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21 de setembro de 2016
publicado às 12h16
Prem Baba pede pela ampliação do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros

prem-baba-pede-pela-ampliacao-do-parque-nacional-da-chapada-dos-veadeirosA ampliação do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros move terra e céus.

O líder espiritualista Prem Baba – que tem atraído milhares de seguidores em todo o mundo com sua mensagem de amor e respeito ao meio ambiente – junta-se ao movimento para que o parque salte dos atuais 65 mil hectares para 242 mil hectares.

A medida aumentará a proteção de um dos últimos remanescentes da biodiversidade nativa do Cerrado de altitude e irá conservar mananciais de água vitais para o país. Sem contar nos efeitos benéficos ao clima.

O decreto de ampliação do parque está pronto para a assinatura do presidente da República, Michel Temer, depois de cumprir todos os ritos legais. Mas o governador goiano, Marconi Perillo, quer prorrogar a medida por mais seis meses, alegando problemas fundiários a serem sanados.

O governo federal tem outra leitura, e acredita que o parque pode crescer de tamanho, sem prejudicar os legítimos proprietários rurais da região. Caso contrário, a ampliação pode se arrastar indefinidamente.

O ministro do Meio Ambiente, José Sarney Filho, disse ontem, durante a assinatura da ratificação do Acordo de Paris, em Brasília, que pedirá ao governo de Goiás que reconsidere sua posição e sinalize em defesa do parque.

Prem Baba, que passa parte do ano em um mosteiro vizinho ao parque de Veadeiros, se comprometeu com a implantação dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) das Nações Unidas na região.

“Aqueles que têm o poder de decidir sobre o futuro do parque têm em mãos a raríssima chance de fazer parte dessa grande virada na história”, conclamou Baba, ao se referir à ampliaçào do parque.

 Leia a entrevista exclusiva ao WWF-Brasil

Por que o senhor considera que a ampliação do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros é importante neste momento?

Porque o Cerrado é um ambiente em extinção. E a extinção do Cerrado ameaça o equilíbrio da vida, especialmente do sistema hídrico. Nenhuma espécie vegetal ou animal está fora de perigo, mas o ponto central é a água, pois ela é um elemento primordial para o equilíbrio do nosso ecossistema. A quantidade de água está diminuindo de maneira drástica. Soube que cerca de 10 pequenos rios desaparecem do Cerrado a cada ano. E esses pequenos rios alimentam os grandes rios, ou seja, essas águas do Cerrado alimentam as grandes bacias da América do Sul. Portanto, a ampliação do parque possibilita a preservação de um dos maiores e mais valiosos tesouros que temos. O bioma Cerrado é o mais antigo do planeta Terra, e por ter chegado no ápice da sua evolução, se for degradado, não poderá ser recuperado em toda sua plenitude de biodiversidade.

O senhor acredita que essa decisão pode ajudar o Brasil a cumprir sua missão internacional de ser um guardião da biodiversidade do planeta?

Com toda certeza. É até mesmo uma questão de honra. Nós assumimos esse compromisso na COP 21. Precisamos ir além da demagogia que serve apenas para enaltecer o ego e a imagem dos líderes e governantes em momentos críticos. Precisamos abrir espaço para novos modos de produção e consumo que sejam benignos e protejam as nascentes dos rios. Se faz necessário inaugurar um novo patamar de civilização, no qual possamos assumir a nossa responsabilidade pela manutenção da vida no planeta, o que implica em respeitarmos os ciclos e limites da natureza. Precisamos nos tornar verdadeiros amigos da natureza. Não porque isso é “correto”, mas porque compreendemos o papel que ela tem no conjunto da vida.

O parque conserva um acervo de biodiversidade raríssimo, mas também paisagens deslumbrantes e mananciais de água importantes para o futuro não só da região. Já não seriam razões suficientes para aumentar a proteção de Veadeiros?

Claro que sim. Como disse, trata-se de um dos maiores tesouros que temos. Mas, infelizmente, as lideranças ainda não percebem (ou não querem perceber) dessa maneira. Estamos atados ao velho paradigma no qual a natureza é apenas mais um objeto para comercialização. E o mais contraditório é que ainda não conseguimos ver valor comercial na sua preservação.

Do ponto de vista econômico, essa ampliação poderia significar um caminho para o desenvolvimento regional com base na conservação da natureza?

É exatamente nisso que acredito. Esse modelo já está sendo aplicado em diferentes países do mundo. E nós precisamos e podemos fazer o mesmo aqui. Nos falta apenas um pouco de audácia e de boa vontade para inaugurarmos esse novo paradigma. Nós já sabemos que é possível crescer economicamente preservando a natureza, basta nos movermos para isso.

E qual seria sua mensagem para o coração das pessoas que têm na mão o poder de decidir sobre o futuro do parque?

Que tenham a coragem para inovar. O Brasil está saturado desse velho modelo baseado no medo e na exploração da vida. A população está absolutamente exausta do velho. Aqueles que têm o poder de decidir sobre o futuro do parque têm em suas mãos a raríssima chance de fazer parte dessa grande virada na história. Essa decisão simboliza algo muito maior – uma verdadeira mudança de paradigma – que transformará a nossa relação com a natureza, trazendo mais qualidade de vida e, consequentemente, mais felicidade para todos nós. (WWF-Brasil – por Jaime Gesisky).

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