caso e também as perguntas que ainda não foram respondidas:

  • 7 de julho: Pedro dá entrada no hospital após ser picado pela naja
  • 8 de julho: Batalhão Ambiental da Polícia Militar encontra serpente naja deixada em caixa próximo a shopping, no Lago Sul
  • 9 de julho: outras 16 serpentes são encontradas em um haras, em Planaltina e Pedro desperta do coma
  • 10 de julho: mais uma cobra silvestre é apreendida na casa do pai de Gabriel Ribeiro, amigo de Pedro
  • 12 de julho: estudante recebe alta da UTI e vai para quarto de hospital

Quem é Pedro Kambreck?

Pedro Henrique Santos Krambeck Lehmkul, de 22 anos, foi picado por uma cobra da espécie naja, no DF — Foto: Arquivo pessoal

Pedro Henrique Santos Krambeck Lehmkul, de 22 anos, foi picado por uma cobra da espécie naja, no DF — Foto: Arquivo pessoal

O jovem picado pela cobra é Pedro Henrique Santos Krambeck Lehmkul, estudante de medicina veterinária na instituição de ensino privado, no Gama. Ele mora na região do Guará, no Distrito Federal.

Antes do acidente, o jovem mantinha uma página em uma rede social, com fotos e vídeos de algumas espécies de cobras. De acordo com um auditor do Ibama, “depois do ocorrido, a página foi estranhamente apagada”.

Como ocorreu o acidente?

Cobra Naja que picou estudante em Brasília faz ensaio fotográfico no zoológico  — Foto: Ivan Mattos/Zoológico de Brasília

Cobra Naja que picou estudante em Brasília faz ensaio fotográfico no zoológico — Foto: Ivan Mattos/Zoológico de Brasília

Pedro estava em uma chácara quando foi picado pela naja. Imediatamente, ele teria ligado para os pais avisando sobre o fato. A região exata do acidente não foi divulgada pela Polícia Civil.

O jovem foi hospitalizado às 15h10 do dia 7 de julho, em um hospital particular, no Gama. Quando chegou à unidade, ele estava consciente. Contudo, o quadro se agravou rapidamente e Pedro entrou em coma no mesmo dia.

Onde a cobra estava?

Cobra naja que picou estudante de veterinária é encontrada perto de shopping no DF

Cobra naja que picou estudante de veterinária é encontrada perto de shopping no DF

A polícia suspeita que o estudante mantinha a cobra no prédio onde mora, no Guará. Contudo, ela foi encontrada a 14 km do endereço dele, perto de um shopping, no Lago Sul. Os investigadores apontam que a naja foi abandonada na região por Gabriel Ribeiro, amigo do jovem.

O animal foi encontrado no início da noite de 8 de julho, um dia após a picada. De acordo com o comandante do Batalhão de Polícia Militar Ambiental (BPMA), major Elias Costa, a cobra estava dentro de uma caixa, em um local escuro, atrás de um monte de areia.

A naja era a única cobra criada?

Cobras são encontradas em haras na região de Planaltina, no DF  — Foto: BPMA/Divulgação

Cobras são encontradas em haras na região de Planaltina, no DF — Foto: BPMA/Divulgação

Segundo a investigação, Gabriel Ribeiro, amigo do Pedro, teria escondido também outras 16 serpentes em um haras em Planaltina, a 60 km de Brasília. As cobras foram encontradas no dia 9 de julho, um dia depois do resgate da naja, após uma denúncia anônima.

A Polícia Civil acredita que os animais também eram do Pedro. De acordo com o analista ambiental do Ibama Roberto Cabral Borges, alguns “estavam magros e desidratados”.

Entre as serpentes encontradas, dez são originárias de outros países – África, Ásia e Estados Unidos – e outras seis cobras silvestres brasileiras. Elas estavam em caixas numa baia de cavalos. De acordo com a Polícia Civil “a maioria delas” não tinha registro.

Já houve punições?

Ainda internado, Pedro foi multado pelo Ibama em R$ 2 mil por criar o animal silvestre sem autorização.

A investigação ainda está em curso (veja perguntas não respondidas abaixo). De acordo com o Ibama, o jovem e três amigos envolvidos no esquema podem responder pelos seguintes crimes:

  • manutenção de animais silvestres nativos em cativeiro sem a devida autorização,
  • por dificultar a ação de fiscalização e
  • maus-tratos.

Somadas, as penas podem chegar a 18 anos de prisão.

Estado de saúde do Pedro

Pedro Henrique Santos Krambeck Lehmkul, de 22 anos, foi picado por cobra da espécie naja, no DF — Foto: Arquivo pessoal

Pedro Henrique Santos Krambeck Lehmkul, de 22 anos, foi picado por cobra da espécie naja, no DF — Foto: Arquivo pessoal

Pedro Krambeck despertou do coma na tarde de 9 de julho, três dias após dar entrada no hospital. Ele já está fora de perigo e não teve sequelas graves. O jovem será ouvido pela polícia nos próximos dias.

O soro antiofídico para o tratamento da picada precisou ser encomendado do Instituto Butantan, em São Paulo, que mantém algumas espécies para pesquisa. Apesar de ceder o antiveneno, o Butantan afirma que não produz o antídoto contra najas, já que a espécie não é nativa da fauna brasileira.

Onde estava a cobra?

Até esta segunda-feira (13), a naja estava sob os cuidados de veterinários e biólogos no Zoológico de Brasília, onde deve permanecer até que órgãos ambientais definam um novo destino para o animal.

Durante a semana, a serpente passou por exames e, segundo veterinários, passa bem. O animal gabhou até um ensaio fotográfico do profissional voluntário Ivan Mattos. Ele contou ao G1 que levou uma hora para concluir os cliques, e que estava separado do animal por uma parede de vidro.

O que falta saber?

'Possível rede de tráfico de animais', diz delegado sobre jovem picado por cobra naja  — Foto: Fantástico

‘Possível rede de tráfico de animais’, diz delegado sobre jovem picado por cobra naja — Foto: Fantástico

O delegado responsável pelo caso, William Andrade Ricardo, afirma que a Polícia Civil busca respostas sobre a destinação das cobras.

“A gente apura se, além de adquirir, eles vendiam, se o intuito era de comercializar esses animais.”

Sobre a origem das cobras, os investigadores não descartam a possibilidade deles terem se reproduzido em cativeiro, no Brasil. no mercado ilegal, a naja pode ser vendida por até R$ 20 mil, segundo informações da polícia.

A polícia também investiga se Pedro, Gabriel e outros colegas compravam e vendiam as serpentes em redes sociais. Três amigos do jovem picado, também estudantes de veterinária, já foram ouvidos pela Polícia Civil.

A instituição de ensino onde Pedro estuda, a Faciplac, informou em nota que “não tinha conhecimento da posse de nenhuma cobra ou outros tipos de animais silvestres entre os alunos”.

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