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7 de julho de 2015
publicado às 22h53
Produção de maracujá em Brasília supera a média nacional

Produção Maracujá BrasíliaHá 30 anos, o maracujá era considerado uma fruta exótica, de pouca expressão comercial em Brasília. Dezoito anos mais tarde, uma parcela ainda tímida de produtores locais começou a dar atenção ao plantio e, por volta de 2008, a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater) implantou novas técnicas e impulsionou o cultivo. A produção da fruta na capital é de 25 toneladas por hectare (10 mil metros quadrados), mais que o dobro da média nacional — 11 toneladas por hectare. No Núcleo Rural Pipiripau, em Planaltina, essa quantidade chega a 40 toneladas por hectare plantado.

Com 180 hectares (o equivalente aproximado a 180 campos de futebol) de área plantada, 76 produtores são responsáveis por esse cenário promissor. Desses, 35 encontram-se no Pipiripau, e o restante está espalhado por todas as regiões administrativas de Brasília. “A cultura do maracujá é típica da agricultura familiar, porque a espécie mais comum precisa de polinização manual, atividade que utiliza três trabalhadores por hectare”, explica o gerente da unidade da Emater no núcleo rural, Geraldo Magela. “Isso garante a geração expressiva de emprego e renda na capital.”

A produtora rural Maria Pereira da Silva, de 47 anos, mora no Pipiripau desde 2000. Assim que chegou, trabalhou como caseira de uma chácara e há dez anos conseguiu um pedaço de terra para se aventurar no plantio do maracujá. Com o marido e três filhos, ela já consegue tirar parte do sustento com a produção dos tipos azedo e pérola-do-cerrado. “Essa fruta é um presente que faz parte do meu futuro.” Com 20 plantas de cada espécie, Maria vende atualmente 40 quilos por mês do maracujá comum — a R$ 2,50 o quilo — e leva o outro para degustação.

“Ainda estou esperando o tipo pérola aumentar a produção para poder vender, mas, de acordo com a Emater, minha plantação é um milagre, porque começou a dar fruto com seis meses, e a média esperada é de pouco mais de um ano”, destaca a produtora. Segundo ela, o plantio do híbrido (cruzamento de tipos diferentes de maracujá) é muito fácil. Basta abrir a cova, colocar adubo orgânico e calcário, aguar por três dias e plantar a muda. Maria disse que a Emater fez a análise do solo e a orientou no plantio dessa cultura. “Essa é a melhor maneira de o seu negócio começar certo e ir pra frente.”

Tecnologia
A alta produtividade em Planaltina foi conquistada com o uso de um conjunto de tecnologias aplicadas à lavoura, como sistemas especiais de irrigação, polinização e cultivo de espécies híbridas desenvolvidas pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), plantio adensado — mais plantas por área — e produção em estufa. “Temos conseguido uma produção de 30 a 40 toneladas por hectare a céu aberto e de 90 a 100 toneladas quando plantado em estufa”, afirma o gerente da Emater.

O Brasil explora comercialmente duas espécies de maracujá — o azedo e o doce —, embora existam mais de 150 tipos. Recentemente, graças à Embrapa, a espécie pérola-do-cerrado foi introduzida em Brasília e tema principal do 7º Encontro Regional dos Produtores de Maracujá. Promovido pela Emater e pela Secretaria de Agricultura, Abastecimento e Desenvolvimento Rural, o evento reuniu em 24 de junho mais de 350 pessoas que tiveram oportunidade de degustar o novo fruto — com 100% de aprovação — e de obter informações sobre a comercialização.

Espécie inovadora
O maracujá pérola-do-cerrado é um melhoramento feito pela empresa de pesquisa, começou a ser testado no Pipiripau há quatro anos e foi lançado em 2014. “Ele é silvestre e tem sabor e características interessantes para o mercado consumidor e produtor”, diz Geraldo Magela. Além de mais adocicado e saboroso que os outros tipos, tem efeito calmante duas vezes maior que o das espécies comuns. “Sua procura tem aumentado muito no consumo in natura e pelas pequenas indústrias de sorvete e de suco.”

A fruta é ideal para plantios orgânicos e em sistemas agroecológicos, já que não requer o uso de agrotóxicos por ser uma espécie rústica, e pode durar bem mais que os maracujás azedo e doce. Enquanto os tipos comuns duram de dois a três anos, a expectativa do híbrido é de 12 a 15 anos. Diferentemente dos outros, o pérola não precisa de polinização manual, porque esse trabalho é feito por um morcego silvestre. “A flor abre à noite e, depois de comê-la, o animal faz a polinização em um voo rasante”, informa o gerente da Emater.

Feira de orgânicos
Com todas as qualidades citadas, o quilo do tipo pérola custa seis vezes mais (R$ 12) que o das espécies comuns (R$ 2). “Por ser um produto diferenciado, temos comercializado em bandejas de 300 a 400 gramas, para facilitar a venda”, explica Magela. A nova espécie pode ser encontrada na feira de orgânicos da 316 Norte — em frente ao prédio da Emater —, às quintas e sábados pela manhã, e no mercado da agricultura familiar das Centrais de Abastecimento do DF (Ceasa). A muda é vendida somente no Viveiro Tropical, na BR-020, em Planaltina. (Agência Brasília).

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